quarta-feira, 30 de abril de 2025
Cariocas, o restante do País não ama chinelos como nós
O nosso verdadeiro amor por chinelos é uma coisa que quem não é do Rio de Janeiro tem muita dificuldade para entender. Carioca usa chinelo nas mais variadas ocasiões e lugares. Quem não gosta desse nosso hábito está, certamente, botando os pés pelas mãos.
Ir ao shopping usando chinelos nos pés já é praxe no Rio de Janeiro. Nem seria preciso citar aqui, mas essa é uma das situações que mais surpreende quem não é carioca. “Nossa… chinelo no Shopping…”. Sim. De chinelo no shopping. Por quê? Só não vou descalço porque essa prática já é patenteada por cantores de Axé e intérpretes de MPB.
Carioca, sempre que pode, usa chinelos. Às vezes, usa até quando não pode. Uma vez, em um casamento, todo mundo bem vestido, vi um homem usando chinelos. Ele estava com um curativo em um dos pés. Deduzi que esse fosse o motivo do calçado. No entanto, no decorrer da festa, das taças de champanhe, o vi confessar que não estava com problema nenhum no pé, simplesmente não queria usar sapatos. Descobri no mesmo dia que ele seria o padrinho do casamento, só que acabou não sendo. Talvez a não escolha tenha se dado por conta desse desapego nos pés. Que bom para ele. É melhor usar chinelos do que ser padrinho de certos casais.Trabalhei com um colega que tinha um problema no pé que o impedia de usar sapatos. Ele ia de chinelos para a empresa. Eu adoraria que o problema dele fosse contagioso para eu pegar e poder trabalhar com os pés livres. Até sentava perto dele, porém, não deu certo e continuei com a moléstia dos sapatos nos pés durante o expediente.
Silêncio
Minha mãe sempre foi silenciosa.
Nunca reclamava. Nunca se colocava em primeiro lugar.
Ela cuidava da casa, fazia comida, arrumava tudo, e no fim do dia… sorria. Um sorriso cansado, mas cheio de amor.
Na infância, eu acordava com o cheiro do café.
O uniforme já estava passado. O lanche, pronto.
Eu achava tudo aquilo normal. Afinal, era “função de mãe”, não era?
Quando eu chegava da escola, a comida estava quente.
Se eu estava doente, ela sabia antes de eu dizer.
Quando eu me trancava no quarto, ela batia levinho e deixava um prato na porta.
Nunca invadia, nunca cobrava — apenas cuidava.
Mas eu cresci achando que era obrigação dela.
Achando que carinho era rotina. Que cuidado era automático.
Nunca disse “obrigado” o suficiente.
Nunca reparei nas olheiras.
Nunca perguntei se ela estava bem.
Eu só vivia.
Ela só cuidava.
Hoje eu moro sozinho.
E sabe o que mais me dói?
O silêncio.
O silêncio da casa sem cheiro de comida no fim do dia.
O silêncio de ninguém perguntando se comi, se dormi, se estou com febre.
O silêncio de não ter mais alguém esperando a chave girar na porta.
Agora eu lavo minha própria roupa.
Faço minha comida.
Limpo o chão.
E cada gesto desses me lembra dela.
De como ela fazia isso tudo por mim… sem nunca reclamar.
E o que mais dói não é a ausência física.
É a ausência dos detalhes.
Dos bilhetinhos simples.
Do “leva o casaco”.
Do “me avisa quando chegar”.
Do “Deus te abençoe, meu filho”.
Dói lembrar das vezes em que ela me chamava e eu respondia com impaciência.
Dói lembrar que ela sorria, mesmo exausta, só pra me ver feliz.
Hoje, toda vez que fico doente, me sinto pequeno.
Sinto falta do chá com mel.
Da mão gelada na testa.
Da prece silenciosa ao pé da cama.
Se eu pudesse voltar no tempo…
diria “eu te amo” todos os dias.
Ajudaria mais.
Ouvia mais.
Estaria mais presente.
Porque hoje eu entendo:
Amor verdadeiro não grita.
Ele cuida em silêncio.
E quando parte… deixa um vazio que ecoa em cada canto da alma.
💡 Moral:
Nem todo amor se expressa com palavras.
Alguns simplesmente cuidam… até não poder mais.
Valorize quem te ama em silêncio.
Porque quando esse silêncio se torna ausência, não há barulho no mundo que o preencha.
Setubalense de gema
"Setubalense de gema”, como se caracteriza, Sandra Lázaro tinha 2 anos quando entrou pela primeira vez num barco, cujo proprietário era o padrasto, a quem sempre chamou de pai. Desses tempos, Sandra recorda-se de apanhar ervas marinhas secas para encher sacos de sarapilheira, que serviriam de cama para si e para a sua família nas noites passadas no mar. Quando o padrasto deixou a pesca, para ir trabalhar para a Câmara Municipal de Setúbal, ia com a mãe e o irmão apanhar caranguejos e camarões. “Tinha 7 anos quando comecei a andar à camarinha”, diz a pescadora, fazendo menção a um pequeno camarão que se encontra, frequentemente, em zonas estuarinas. Desde então, já se passaram 45 anos e Sandra Lázaro nunca mais deixou de pescar nas águas do Estuário do Sado.
