quinta-feira, 24 de março de 2016

De onde vem a força?



Não tenho uma medida certa. Na maioria das vezes, faço tudo a olho. Se você quiser, entretanto, anote aí:
“Uma pitada de sal, algumas colheres de açúcar, essência de baunilha, três cravos-da-índia, leite, ovos e farinha de trigo a granel. Misture tudo em uma tigela grande até a massa ficar uniforme”.
Não, não, pensando bem, convém parar por aqui, porque não é nada disso que eu quero dizer. A massa do bolo desandou! O tema é outro, embora ligado a fazer bolo.
Você perguntou de onde vem a minha força e, por mais que eu me sinta tentado a dizer o contrário, o melhor, nessa hora, é usar de franqueza e esclarecer, de uma vez por todas, que há coisas na vida para as quais não existe molde ou receita a seguir. Já que, entretanto, você, curioso como é, realmente quer saber, vou dizer. Só que, antes de tudo, eu também preciso esclarecer que alguns procedimentos adotados na nossa vida pessoal surtem efeitos para uns, mas não resultam em muita coisa para outros.
Não pense que estou escondendo o ouro, porque eu não faço segredo algum de onde vem a minha força. Ao contrário. Quem me conhece bem sabe perfeitamente que muito me valho dela e tem conhecimento ainda de que ela me tem sido útil por demais, ao longo da jornada. O que lhe afirmo é que há coisas que dependem da maneira de ser de cada um e, se analisarmos mais detalhadamente o assunto, veremos que dependem sobretudo do “material” do qual a nossa alma é moldada.
A força pessoal, aquela fortaleza que carrega a bateria do âmago do nosso ser, manifesta-se de um jeito em cada criatura. Assim, a receita que serve para mim pode não funcionar para você. Essa força poderosa e invisível, sem dúvida, conduz a vontade e o agir da nossa vida. Não só isso: ela trilha o nosso destino, alimenta a nossa alma, dá colorido e som digital aos nossos sonhos, direciona os nossos passos, levanta-nos depois dos tropeços e nos faz seguir adiante, mesmo quando tudo dá errado e ninguém nos oferece um tico de consideração e, menos ainda, um mísero voto de confiança. O poder pessoal que nos governa, que nos resgata do abismo e do fundo do poço, é algo absolutamente individual e quase inexplicável. Mesmo assim, eu vou tentar explicá-lo.
Ele é a nossa segunda pele, quase como se fosse uma roupa cortada e costurada por um alfaiate eficiente, sob medida para o nosso manequim. De tão bem-feita, gruda na pele, não pesa e a gente nem sente. Como você sabe, há roupas que para uns ficam bem, caem como uma luva, e, para outros, no entanto, apertam, prendem os movimentos, sufocam e causam um tremendo desconforto. Não batem com o nosso verdadeiro número. Com esse tipo de vestimenta não compensa gastar e, se abrir o bolso para adquiri-la, estará jogando dinheiro fora. Em geral, ela acaba não combinando com o seu estilo, com o resto do guarda-roupa. Enfim, ela não tem a sua cara, de modo que o mais indicado é não andar por aí com esse figurino, por mais na moda que ele esteja.
Variável, a nossa força interior invisível pode se manifestar tanto na persistência quanto nos arroubos da existência, no simples, nas coisas banais, só dependendo da natureza e do temperamento de cada um.
Não sou pintor nem artista, mas posso ilustrar um pouco a nossa conversa com dois exemplos antes de falar diretamente a respeito do que me fortalece. E, nesse quesito, nada me parece mais inspirador do que a persistência, especialmente quando se escolhe um caminho a seguir, um obstáculo a ultrapassar, uma “guerra” a vencer. Vamos ao primeiro caso.
O francês Paul Cézanne[1] persistiu na escolha feita. Queria como destino a carreira artística. Nas boas escolas que freqüentou, foi um aluno brilhante – obtinha notas altas em quase todas as matérias, menos em desenho. Mesmo assim, a força que o movia era uma só: sonhava em estudar pintura, montar o seu próprio ateliê e pintar muitos quadros. Seguiu o seu caminho. Submeteu-se a provas para ingressar na Escola de Belas Artes da capital francesa e levou bomba duas vezes. Não desistiu nem mudou os seus planos. Passou a freqüentar a Academia Suíça, escola de arte de Paris, que fazia oposição à tradicional Escola de Belas Artes. E tudo isso só aconteceu depois que ele venceu a imposição do pai, que o obrigou a ingressar num curso de Direito, porque desejava que ele fosse advogado. Artista feito, amargou uma série de desdéns. Para começar, suas obras foram rejeitadas, ano após ano, pelo Salão Oficial de Paris e, como se não bastasse, os críticos não o deixavam em paz: zombaram da sua arte e fizeram orquestração para derrubá-lo. A tal ponto chegou a sanha invejosa que recomendaram a todos que se interessavam pelas artes que os seus quadros não fossem vistos por mulheres grávidas, sob pena de terem filhos doentes. Motivo de chacota, até mesmo os seus amigos mais íntimos o consideravam um pintor medíocre, um fracassado. Menos ele, que acreditava mais do que ninguém no valor da sua obra e apostava em seu talento e em cada uma das suas pinceladas.
“Eu sou um marco”, dizia, convicto, Paul Cézanne, mais louco do que Batman e mais atrevido do que vento em noite de tempestade, tornando-se um dos nomes mais consagrados das artes em todo o mundo, largamente reconhecido como o pai da Arte Moderna. Depois dele, muitos artistas surgiram e, entre eles, ninguém mais ninguém menos que Salvador Dalí[2].
O estilo do mestre era diferente. Com os seus bigodes arrogantes e arrebitados, o pintor catalão – um dos artistas mais polêmicos do seu tempo, conhecido pelo seu trabalho surrealista –, sem modéstia ou cerimônia, mais doido do que MacGyver, dizia para quem quisesse ouvir:
“Sou um monstro de inteligência”.
Excêntrico, exibicionista, frasista e marqueteiro de mão cheia, alardeava muito mais do que isso até chegar às últimas conseqüências:
“As duas coisas mais felizes que podem acontecer a um pintor contemporâneo são: primeiro, ser espanhol, e, segundo, chamar-se Dalí. Ambas me aconteceram. Todas as manhãs, eu experimento uma delicada alegria, a de ser Salvador Dalí, e me pergunto, em êxtase, que coisas maravilhosas esse Salvador Dalí vai realizar hoje?”.
Aprecio essas duas vidas, embora já esteja arrependido da revelação, pois vão dizer que ouso me comparar a Cézanne e Dalí. Não se preocupem, pois conheço o meu tamanho.
No meu humilde caso e à primeira vista, a minha força interior é mais modesta do que parece e muito fácil de ser decifrada. Antes de tudo, a que eu carrego, aquela que mora em mim, que não se perdeu no tempo – assim eu sinto. E olhe que os anos se passaram! De qualquer modo, ainda hoje, faça sol ou chuva, todas as madrugadas, quando acordo, renovo os sonhos para a minha existência não perder o perfume. Esse é o meu ritual há décadas. Espreguiço-me, finco os pés no chão, olho para frente, para o alto e abraço o mundo. Vou à janela e vejo o mundo vazio, enquanto começo a trabalhar. Dou vistas d’olhos para trás, vislumbro os sonhos que já foram concretizados, contento-me, e, no minuto seguinte, lá vou eu, incansável na minha luta, levando o bastão dos que ainda não se realizaram.
Corro no meu passo, sem atropelar ninguém, sem mentir, sem enganar, sem trair ninguém, sem inveja, em busca do que me pertence, porque uma vida sem projetos não é nada. A procura faz com que eu me sinta mais vivo a cada dia. Já enfrentei muitos anos, mas a minha força preserva o seu frescor juvenil: tem cheiro de mato, capim, petúnias, criança nova, jasmim, orquídeas, cravinas e bouquets de gérberas. Em mim, ela tem um quê de poesia, que exala serenatas e noites de luar sem que eu seja poeta. Sou cantor caseiro, orquidófilo meio louco, mágico para os meus netos nas horas de folga e jardineiro e criador de flamingos aos sábados, domingos e feriados. E tenho horas para contar anedotas, estudar Inglês, plantar flores no bosque de Arealva e cuidar dos macacos bugios das margens do Rio Tietê.
Desde os tempos mais remotos, guardo o segredo dessa minha força interior e de tudo que me move em um frasco de plástico, de leite de rosas ou de suco de laranja, encontrado em qualquer esquina. Não o escondo embaixo da cama nem em cofres de bancos ou antigos baús de madeira. Sou caipira lá do interior, meio bicho-do-mato, tímido e, às vezes, mais louco do que o avô Batman. Minha força ganha corpo e se refaz em contato com a terra, com a amizade das orquídeas e o respeito dos flamingos, com o canto dos passarinhos, com o brilho dos olhos das pessoas que me rodeiam, com suas alegrias e seus “ais” de tristeza.
Nem sempre acordo calmo, porque a vida não é serena todos os dias. Por essa razão, há dias nos quais me levanto louquinho como menino que perdeu a primeira namorada. Não obstante, ouso modificar o que pode ser alterado para tornar melhor a minha jornada. Embora a minha alma comece a labuta diária maltratada e empoeirada, sei que, em seu fundo, escondem-se belas relíquias nunca abandonadas. Nem posso!
A minha força está no permanente, no passageiro e na eternidade, os quais, no final das contas, misturam-se. Ela se encontra nas minhas lembranças, no meu passado, nas coisas que eu vivi. É fruto das palavras dos moleques amigos do menino Damásio, que ainda hoje ecoam nos meus velhos ouvidos, soltas nas ruas da minha infância, iluminando os meus fins de tarde.
Minha força, que tantos quiseram enfraquecer, está no eco longínquo das “guerras” das quais participei, nas batalhas que travei, nas lutas que ganhei, nas que perdi. Ela se mostra em coisas simples, como o perfume de uma orquídea, na graça de um filhote de flamingo, no canto dos pássaros, na beleza de uma primavera florida e no que me acontece e faço acontecer.
A minha força interior é palpável, de carne e osso, faz splash e tem gosto de chiclete quando eu sinto no meu rosto o beijo gostoso, ingênuo e desinteresseiro dos meus netos, que esticam os seus pezinhos para me alcançar.
A minha força vem das batidas do meu coração, essa cidade secreta, de muros baixos e janelas altas e abertas, que não escondem os campos nem as paisagens adornadas que eu construí em volta de mim mesmo; do menino bobinho que sou e sempre serei, moleque de oito anos de idade, que acredita nas pessoas que lhe querem tirar o doce e nunca desconfia que elas, como são humanas, são invejosas e maldosas.
Ah, você pergunta de onde vem essa força?
Ela nasce da escuridão das madrugadas de estudo; do nascer do Sol, quando ainda se está planejando a vida; do silêncio e da prece feita todos os domingos diante do Deus em quem eu acredito.
Vem das vidas passadas.
Das almas dos familiares que já se foram.
Dos amigos sinceros que conquistei.
Dos espíritos das pessoas que me amaram. Do tio Rico; do Damasino; do Oswaldo Caçador; do Toninho da Tote; do primo Rico; do Sílvio Marques Júnior; da Maria Inês Leite de Toledo; da Dindinha.
Vem das pescarias em rios calmos na companhia do meu pai e amigos; das florestas que desvendei; dos mares nos quais não naveguei; do senso de luta e de responsabilidade que a minha mãe queria que eu tivesse.
Ela tem como fontes a voz calma do meu pai me alertando dos perigos da vida e o abraço apertado da minha avó Lili, fazendo “festa” quando, todo mês de julho, via-me chegar no trem da Sorocabana.
Essa vontade de viver e fazer viver nasceu dos amores que não tive; do respeito que não recebi; das canções que não cantei; dos amigos que perdi; dos dias sombrios e das noites em claro; da solidão das festas de fim de ano; da Branca de Neve e dos 6 anões bem-humorados; da perda do meu amor; das fugas às perseguições; das traições perdoadas e superadas; dos ódios que não provoquei; dos ex-alunos aos quais ensinei; do choro de agradecimento dos pais dos filhos que ajudei. Dos meus 7 netos, que sempre adorei.
Nasceu da fé divina de vencer o mal e da certeza humana de que tudo vai dar certo, quando todos ao meu redor temem o dia seguinte.
Minha força interior, expressão de proteção divina, só é grandiosa porque reflete tudo isso, a soma do que sou e vivi: nada difere; nela, o mundo se encaixa e se completa. Ela vem de Deus.

