terça-feira, 29 de julho de 2025

A mulher

Nem toda mulher que parou de amar está vazia. Às vezes, ela apenas se recolheu para sobreviver. Ela não perdeu a capacidade de sentir, apenas aprendeu, muitas vezes com dor, a proteger o que ainda restou. Porque houve um tempo em que ela amou com tudo. Com o corpo, com a alma, com os olhos fechados e o coração entregue. E nesse tempo, ela acreditou que o amor bastava. Mas o amor, sozinho, não foi suficiente para impedir o abandono, a mentira, o cansaço, a entrega não correspondida. Hoje, ela anda devagar. Não por frieza, mas por reverência à própria cura. Sua missão agora é outra. É restaurar a si mesma, pedaço por pedaço, como quem recolhe os cacos de um vaso precioso, não para colá-lo da mesma forma, mas para descobrir uma nova beleza naquilo que já foi quebrado. A mulher que não consegue mais amar talvez esteja apenas redirecionando o amor que sempre deu aos outros… para si. Talvez ela esteja aprendendo a se ouvir, a se priorizar, a dizer "não" sem culpa, a colocar limites sem medo. E tudo isso também é amor. Um amor silencioso, reconstruído no escuro. Um amor que ninguém vê, mas que é sagrado. Não é fraqueza. Não é amargura. É processo. É pausa para que algo novo nasça, mesmo que, por agora, pareça apenas silêncio. E se ela não quiser mais amar como antes, tudo bem. Porque a sua missão nunca foi apenas amar o outro. Sua missão sempre foi lembrar que ela também é merecedora de ser amada… por ela mesma, pela vida, pelo Divino. Ela não perdeu o amor. Ela está renascendo nele.

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