Durante todos estes anos, Sandra conciliou a atividade de pescadora com outros trabalhos. “Quatro folhas de currículo”, afirma, referindo-se ao seu percurso profissional, que inclui passagens por várias fábricas da região, entre outros empregos. Atualmente, trabalha a tempo inteiro na fábrica da Parmalat, entre as 12h e as 20h, estando a manhã destinada à pesca, juntamente com o marido, Rogério Santos, com quem é casada desde os 16 anos.
Diariamente, o casal começa a pescar por volta das 6h da manhã, largando e recolhendo as redes de pesca em diferentes pontos do estuário. Apesar da poluição e das dragagens que o Estuário do Sado sofreu ao longo dos anos, as redes capturam uma ampla variedade de espécies, ainda que a quantidade nem sempre seja a desejada. De acordo com Sandra Lázaro, “a época do choco é a melhor de todas as épocas de pesca. É uma pesca sazonal, entre fevereiro e fins de junho”. Além de chocos, as redes também trazem santolas, linguados, solhas e outras espécies de peixes. O pescado de baixo valor em lota, como o alcorraz ou o charroco, fica para consumo próprio ou para oferecer a amigos. A partir de setembro, altura em que “começam a aparecer os polvos”, o casal de pescadores usa alcatruzes (potes de barro utilizados como armadilhas) para apanhar polvos. Uma das adversidades mais recorrentes é a ocorrência de buracos nas redes feitos pelos golfinhos-roazes que habitam o estuário. “Abrem a boca, levam o peixe e abrem buracos na rede”, diz Sandra Lázaro, acrescentando logo de seguida: “Não podemos reclamar. Nós é que estamos a invadir o espaço deles. Eles estão em casa”.
“Acho que sou guardiã do mar desde que pus os pés dentro de um barco pela primeira vez”, declara, fazendo alusão à sua colaboração com a organização não-governamental Ocean Alive. Há 6 anos, Sandra e outras mulheres da comunidade piscatória do Estuário do Sado tornaram-se Guardiãs do Mar, após serem convidadas para desempenhar funções como guia marinha, agente de sensibilização ou monitora das pradarias marinhas. “Eu sabia, tal como os pescadores daqui da zona sabiam, que as pradarias de ervas marinhas eram importantes, que eram berçários de vida marinha, mas não sabíamos que faziam a remoção de dióxido de carbono da atmosfera, não sabíamos que produziam oxigénio, não sabíamos que contribuíam significativamente para a qualidade da água. Só depois de estar na Ocean Alive é que comecei a ter a noção da importância das pradarias marinhas”, conta Sandra Lázaro, guia marinha da primeira cooperativa em Portugal dedicada à proteção do oceano.
Com a ajuda das pescadoras, a Ocean Alive tem vindo a mapear as zonas onde há pradarias marinhas no Estuário do Sado. Ao todo, nos últimos anos, foram identificadas vinte e duas pradarias, onde a organização está a desenvolver projetos de restauro. Enquanto guia marinha, Sandra acompanha as crianças das escolas em passeios educativos. “Combina-se e vamos à pradaria que fica na Ponta do Adoxe. Mostro alguns dos perigos de certos agentes nocivos para as espécies que ali habitam”, diz a Guardiã do Mar, que também já se deslocou a algumas escolas da região para sensibilizar os jovens para o valor das pradarias marinhas. Mesmo quando não está a participar em iniciativas da Ocean Alive, Sandra Lázaro está sempre disponível para divulgar a visão da organização: “um oceano saudável protegido pelas comunidades costeiras”. A pescadora procura transmitir aos seus colegas a importância da preservação e valorização da biodiversidade do Estuário do Sado. “Estou sempre a dizer aos pescadores para trazerem o lixo que apanham nas redes. Se trouxerem o lixo hoje, já não o apanham amanhã. Apanham outro lixo. E, assim, vão limpando o rio”, diz Sandra, acrescentando, com um orgulho evidente: “Antigamente apanhávamos muito lixo, como latas de conserva, garrafas de cerveja e sacos de plástico, mas hoje em dia é muito raro apanharmos lixo nas redes”. A guardiã também participa regularmente em ações de limpeza do Estuário do Sado,
Aos 52 anos, Sandra Lázaro espera continuar a “conseguir chegar às pessoas através do coração e dizer-lhes que o nosso planeta não tem um plano B, só temos este!”. Enquanto limpa o barco com o nome da neta mais velha, Íris Santos, a pescadora revela o que deseja para o oceano: “Desejo-lhe saúde, porque acho que está muito doente. Está a gritar por socorro e nem toda a gente o consegue ouvir. Temos de lhe dar a mão agora”. No que depender de Sandra Lázaro, o oceano será protegido com unhas e dentes. “Costumo dizer que nascemos com uma missão, temos é de saber qual é. Neste momento, sei qual é a minha, é ajudar o oceano a sobreviver aos maus-tratos que tem sofrido”, conclui, com um brilho no olhar.