[1] Paul Cézanne nasceu em 19 de janeiro de 1839 em Aix-en-Provence e morreu em 22 de outubro de 1906, na França. Reconhecido como o pai da Arte Moderna, abriu o caminho para o Cubismo e a abstração.
[2] Salvador Felipe Jacinto Dalí nasceu em Figueras, Catalunha, na Espanha, em 11 de maio de 1904 e morreu em 23 de janeiro de 1989, em Figueras. Para ele, seus quadros eram “fotografias de sonhos pintadas à mão    

O Julgamento de Jesus


Há tanto misticismo e confusão acerca da crucificação e ressurreição que acabamos perdendo de vista o fato de que Jesus de Nazaré foi julgado como homem diante de uma corte de homens, sob as leis dos homens, condenado e executado como homem, e que, como drama, o julgamento de Jesus supera quaisquer dos grandes julgamentos da história da justiça humana.

 Recomendo a pesquisa dos aspectos teológicos dos eventos por conta de cada um. Creio que, ter o ponto de vista de um advogado sobre os processos da lei que culminaram na morte de Jesus, na cruz cruel do Calvário, pode levar a uma melhor compreensão espiritual.

De início, eu quero enfatizar que não considero que uma raça inteira de pessoas (os Judeus) tenha causado a morte de Jesus. E também não creio que nenhum Cristão inteligente pensaria isto.

Minha opinião é que apenas uns poucos homens poderosos em Israel - principalmente os sacerdotes superiores daquela nação - foram os responsáveis pela injustiça que ocorreu. Para entender quão grande foi essa injustiça, vamos examinar a lei Judaica como ela existia na época... um verdadeiro e magnífico sistema de justiça criminal.

Sob as provisões da lei Judaica não poderia haver condenação por um crime capital baseado no testemunho de menos que duas pessoas. Uma testemunha era considerada a mesma coisa que nenhuma testemunha. Se houvesse apenas duas testemunhas, ambas teriam que concordar em todos os particulares até os mínimos detalhes.

Sob a lei rabínica, o acusado tinha o direito de ter um defensor (o precursor da garantia de ter um advogado em processos criminais que é definido pela Sexta Emenda da Constituição dos Estados Unidos). Se o acusado não pudesse pagar pela defesa, um defensor seria escolhido para ele. Alguém poderia pensar no caso Gideon versus Wainwright, que deu origem ao sistema de defensores públicos como uma inovação. Mas, na realidade, essa era a prática das cortes desde há 2000 anos atrás!

Sob a lei Mosaica, um acusado não poderia ser obrigado a testemunhar contra si mesmo. Esse era o espírito da Quinta Emenda: "Ninguém deve ser obrigado a servir de testemunha contra si próprio em nenhum caso criminal." Eis o conceito de "apelo à Quinta Emenda", que fez parte da justiça criminal desde os tempos de Moisés !

Uma confissão voluntária não era suficiente para a condenação sob a lei Judaica. O ônus da prova ainda era do Estado, que tinha que provar que a confissão, se houvesse sido feita, teria sido feita livremente, de forma voluntária e de plena consciência.

Hoje em dia, os policiais norte-americanos são obrigados a ler os "direitos Miranda" ("Você tem o direito de ficar calado. Tudo o que disser poderá ser usado contra você.", etc ...) para os acusados de forma que a Corte possa determinar que uma confissão seja feita livremente, voluntariamente e conscientemente.

Se uma confissão é feita depois que a lei Miranda foi ouvida e compreendida, a confissão pode ser admitida. Mas não era assim nos tempos de Jesus. A lei Judaica não admitia confissão, sob a crença de que o Estado jamais poderia se basear no que uma pessoa disse de sua própria boca para condená-la.

Uma evidência circunstancial é aquela que não está diretamente ligada ao crime, mas sim relacionada a outras evidências, que juntas, servem para que se deduza como um crime foi realizado. Em um julgamento, as impressões digitais da pessoa (evidência circunstancial) servem para deduzir que o acusado esteve em tal local e tocou em tal objeto, mesmo que ninguém tenha visto o acusado.

No caso em que uma testemunha diz "ouvi um tiro e, quando cheguei à cena segundos depois, vi o acusado com uma arma na mão", essa evidência é circunstancial. O problema é que o acusado pode ter disparado um tiro contra o agressor que fugiu após o crime ou o acusado pode ter sido apenas alguém que pegou a arma depois que o agressor a jogou no chão.

Pois bem, as evidências circunstanciais também não eram admitidas.

Hoje em dia, raramente se vê um caso nas cortes onde as evidências circunstanciais não sejam usadas.
Atualmente, em muitos casos, as únicas evidências existentes são totalmente circunstanciais.

Os depoimentos do tipo "ouvi fulano falar isso" (o "ouvir dizer" também não eram admitidos na época.
Ainda temos essa regra contra admitir depoimentos de testemunhas que não estão no tribunal e que não podem ser examinadas pessoalmente, mas as exceções à essa regra têm demolido as proteções originais aos acusados.

A regra "inocente até prova em contrário" que nossas leis reconhecem hoje (isto é, um acusado é presumido inocente até que sua culpa tenha sido estabelecida por evidências e pela eliminação de qualquer dúvida razoável) também vem da lei Judaica e essa era a regra quando Jesus foi injustamente crucificado.

O acusado de um crime capital só podia ser julgado durante o dia e em público. Esse era o precursor da garantia constitucional de um julgamento em público.

Nenhuma evidência poderia ser apresentada se o acusado não estivesse presente. Isso deu origem ao atual direito que os acusados têm de estarem face a face com as testemunhas depondo contra eles.

As testemunhas não tinham que jurar. O mandamento "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo" era considerado suficiente para deter o perjúrio. Mentir na corte era perjúrio - sob juramento formal ou não.

E mais ainda, havia dois desestímulos adicionais ao perjúrio: (1) qualquer testemunha em um caso de crime capital que desse falso testemunho recebia a pena de morte: e (2) se o acusado de um crime capital fosse condenado, as testemunhas eram obrigadas a assistir à execução. Sob essa provisão da lei, as testemunhas geralmente escolhiam suas palavras cuidadosamente e só davam testemunho com grande cuidado!

O Grande Sinédrio, a Suprema Corte Judaica, era a única corte com jurisdição sobre crimes puníveis com a morte. A criação do Sinédrio é atribuída a Moisés. Foi uma corte de 70 membros composta de um Sumo Sacerdote, como juiz principal, uma Câmara Religiosa de 23 sacerdotes, uma Câmara Legal de 23 escribas, e uma Câmara Popular de 23 anciãos.

Era a essa corte a que Jesus se referia quando disse que devia ir a Jerusalém e sofrer nas mãos dos anciãos, sacerdotes e escribas. Ele sabia que, pela decisão deles, Ele seria morto.
Extremo cuidado era usado para selecionar os juízes dessa grande corte. Cada um devia ter pelo menos 40 anos de idade com experiência em pelo menos 3 cargos de dignidade gradativamente maior. Cada um tinha que ser uma pessoa de integridade incontestável e tido em alta estima por seus conterrâneos.

Membros do Sinédrio atuavam como juízes e jurados. Eles não tinham um júri separado. Qualquer membro com interesses ou conhecimento pessoal das partes era requerido que se retirasse do julgamento. A Corte tinha que decidir a questão da culpa ou inocência apenas com evidências apresentadas no Tribunal.

O Sinédrio era encarregado, sob a lei rabínica, de proteger e defender o acusado. Nenhum membro da corte poderia atuar inteiramente como acusador ou promotor. A lei requeria que a corte desse aos acusados o "benefício da dúvida" e para ajudar o acusado a estabelecer sua inocência.

Os procedimentos de julgamento eram similares aos nossos. Seguindo-se à audiência preliminar, um sumário das evidências era dado por um dos juízes. Os espectadores eram então removidos do Tribunal e os juízes votavam. Uma maioria era suficiente para condenar ou absolver. Se uma maioria votasse pela absolvição, o julgamento terminava e o condenado recebia a liberdade total. Se uma maioria votasse pela condenação, então um procedimento diferente era seguido.

Nenhum anúncio de veredicto poderia ser feito nesse dia. A corte teria que adiar por um dia inteiro. Os juízes recebiam permissão para voltarem às suas casas mas não poderiam ocupar suas mentes em quaisquer atividades sociais ou de negócios. Eles tinham que devotar seu tempo inteiro para a consideração e reconsideração solene das evidências e retornar no dia seguinte para votar de novo.

Nesse segundo dia, qualquer juiz que houvesse votado pela absolvição não poderia mudar seu voto, mas qualquer juiz que, na primeira votação, houvesse julgado o acusado como "culpado" poderia mudar seu voto.

Durante esse tempo, o acusado ainda era presumido inocente.

Uma outra provisão peculiar da lei Judaica era de grande importância, porque um veredicto unânime de culpa resultava na absolvição do acusado! Isso derivava do dever que a Corte tinha de proteger e defender o acusado. A lei Mosaica estabelecia, que desde que algum membro da corte tinha que fazer a defesa do acusado, um veredicto unânime de culpa indicava que ninguém teria feito essa defesa, que poderia ter havido uma conspiração contra o acusado, e que ele não teria tido um amigo ou defensor. Tal veredicto unânime era inválido e tinha o efeito de uma absolvição.

Israel não era uma democracia com Igreja e Estado separados, mas uma teocracia com Igreja e Estado entrelaçados como uma coisa só. Muitos acreditam que os altos sacerdotes ordenaram a prisão e julgamento ilegal de Jesus, que eles foram quem subornaram Judas, que eles sozinhos é que se sentiram ameaçados pelos ensinamentos de Jesus em público, e que eles sozinhos é que buscaram a morte de Jesus.

A prisão foi ilegal porque ela veio de noite, em violação à lei. Ela foi efetuada através das atividades do conspirador Judas Iscariotes em violação à lei rabínica. Ela não foi resultado de um mandadolegal, novamente em violação ao código Mosaico. Os guardas romanos que prenderam Jesus no Jardim de Getsêmane e O trouxeram ao Tribunal do Sumo Sacerdote não tinham uma ordem de prisão legal.

O julgamento noturno é uma evidência adicional de conspiração contra Jesus por esses sacerdotes cuja hipocrisia o Carpinteiro denunciava publicamente. Sob a lei do Sinédrio, o primeiro passo deveria ter sido a audiência prévia com a leitura das acusações para o réu em uma corte aberta. O registro (incluindo os escritos de Mateus, Marcos, Lucas, João, Josephus, Philo e os Manuscritos do Mar Morto) não menciona nenhuma audiência prévia. E eu assumo que Mateus, Marcos, Lucas e João são testemunhas com credibilidade. Nós podemos crer em seus testemunhos.

O registro diz que a Corte procurou testemunhos falsos contra Jesus para justificar condená-Lo à morte, mas, da primeira tentativa, não conseguiram, apesar dos vários testemunhos falsos que surgiram.

Houve perjúrios entre eles, mas ninguém estava disposto a arriscar a terrível conseqüência de mentir contra um homem acusado de crime capital.

Mas, finalmente, surgiram duas falsas testemunhas, e nos disseram Mateus e Marcos que ambos os testemunhos não concordam entre si. A primeira testemunhou para acusação de blasfêmia, dizendo que Jesus havia dito "Eu sou capaz de destruir o Templo." A segunda testemunhou que Jesus havia dito "Eu vou destruir esse Templo."

Não houve outras testemunhas além dessas duas, e elas não concordavam entre si. Jesus deveria ser absolvido ainda antes de ser questionado em Sua defesa... e certamente sem ser obrigado a testemunhar contra Si próprio.

Porém, o sumo sacerdote Caifás invocou Jesus para que Se defendesse (contrariando a lei). "E, levantando-se, o sumo sacerdote no sinédrio perguntou a Jesus, dizendo: Nada respondes? Que testificam estes contra ti?" Jesus não respondeu.

Em vez de proteger e defender o acusado, como requerido pela lei deles, o próprio sumo sacerdote se tornou o acusador, em franca violação das regras do julgamento. "Conjuro-te pelo Deus vivo", ele gritou, "que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus !"

Agora, coloquemo-nos na posição de um Carpinteiro humilde diante dos homens mais poderosos do país, no maior Tribunal da nação. É difícil imaginar quão grande foi a coerção e a pressão!

Embora Jesus pudesse continuar em silêncio, Ele decidiu falar. "Se vo-lo disser, não o crereis, e também, se vos perguntar, não me respondereis."

Os sacerdotes novamente perguntaram "És tu o Filho de Deus ?"

A resposta de Jesus foi apenas "Vós dizeis que eu sou."

Caifás então anunciou à Corte "De que mais testemunho necessitamos? pois nós mesmos o ouvimos da sua boca."

O resto dos homens daquela Corte terrível, ouvindo essas palavras ditas pelo seu sumo sacerdote, ilegalmente confirmaram Seu julgamento gritando "É réu de morte !"

A primeira audiência diante do Sinédrio foi concluída por volta das três da manhã. A Corte só adiou o julgamento até o nascer do sol, embora a lei exigisse que cada um deles deliberasse a sós por um dia inteiro antes da segunda audiência.
Eles retornaram apenas algumas horas depois, ao amanhecer. Lucas nos conta "E logo que foi dia, ajuntaram-se os anciãos do povo, e os principais dos sacerdotes e os escribas, e o conduziram ao seu concílio." Essa sessão foi superficial. Nenhuma testemunha foi invocada. Novamente, a lei foi violada ao se exigir que Jesus respondesse à questão repetida "És tu o Filho de Deus ?"

E novamente Jesus respondeu "Tu o disseste", e então acrescentou "Digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu."

Diante disso, a Corte gritou "Para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que bem ouvistes agora a sua blasfêmia."

A votação foi feita, os votos dos juízes foram contados, e Marcos nos conta "TODOS o consideraram culpado de morte." A importância disso reside naquela provisão peculiar da lei Judaica que requeria a absolvição se houvesse veredicto unânime.

Sob a lei Judaica, a morte por apedrejamento era a sentença apropriada para uma ofensa capital. O povo Judeu não crucificava e esse método de executar a pena de morte era de origem Grega ou Romana. Os Judeus executavam os condenados por apedrejamento, decapitação ou estrangulamento de acordo com a natureza do crime. Para a blasfêmia, era prescrita a morte por apedrejamento.

No entanto, o exército Romano que ocupava Jerusalém, na época, era o único com poder de anunciar e executar sentenças de morte. O Sinédrio tinha apenas autoridade para levantar a acusação perante um magistrado Romano ou governador militar, o qual tinha o dever de rever o processo inteiro em um julgamento separado tendo poder para decidir. Portanto, "logo ao amanhecer, os principais dos sacerdotes, com os anciãos, e os escribas, e todo o Sinédrio, tiveram conselho; e, ligando Jesus, o levaram e entregaram a Pilatos."

Normalmente, diz-se que o reino de Judá nos deu a religião e a Grécia nos deu as artes, mas Roma nos deu as leis. O sistema judicial Romano era incomparável, em matéria de jurisprudência, mas Pilatos não seguiu o sistema Romano. Ele não exerceu julgamento independente, de acordo com a lei, mas cedeu às pressões políticas dos sacerdotes Judeus, violando assim a própria lei que ele estava encarregado de fazer cumprir.

Sua história é um exemplo de como os juízes devem ser sempre livres de pressões políticas, livres para decidir os casos baseando-se apenas na lei e nas evidências. Como Procurador Imperial na Jerusalém, ocupada pelos Romanos da época, Pilatos tinha o dever legal de rever todas as evidências e procedimentos nos casos capitais trazidos até ele pelos líderes judeus. Ele foi um bom juiz (até que a segurança de seu cargo foi ameaçada pela política).

Os sacerdotes levaram Jesus para a entrada do palácio de Pilatos (Eles não poderiam entrar porque se tornariam impuros, sendo uma época de Páscoa.)

Pilatos foi até eles dizendo "Que ACUSAÇÃO trazeis contra este homem?".

Essa pergunta é importante porque demonstra a intenção de Pilatos em levar o caso como um julgamento à parte, desde o início, começando a julgar a própria acusação. Ele não perguntou "Vocês condenaram esse homem de quê?", mas em vez disso perguntou quais eram as acusações.

Os sacerdotes sabiam a importância da pergunta de Pilatos, então eles responderam indiretamente "Se este não fosse malfeitor, não to entregaríamos." Em outras palavras, Pilatos perguntou "qual a acusação contra este homem ?" e os sacerdotes responderam "se ele não fosse culpado não estaria aqui!"

Pilatos percebeu essa tentativa de limitar sua jurisdição e induzi-lo a agir de acordo com a vontade deles. Isso o irritou e ele revidou:

"Levai-o vós, e julgai-o segundo a vossa lei !" Os sacerdotes foram então forçados a admitir "A nós não nos é lícito matar pessoa alguma."

Tentemos entender o dilema desses sacerdotes em violação às leis. Se eles apresentassem Jesus como um homem condenado por blasfêmia, com o depoimento de apenas duas testemunhas, que não concordaram entre si, Pilatos reverteria o veredicto. Se eles apresentassem Jesus como alguém condenado por sua própria confissão, Pilatos também dispensaria o veredicto. E, é claro, se eles informassem que Jesus havia sido condenado por votação unânime, Pilatos entraria com um veredicto de absolvição.

Então, os maliciosos sacerdotes apresentaram Jesus a Pilatos sob uma nova acusação que eles inventaram naquele momento: traição contra César. "Havemos achado este, pervertendo a nossa nação", disseram eles, "proibindo dar o tributo a César, e dizendo que ele mesmo é Cristo, o rei."

Pilatos chamou Jesus para dentro do palácio e o perguntou em privado "Tu és o rei dos Judeus?". E Jesus perguntou a Pilatos para saber a origem da nova acusação: "Tu dizes isso de ti mesmo, ou to disseram outros de mim?"

Pilatos replicou "a tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim", explicando, com isso, de onde havia sido originada aquela acusação de traição.

Era uma coisa plausível que um judeu acusasse um romano de traição ou que um romano acusasse um judeu, mas, naquele momento, eram os judeus mais proeminentes da nação acusando um de seus conterrâneos de crime de traição contra Roma!

Jesus disse a Pilatos "O meu reino não é deste mundo."

E Pilatos insistiu "Logo tu és rei ?"

Jesus respondeu "Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz."

Pilatos então fez a famosa pergunta "Que é a verdade?"

Jesus não deu resposta alguma, senão a presença silenciosa de Si, o Cordeiro levado ao sacrifício por mentirosos, de forma que Pilatos saiu para onde os sacerdotes estavam e, de acordo com João, pronunciou sua absolvição enfática do Carpinteiro Nazareno. Ele disse a eles "Não acho nele crime algum "

Até então, Pilatos havia seguido a lei à risca. A lei era boa. A lei teria libertado Jesus, mas, pela persistência desses maldosos sacerdotes, que não se importavam em nada com as leis, pelas quais eles mesmos governavam a terra e seus habitantes.
Era intolerável, para esses inimigos da verdade, que seu complô assassino fosse frustrado dessa maneira.
Os sacerdotes soltaram rugidos de indignação "Alvoroça o povo ensinando por toda a Judéia, começando desde a Galiléia até aqui."

Essa acusação era a de sedição (revolta, motim, crime contra o Estado), que era menos odiosa que a traição. Ela exigia a prova de uma motivação corrupta para a condenação, mas ainda nenhum motivo maldoso se pode provar que existira em Jesus.

Pilatos ignorou essa acusação, mas, com a referência à Galiléia, ele encontrou uma oportunidade de escapar do que o esperava. Herodes, o Tetrarca da Galiléia, estava em Jerusalém para a Páscoa. Pilatos viu nisso uma chance de transferir a responsabilidade para Herodes, que tinha jurisdição para julgar acusações de sedição. Jesus era Galileu.

Os sacerdotes aprovaram essa ação porque eles pensavam que Herodes faria o que eles quisessem, para ganhar seus favores.

Jesus foi arrastado até o palácio de Herodes, onde as acusações de traição e sedição foram reiteradas.

Herodes, contudo, não se impressionou. Ele havia ouvido a respeito dos ensinamentos de Jesus e o questionou, mas, quando Jesus se recusou a responder (um direito de todo acusado), Herodes colocou nEle uma túnica branca e o mandou de volta a Pilatos, sem dar uma decisão. Se esse procedimento irregular tivesse qualquer status legal, ele levaria a uma nova absolvição. Pilatos concordou.

Lucas nos conta que, quando os sacerdotes trouxeram Jesus de volta do palácio de Herodes, Pilatos saiu de encontro a eles e disse "Haveis-me apresentado este homem como pervertedor do povo; e eis que, examinando-o na vossa presença, nenhuma culpa, das de que o acusais, acho neste homem. Nem mesmo Herodes, porque a ele vos remeti, e eis que não tem feito coisa alguma digna de morte. Castigá-lo-ei pois, e soltá-lo-ei."

Notemos que Pilatos, naquele momento, cometeu um erro. Ele declarou "Esse homem é inocente. Herodes o julgou inocente e eu o julguei inocente. Eu vou, portanto, castigá-lo e soltá-lo!" Mas, que autoridade legal tinha Pilatos para castigar um homem inocente? Por que ele fez isso ?

Apesar de contrária à lei romana, eu creio que Pilatos fez isso, na esperança de que o castigo deixaria os sacerdotes satisfeitos, de modo que eles cessariam suas exigências de morte. Assim, Pilatos ordenou para Jesus, não uma punição branda, mas o açoitamento até quase matar, com tiras de couro embutidas com pedaços de chumbo!

A imposição desse açoitamento ilegal foi, em si, um impedimento para punições ainda piores. Qualquer punição adicional violaria as leis tanto de Roma como de Israel, que estabeleciam que, já tendo o acusado sido condenado e punido, ele não poderia ser julgado novamente pelo mesmo crime.

João diz que "desde então Pilatos procurava soltá-lo", mas Jesus foi levado ao quartel dos soldados e despido de Sua túnica branca que havia sido dada por Herodes, foi coberto com uma capa púrpura, coroado com uma guirlanda de espinhos, recebeu uma cana como cetro, e foi levado para ser confrontado pelos irados sacerdotes novamente.

Pilatos anunciou "Eis aqui o homem."

Os sacerdotes responderam "Crucifica-o!" Tudo isso por ter Jesus desafiado a autoridade daqueles homens que estavam dispostos a violar as leis para causar Sua morte, homens que, por esta razão, corromperam suas próprias autoridades.

Pilatos então disse "Tomai-o vós, e crucificai-o; porque eu nenhum crime acho nele." Ali, estava um juiz de leis dizendo "este homem é inocente, mas vocês podem matá-lo se o quiserem."

É claro que isso não satisfez os sacerdotes. Eles não ousariam crucificar Jesus, sem uma aprovação inequívoca de uma autoridade romana, porque fazer isso sujeitaria-os a uma represália, possivelmente até a morte, nas mãos dos romanos.

"Nós temos uma lei", eles insistiram, "e, segundo a nossa lei, ele deve morrer porque se fez Filho de Deus." E ao dizer isso, eles revelaram a Pilatos que sua verdadeira queixa contra Jesus era, na verdade, a acusação de blasfêmia.

Pilatos, que não havia ouvido ainda essa acusação, mais uma vez levou Jesus à parte e perguntou "Donde és tu?" Essa era o equivalente às nossas modernas perguntas "De onde você vem? Qual é a sua intenção?". Pilatos queria saber o que Jesus poderia ter feito para enraivecer tanto os sacerdotes, a ponto de violarem as leis sagradas de sua nação, para condená-lo à morte ilegalmente.

Jesus não respondeu nada. Pilatos então vociferou "Não me falas a mim? não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?"

Jesus apenas respondeu "Nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse dado."

Pilatos novamente procurou soltar Jesus, mas os sacerdotes enraivecidos exclamaram "Se soltas este, não és amigo de César." Essa era uma ameaça a Pilatos. Poderia haver graves conseqüências se a mais alta corte de Israel denunciasse Pilatos a César. Pilatos sentiu que uma interpretação errada de seu julgamento poderia chegar aos ouvidos de César. Ele poderia ser visto como se estivesse protegendo alguém que era considerado pelos mais influentes de seus conterrâneos como culpado de traição. Pilatos não teve a coragem de lutar pela justiça contra esses sacerdotes coléricos.

Foi então que a esposa de Pilatos lhe enviou uma mensagem: "Não entres na questão desse justo."

Seu apelo levou Pilatos a tentar um último esforço para salvar Jesus sem arriscar seu cargo. Era costume, durante a Páscoa, libertar um prisioneiro escolhido pelo povo. Pelo voto popular, as pessoas poderiam conceder anistia a qualquer um sentenciado à morte.

Eu vejo esse como um dos mais dramáticos momentos de toda a História, mas muito do drama passou despercebido pelos autores e dramaturgos, e uma lamentável confusão resultou em 2000 anos de animosidade desnecessária entre cristãos e judeus. Foram os sacerdotes Judeus que buscaram a morte de Jesus, não o povo.

O nome Barrabás, em Hebraico, significa filho de Abás. Pedro era referido por Mateus como "Pedro bar Jonas", isto é, Pedro filho de Jonas. Bar Mitzvah é traduzido literalmente como Filho da Lei. O nome de Barrabás também era Jesus: Jesus Barrabás.

A pergunta de Pilatos aos sacerdotes foi "Qual quereis que vos solte? [Jesus] Barrabás, ou Jesus chamado Cristo?"
Eles clamaram, é claro, pela libertação de Barrabás, o notório ladrão e assassino.

"Que farei então de Jesus, chamado Cristo ", perguntou Pilatos.

Eles gritaram "Seja crucificado!"

"Hei de crucificar o vosso rei?", perguntou Pilatos.

E aqueles sacerdotes (que odiavam César como só os povos conquistados podiam odiar) disseram a Pilatos "Não temos rei senão César!"

Pilatos enfraqueceu diante daquela ferocidade implacável e entregou Jesus para que o crucificassem. Ele tomou uma bacia de água diante dEle, lavou suas mãos nela e anunciou "Estou inocente do sangue deste justo: considerai isso."
Pilatos mandou gravar na cruz "Jesus de Nazaré, o Rei dos Judeus".
Caifás e os outros sacerdotes foram a Pilatos e pediram "Não escrevas 'Rei dos Judeus', mas que ele disse 'Sou Rei dos Judeus'." E Pilatos respondeu "O que escrevi, escrevi."

Jesus foi julgado desde antes de Sua audiência. Ele foi acusado de três crimes separados. Os sacerdotes do Sinédrio o condenaram ilegalmente por blasfêmia. Pilatos se recusou a reconhecer esse procedimento inicial. Pilatos, por duas vezes, absolveu Jesus da acusação de traição. Ele foi acusado de sedição diante de Pilatos e Herodes ,mas foi absolvido por ambos. E ainda assim, Jesus foi executado porque pretensamente se assumiu que Ele havia sido considerado culpado de traição. Ameaçado com a possível perda de seu cargo, Pilatos escolheu crucificar Jesus como a maneira mais fácil de calar os coléricos sacerdotes.

Antes das doze horas, daquele mesmo dia, Jesus foi crucificado em violação às leis de Israel e Roma, fechando o mais tenebroso capítulo da história da administração judicial e invocando o supremo chamado que o mundo jamais ouvira para que humanos obrassem pela justiça. Dois dos sistemas de leis mais esclarecidos que existiram foram prostituídos para destruir o Homem mais inocente que já passou pela face da Terra.

Essa história nunca vai morrer, porque, de Sua verdade, sempre nasce a esperança de toda a humanidade. Mais do que qualquer outro episódio na história do mundo, o julgamento de Jesus clama a todos os homens e mulheres de boa vontade para que trabalhem por um sistema de governo humano pelo qual possamos viver juntos em paz e segurança sob um Estado de Direito administrado com reverência pela Verdade e pelo Amor Caridoso.
 AD


domingo, 20 de março de 2016

QUEIMA DE ARQUIVO?

Ex dirigente da VALE alertou a presidente sobre a estranha atuação de consultores ligados ao PT. QUEIMA DE ARQUIVO?


Roger Agnelli, ex-presidente da Vale, morre em queda de avião em SP.
Avião do empresário caiu após decolagem neste sábado (19) em São Paulo.
Sua mulher e dois filhos também morreram no acidente.

Na carta enviada a Dilma, Agnelli cita a “tentativa de ameaçar o direito minerário de Carajás, o que o próprio DNPM anulou por total ilegalidade”. No mesmo dia em que funcionários da Vale entregavam o documento no Planalto, Agnelli se reunia com Lobão. Gestava-se ali mais uma surpresa desagradável para ele e para a Vale: logo após o encontro, Lobão disse à imprensa que a Vale admitia finalmente a dívida.

ÉPOCA apurou que Agnelli ficou constrangido com a declaração. Ele dissera apenas que a Vale mantinha ações na Justiça contra a cobrança que considerava indevida, mas acataria eventuais decisões opostas. Agnelli entendeu que a iniciativa de Lobão era mais uma arma do governo para tirá-lo do cargo.

No fim, Agnelli caiu. Menos de 15 dias depois da carta e da reunião com Lobão, os acionistas da mineradora tornaram pública a decisão de substituí-lo. O governo interfere na gestão da mineradora por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que, juntos, detêm 60,5% do bloco de controle da Vale.

A campanha contra Agnelli foi deflagrada no início de março por determinação de Dilma. Sem cerimônias, o Planalto despachou o ministro Guido Mantega, da Fazenda, a Osasco, em São Paulo, para convencer o Bradesco, principal sócio privado da companhia, a aceitar a substituição de Agnelli. Em outra frente, o ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, pressionou publicamente a mineradora a pagar R$ 5 bilhões de royalties pela exploração do solo no país, soma além dos valores que a Vale recolhe regularmente todo ano. A empresa contesta o débito na Justiça.

É nesse contexto que entra Parauapebas. Do total da suposta dívida dos royalties, R$ 800 milhões caberiam ao município paraense, administrado desde 2005 pelo petista Darci José Lermen. Enquanto cobra a fatura da Vale, Lermen enfrenta o escrutínio do Tribunal de Contas dos Municípios do Pará e do Ministério Público Estadual. Os dois órgãos querem saber onde foram aplicados os R$ 700 milhões que a cidade já recebeu da mineradora nos últimos anos.

Antes de cair o ex dirigente da VALE alertou a presidente sobre a estranha atuação de consultores ligados ao PT que faturam milhões com royalties. E eles continuam lá.

Hudson Corrêa, de Parauapebas (PA) e Leonardo Souza
época



DENÚNCIA 
Trechos da carta de três páginas enviada por Roger Agnelli (foto acima) a Dilma, alertanto a presidente sobre as “altas quantias” recebidas por consultores, alguns deles alvos de investigações criminais
O município de Parauapebas, no sudeste do Pará, abriga a maior mina de ferro a céu aberto do mundo, a jazida de Carajás, explorada pela Vale. Pela riqueza mineral, a cidade recebeu R$ 700 milhões de royalties da mineradora nos últimos cinco anos. Trata-se de uma compensação pela exploração do solo. Apesar dos repasses milionários, Parauapebas é cercada por favelas, cujos barracos se expandem por uma sequência de morros. Bairros próximos ao centro têm esgoto a céu aberto e ruas sem asfalto, muitas com pedaços de madeira e sucata para evitar que motoristas desavisados atolem na lama.
Comandado pelo PT, o município integra um capítulo até aqui não revelado da campanha para tirar o executivo Roger Agnelli da presidência da Vale. Há nesse episódio suspeitas de desvio de milhões de reais de recursos públicos. É dinheiro pago pela mineradora, que entrou no caixa da prefeitura e que deveria ser aplicado na melhoria das condições de vida da população. De acordo com investigações de dois órgãos de fiscalização, esse dinheiro aparentemente foi parar em lugar impróprio.
Fortes indícios do caso chegaram à mesa da presidente Dilma Rousseff, numa carta assinada por Agnelli em 14 de março. No texto, Agnelli alerta que a disputa em torno dos royalties estava inserida em um “contexto político” e que havia “investigações criminais em andamento” sobre o suposto esquema da prefeitura de Parauapebas. As assessorias da Vale e da Presidência da República confirmaram o envio e o recebimento da carta. A Vale informou, contudo, que não comentaria o teor do documento. O Palácio do Planalto afirmou que a cobrança dos royalties é feita pelas prefeituras e que a carta foi encaminhada ao Ministério de Minas e Energia.
A campanha contra Agnelli foi deflagrada no início de março por determinação de Dilma. Sem cerimônias, o Planalto despachou o ministro Guido Mantega, da Fazenda, a Osasco, em São Paulo, para convencer o Bradesco, principal sócio privado da companhia, a aceitar a substituição de Agnelli. Em outra frente, o ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, pressionou publicamente a mineradora a pagar R$ 5 bilhões de royalties pela exploração do solo no país, soma além dos valores que a Vale recolhe regularmente todo ano. A empresa contesta o débito na Justiça.


Acidente aéreo matou dois executivos do Bradesco e dois pilotos. O avião, que saiu de Brasília com destino a São Paulo, caiu perto da cidade de Guarda-Mor, na região noroeste de Minas Gerais.

É nesse contexto que entra Parauapebas. Do total da suposta dívida dos royalties, R$ 800 milhões caberiam ao município paraense, administrado desde 2005 pelo petista Darci José Lermen. Enquanto cobra a fatura da Vale, Lermen enfrenta o escrutínio do Tribunal de Contas dos Municípios do Pará e do Ministério Público Estadual. Os dois órgãos querem saber onde foram aplicados os R$ 700 milhões que a cidade já recebeu da mineradora nos últimos anos.

A investigação envolve um contrato mantido por Lermen, desde 2006, com o advogado Jader Alberto Pazinato, filiado ao PR, partido da base aliada do governo. O escritório de Pazinato fica em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, a mais de 3.000 quilômetros de distância do Pará. Pelo acordo, a que ÉPOCA teve acesso, Pazinato fica com R$ 20 de cada R$ 100 depositados nos cofres da prefeitura referentes a impostos e royalties da Vale. Desde 2007, ele já embolsou cerca de R$ 9 milhões, segundo o TCM. O Tribunal apura a legalidade do contrato, assinado sem licitação.


Há interesse de terceiros envolvidos, como consultores (...) pedindo altas comissões (...) razão pela qual a disputa adquire tal contexto político 
ROGER AGNELLI, ex-presidente da Vale, na carta enviada em março para a presidente Dilma

Uma das tarefas de Pazinato é atuar na Justiça contra a Vale. Além da cobrança política feita pelo Planalto, o governo federal processou a mineradora para receber o valor que considera ser seu de direito. Nessas ações, as prefeituras podem atuar como assistentes do Departamento Nacional de Mineração (DNPM), encarregado de encabeçar os processos. Foi nessa brecha que o prefeito Lermen encaixou o escritório de Pazinato. O TCM não detalha a que se referem exatamente os valores recebidos por Pazinato até agora – se aos royalties em disputa ou aos pagamentos regulares feitos pela mineradora.
Como qualquer bom profissional liberal, Pazinato busca diversificar sua atuação. Para isso, conta com o apoio da Associação dos Municípios Mineradores do Brasil (Amib), cujo vice-presidente é Lermen. O presidente é outro petista, o prefeito de Congonhas, em Minas Gerais, Anderson Cabido. Pazinato presta assessoria jurídica à associação, mas não consegue oferecer seus serviços aos municípios mineiros. Lá, o Tribunal de Contas local proíbe contratos dessa natureza com municípios.
O prefeito Cabido diz acreditar que o embate pelos royalties foi “a gota d’água” para a queda de Agnelli. A cronologia dos fatos combina com a afirmação. No início de fevereiro, Lobão recebeu por escrito, da Amib, a reivindicação para que a Vale aceitasse pagar a mais pelos royalties. No fim daquele mês, a superintendência do DNPM no Pará, órgão subordinado a Lobão, abriu processo para cassar a concessão da Vale na mina de Carajás, com base nas multas lançadas em 2008 e 2009.
As penalidades haviam sido aplicadas sob o argumento de que a Vale não pagara o valor correto de royalties aos municípios. As mineradoras e o DNPM divergem sobre a forma de cálculo desses recursos. De um lado, as mineradoras entendem que, do valor a ser recolhido, podem ser descontados impostos e custos operacionais, como o transporte do minério. De outro, o DNPM afirma que não há previsão legal para esses abatimentos. No fim, a direção nacional do DNPM arquivou o processo de cassação da concessão. Mas o desgaste já estava consumado.
Na carta enviada a Dilma, Agnelli cita a “tentativa de ameaçar o direito minerário de Carajás, o que o próprio DNPM anulou por total ilegalidade”. No mesmo dia em que funcionários da Vale entregavam o documento no Planalto, Agnelli se reunia com Lobão. Gestava-se ali mais uma surpresa desagradável para ele e para a Vale: logo após o encontro, Lobão disse à imprensa que a Vale admitia finalmente a dívida.
ÉPOCA apurou que Agnelli ficou constrangido com a declaração. Ele dissera apenas que a Vale mantinha ações na Justiça contra a cobrança que considerava indevida, mas acataria eventuais decisões opostas. Agnelli entendeu que a iniciativa de Lobão era mais uma arma do governo para tirá-lo do cargo.
No fim, Agnelli caiu. Menos de 15 dias depois da carta e da reunião com Lobão, os acionistas da mineradora tornaram pública a decisão de substituí-lo. O governo interfere na gestão da mineradora por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que, juntos, detêm 60,5% do bloco de controle da Vale.

Moradores de Parauapebas pediram um inquérito para saber onde são aplicados os royalties pagos pela Vale

Em Parauapebas, ainda resta uma ponta sem desfecho. Danyllo Pompeu Colares, promotor de justiça do Pará, diz que moradores pediram abertura de um inquérito civil para apurar onde são aplicados os royalties depositados na conta do município. Colares afirma que, cinco meses após o início da investigação, a prefeitura nada esclareceu.
O investimento público que mais chama a atenção de quem chega à cidade é o prédio da prefeitura, inaugurado em dezembro de 2009. Com quatro andares, no alto de um morro, custou cerca de R$ 12 milhões, segundo o prefeito. Lermen afirma que faz investimentos maciços na infraestrutura da cidade (construção de escolas, estradas, saneamento e hospitais), mas que os recursos não são suficientes diante do crescimento populacional. “Quando assumi a prefeitura (em 2005) , a cidade tinha 90 mil habitantes. Hoje, recebi a informação de agentes comunitários de que são 200 mil pessoas”, diz. Oficialmente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Parauapebas tem 154 mil moradores. Lojas comerciais, como concessionárias de veículos, se expandem na cidade, que também vai ganhar um shopping, ainda em construção.
Lermen não vê desperdício do dinheiro dos royalties e defende o contrato com Pazinato. “Precisávamos de um escritório especializado para fazer frente à Vale. Somos o único município que tem obtido vitória na Justiça para receber (os royalties) . Não é um contrato ruim para o município”, afirma. Ele nega qualquer relação política com Pazinato. Diz que os valores pagos ao escritório “são pautados pela execução dos serviços” e ganhos da prefeitura.
O advogado Carlos Alberto Pereira, que trabalha com Pazinato, diz que seu colega não tem nenhuma ligação partidária: “Ele nunca participou de reunião política. Trabalho com ele há dez anos. Ele disse nem se lembrar de ter assinado ficha de filiação”. Segundo Pereira, a forma de contratação do escritório pela prefeitura é amparada por decisão do Supremo Tribunal Federal.
A explicação não convence Wellington Alves Valente, ex-procurador de Parauapebas. Na função, Valente era responsável por defender os interesses da prefeitura na Justiça. “Pazinato pegou o bonde andando”, diz. Valente afirma ter sido o responsável por levantar os débitos atribuídos à Vale a partir de 2001. Segundo ele, Pazinato encontrou o serviço pronto. Além disso, haveria outro agravante. Parauapebas tem um quadro fixo de procuradores municipais. Eles são advogados concursados e poderiam perfeitamente tocar ações sem necessidade de contratação de um escritório particular.
Nos próximos dias, o mandato de Agnelli na Vale se encerra. Apesar da demissão, ele entra para a história da empresa como responsável por uma gestão de sucesso. 



Na semana passada, foram anunciados os resultados da Vale no primeiro trimestre deste ano. A mineradora lucrou R$ 11,21 bilhões, 292% acima do que ganhou no mesmo período de 2010. O recorde, influenciado pelo aumento de preço do minério de ferro, é 13% maior que o último trimestre do ano passado. Caberá agora a seu substituto, o executivo Murilo Ferreira, escolhido por Dilma, decidir como vai lidar com o governo na discussão sobre os royalties.


Vila sem esgoto em Parauapebas, no Pará, cidade que recebe muitos royalties, mas tem péssimos indicadores. De acordo com o contrato (no alto), o advogado Pazinato (no destaque, fotografado num jatinho) fica com 20% da arrecadação.



sábado, 19 de março de 2016

Paulo Henrique Amorim


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
conhecido como Paulo Henrique Amorim e pela sigla PHA (Rio de Janeiro22 de fevereiro de 1942) é um jornalistablogueiroempresário apresentador de TV brasileiro.
Escreve para diversos jornais e revistas do país, o blog Conversa Afiada e é atual apresentador do Domingo Espetacular pela Rede Record desde 2006.

Biografia

Nascido no Rio de Janeiro, filho do jornalista e estudioso do espiritismoDeolindo Amorim (1906—1984) e tem outros dois irmãos. Seguindo passos do pai, estudou em escolas da cidade onde nasceu e começou a trabalhar já adolescente, com a imprensa.

Carreira

O primeiro emprego como jornalista foi no jornal A Noite, no Rio de Janeiro em 1961, ano em que fez a cobertura para o jornal, a renúncia do presidente Jânio Quadros e a tentativa do governador do Rio Grande do SulLeonel Brizola, o qual formou a Cadeia da Legalidadepara garantir a posse do vice, João Goulart, que seria derrubado em 1964.
Foi contratado pela Editora Abril para ser repórter e correspondente internacional, primeiramente, da revista Realidade, depois da revista Veja e depois para as redes de TVs Manchete e Globo, tendo aberto sucursais para esses veículos em Nova IorqueEstados Unidos, passando parte da sua vida trabalhando no exterior.
Cobriu eventos com repercussão internacional: a eclosão do vírus ebola na África (1975 a 1976); a eleição (1992) e a posse do então novo presidente norte-americano Bill Clinton (1993); os distúrbios raciais (1992) e o terremoto (1994) de Los Angeles; a guerra civil de Ruanda e a rebelião zapatista no México (1994).
Em 1996, trocou a Globo pela Rede Bandeirantes.[1] onde apresentou o telejornal Jornal da Band e o programa político Fogo Cruzado, que por adotar postura independente, já produziu desentendimentos com diversos políticos ao vivo.
Em 13 de janeiro de 1999, deixou de comparecer emissora e a apresentação do telejornal foi substituída.[2] Segundo a imprensa, o não comparecimento foi por conta do protesto contra direção da emissora de implantar a Unidade Produtora de Jornalismo da emissora, planejada para gerar reportagens para os noticiários da rede, padronização que tiraria a autonomia e a diferença do Jornal da Band.[2] Quando a emissora decidiu demiti-lo por abandono de emprego, passou acusar a emissora, por meio de imprensa, vários crimes, os quais renderam-lhe cinco processos.[3] [4]
No mesmo ano, foi contratado pela TV Cultura, onde apresentou o talk-show Conversa Afiada (produzido por sua empresa PHA Produções),[5] que chegou ser exibido também pela TVE Brasil. O programa durou até o final de 2002, quando terminou o contrato.
Em 2003, foi contratado pela Rede Record, onde apresentou o telejornal nortuno Jornal da Record 2ª Edição (extinto em janeiro de 2007) e o Edição de Notícias. De 2004 até o final de janeiro de 2006, passou a apresentar a revista eletrônica exibida no final de tarde Tudo a Ver, com Janine Borba e posteriormente comPatrícia Maldonado. Desde fevereiro de 2006, apresenta o programa Domingo Espetacular, com Fabiana ScaranziJanine Borba e Adriana Araújo na mesma rede de televisão.[6]
Em agosto de 2006, foi contratado pelo portal iG, para ser blogueiro do Conversa Afiada, mesmo molde que tinha na época da TV Cultura, mas em versão on-line, em cuja página principal tinha um quadro de destaque permanente. Diversos políticos e jornalistas, como Mino Carta e José Dirceu, tinham estreado os seus blogs na época. No entanto, ficou pouco mais de um ano meio, sendo demitido em 2008.

Controvérsias

Direito de resposta de Lula contra Amorim e Bandeirantes em 1998

Em agosto de 1998, acusou no telejornal Jornal da Band, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva por adquirir apartamento e carro por meio ilegal, em meio a campanha eleitoral presidencial. No entanto, investigações comprovaram a legalidade e Lula entrou com processo contra o apresentador, a Rede Bandeirantes, conseguido direito de resposta, semelhante a que teve Leonel Brizola contra Globo no Jornal Nacional em 1994.[7]

Saída de demissão da Rede Bandeirantes em 1999

Em 1996, deixou a Globo pela Rede Bandeirantes, onde passou a apresentar o telejornal Jornal da Band e o programa político Fogo Cruzado.
Em 13 de janeiro de 1999, deixou de comparecer emissora e a apresentação do telejornal foi substituída.[2] Segundo a imprensa, o não comparecimento foi por conta do protesto contra direção da emissora de implantar a Unidade Produtora de Jornalismo da emissora, planejada para gerar reportagens para os noticiários da rede, padronização que tiraria a autonomia e a diferença do Jornal da Band.[2]
Quando a emissora decidiu demiti-lo por abandono de emprego, passou acusar a emissora, por meio de imprensa, vários crimes, os quais renderam-lhe cinco processos. Amorim também processou o canal por multa contratual, tendo ganho em primeira instância.[8] [4]

Demissão da iG em 2008

Em agosto de 2006, foi contratado pelo portal iG, para ser blogueiro do site Conversa Afiada. Na época, diversos políticos e jornalistas, como Mino Carta e José Dirceu, tinham estreado os seus blogs na época. A política era o assunto mais corriqueiro e mantinha seção intitulada "Não coma gato por lebre", cujo objetivo, segundo ele, era "deixar claro para o leitor as preferências e gostos do jornalista, de modo a não passar aos usuários uma falsa imagem de imparcialidade", o que levou muitas críticas na época.
Em 18 de março de 2008, porém, o iG tirou abruptamente o blog do ar. Em nota, o portal de notícias alegou que a audiência esperada estava aquém das expectativas e que os custos de sua manutenção não se justificavam mais, motivando a finalização do contrato antes de dezembro de 2008, o prazo final previsto, mas como o jornalista se recusou acatar a ordem, foi feita a retirada.
No entanto, Amorim relançou o blog Conversa Afiada no mesmo dia precariamente, apenas no link provisório (www.paulohenriqueamorim.com.br), posteriormente mudado para outro definitivo (www.conversaafiada.com.br) afirmou que o contrato havia sido encerrado devido às críticas que fez ao suspeito processo de fusão daBrasil Telecom e a Oi, formando a Br Oi, segundo o qual o jornalista afirmava que várias personalidades políticas se beneficiaram ilicitamente no processo, sob tolerância pelo Governo Federal. Contratou o advogado Marcos Bitelli para entrar na Justiça contra o site a fim de obter mandado de segurança, almejando recuperar todos os arquivos e posts publicados.[9]

Condenações judiciais

Em 31 de maio de 2011, a 18ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a sentença de primeira instância que condenou Amorim a indenizar em R$ 30 mil por danos morais ao Ali Kamel. Na sentença de primeiro grau, a juíza Ledir Dias de Araújo ressaltou que as críticas jornalísticas são sustentáveis e incentivam as pessoas a formarem as suas opiniões, mas não podem, de forma aleatória ou falsa, imputar crime a alguém. "Restou provado o abuso cometido pelo réu ao expor sua opinião acerca da pessoa do autor, ao relacioná-la ao livro de autoria deste e, ainda, de forma extremamente ofensiva, o que acarreta o dever de indenizar.". Para a juíza, não há dúvidas de que houve ofensa "em duplo aspecto, ou seja, atinge a sua honra subjetiva, pela dor íntima sofrida por tais veiculações e ainda atinge a honra objetiva, pela repercussão do fato no meio social em que vive e no meio familiar".[10] [11]
Em 14 de setembro do mesmo ano, foi condenado pela Justiça do Rio de Janeiro a indenizar R$ 100 mil por danos morais e acusação sem prova ao advogado Nélio Machado. O blogueiro publicou em 2008, que o motivo que advogado ter livrado duas vezes Daniel Dantas da prisão é por ele era “carioca muito esperto” por reunir com assessores do ministro Gilmar Mendes (do STF) para suborná-los, onde após esta reunião, é que Dantas foi liberado da prisão preventiva, mas esse encontro nunca aconteceu.[12]
Em 23 de janeiro de 2012, foi divulgado a sentença assinada pelo juiz Daniel Luiz Maia Santos, da 4ª Vara Cível de São Paulo, condenou em 9 de janeiro, Amorim pagar R$ 30 mil ao Paulo Vieira de Souza, que tinha apelido de Paulo Preto, por chamá-lo no blog "Paulo Afro-descendente" e por divulgar o endereço em que mora em 2010.[13] Na ação, o juiz rejeitou os processos sobre o envolvimento de Paulo Souza com a receptação de jóias (por ter sido publicado no jornal Diário do ABC dias antes) e ligar-o à Operação Castelo de Areia sobre o caso da Rodoanel. Só aceitou os processos de divulgar endereço e o apelido inventado pelo jornalista, respectivamente, como violação de privacidade e "atitude discriminatória".
Em 24 de fevereiro do mesmo ano, foi condenado a indenizar Heraldo Pereira, por afirmar no blog que ele não merecia estar na Rede Globo por ser negro de alma branca.[14] Nos termos do acordo, assinado e reconhecido pelas partes envolvidas, Paulo Henrique Amorim se comprometeu a doar R$ 30 mil para uma instituição de caridade indicada por Heraldo Pereira,[15] bem como a veicular três notas de retratações nos jornais Estado de São PauloCorreio Braziliense e no blog Conversa Afiada, inclusive a remover todas ofensas no blog,[16] mas o blogueiro descumpriu a decisão judicial.[carece de fontes]
Em outro processo do Heraldo Pereira, em 20 de junho, foi condenado por injúria contra Heraldo com pena de 1 ano e 8 meses que foi substituída por restrições de direitos.[17]
Em 28 de agosto de 2015, Paulo Henrique Amorim foi condenado outra vez a indenizar o diretor de jornalismo da TV Globo, Ali Kamel. A juíza Lindalva Soares Silva, da 44ª Vara Cível do Rio de Janeiro, fixou em R$ 20 mil o valor a ser pago pelo blogueiro por danos morais cometidos em entrevista ao jornal Unidade, do Sindicado dos Jornalistas de São Paulo. Segundo juíza, “em uma sociedade civilizada, um jornalista precisa administrar com precisão e equilíbrio aquilo que diz, pois esta é a matéria prima do seu trabalho”. A liberdade de expressão, continua a juíza, "não pode romper com os padrões da convivência civilizada, do respeito recíproco, tampouco podem gerar situações de constrangimento, através de palavras desproporcionais, ainda que lastreadas em críticas”.[18]

Criações

Ele criou a expressão "Urubóloga"[19] [20] e frequentemente usa esse termo para se referir a jornalista e apresentadora de televisão Miriam Leitão[21] . Amorim afirma:
Miriam também é conhecida como "urubóloga" devido a constantes falhas e negativismo sobre aspectos da economia por Paulo Henrique Amorim em"Retrospectiva da Urubóloga Miriam Leitão".
 Mudou demais...agora é um petista ferrenho

El mundo

“El mundo cambia si dos se miran y se reconocen” (Octavio Paz) Não importa quando você vai colocar suas vistas neste texto, as palavras se...