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sexta-feira, 18 de abril de 2025
Dança
Ela disse que dançaria comigo se eu lhe levasse rosas vermelhas – exclamou o Estudante –mas estamos no inverno e não há uma única rosa no jardim...
Por entre as folhas, do seu ninho, no carvalho, o Rouxinol o ouviu e, vendo-o ficou admirado...
_ Não há nenhuma rosa vermelha no jardim! – disse o Estudante, com os olhos cheios de lágrimas. – Ah! Como a nossa felicidade depende de pequeninas coisas! Já li tudo quanto os sábios escreveram. A filosofia não tem segredos para mim e, contudo, a falta de uma rosa vermelha é a desgraça da minha vida.
Eis, afinal, um verdadeiro apaixonado! – disse o Rouxinol. Tenho cantado o Amor noite após noite, sem conhecê-lo no entanto; noite após noite falei dele às estrelas, e agora o vejo... O cabelo é negro como a flor do jacinto e os lábios vermelhos como a rosa que deseja; mas o amor pôs-lhe na face a palidez do marfim e o sofrimento marcou-lhe a fronte.
_ Amanhã à noite o Príncipe dá um baile, murmurou o Estudante, e a minha amada se encontrará entre os convidados. Se levar uma rosa vermelha, dançará comigo até a madrugada. Somente se lhe levar uma rosa vermelha... Ah... Como queria tê-la em meus braços, sentir-lhe a cabeça no meu ombro e a sua mão presa a minha. Não há rosa vermelha em meu jardim... e ficarei só; ela apenas passará por mim... Passará por mim... e meu coração se despedaçará.
_ Eis um verdadeiro apaixonado... – pensou o Rouxinol. – Do que eu canto, ele sofre. O que é dor para ele é alegria para mim. Grande maravilha, na verdade, é o Amar! Mais precioso que esmeraldas e mais caro que opalas finas. Pérolas e granada não podem comprá-lo, nem se oferece nos mercados. Mercadores não o vendem, nem o conferem em balanças a peso de ouro.
_ Os músicos da galeria – prosseguiu o Estudante – tocarão nos seus instrumentos de corda e, ao som de harpas e violinos, minha amada dançará. Dançará tão leve, tão ágil, que seus pés mal tocarão o assoalho e os cortesãos, com suas roupas de cores vivas, reunir-se-ão em torno dela. Mas comigo não bailará, porque não tenho uma rosa vermelha para dar-lhe... – e atirando-se à relva, ocultou nas mãos o rosto e chorou.
_ Por que está chorando? – perguntou um pequeno lagarto ao passar por ele, correndo, de rabinho levantado.
_ É mesmo! Por que será? – Indagou uma borboleta que perseguia um raio de sol.
_ Por quê? – sussurrou uma linda margarida à sua vizinha.
_ Chora por causa de uma rosa vermelha, - informou o Rouxinol.
_ Por causa de uma rosa vermelha? – exclamaram – Que coisa ridícula! E o lagarto, que era um tanto irônico, riu à vontade.
Mas o Rouxinol compreendeu a angústia do Estudante e, silencioso, no carvalho, pôs-se a meditar sobre o mistério do Amor.
Subitamente, abriu as asas pardas e voou.
Cortou, como uma sombra, a alameda, e como uma sombra, atravessou o jardim.
Ao centro do relvado, erguia-se uma roseira. Ele a viu. Voou para ela e posou num galho.
_ Dá-me uma rosa vermelha – pediu – e eu cantarei para ti a minha mais bela canção!
_ Minhas rosas são brancas; tão brancas quanto a espuma do mar, mais brancas que a neve das montanhas. Procura minha irmã, a que enlaça o velho relógio-de-sol. Talvez te ceda o que desejas.
Então o Rouxinol voou para a roseira, que enlaçava o velho relógio-de-sol.
_ Dá-me uma rosa vermelha – pediu – e eu te cantarei minha canção mais linda.
A roseira sacudiu-se levemente.
_ Minhas rosas são amarelas como as cabelos dourados das donzelas, ainda mais amarelas que o trigo que cobre os campos antes da chegada de quem o vai ceifar. Procura a minha irmã, a que vive sob a janela do Estudante. Talvez ela possa te possa ajudar.
O Rouxinol então, dirigiu o vôo para a roseira que crescia sob a janela do Estudante.
_ Dá-me uma rosa vermelha – pediu - e eu te cantarei a mais linda de minhas canções.
A roseira sacudiu-se levemente.
_ Minhas rosas são vermelhas, tão vermelhas quanto os pés das pombas, mais vermelhas que os grandes leques de coral que oscilam nos abismos profundos do oceano. Contudo, o inverno regelou-me até as veias, a geada queimou-me os botões e a tempestade quebrou-me os galhos. Não darei rosas este ano.
_ Eu só quero uma rosa vermelha, repetiu o Rouxinol, - uma só rosa vermelha. Não haverá meio de obtê-la?
_ Há, respondeu a Roseira, mas é meio tão terrível que não ouso revelar-te.
_ Dize. Não tenho medo.
_ Se queres uma rosa vermelha, explicou a roseira, hás de fazê-la de música, ao luar, tingi-la com o sangue de teu coração. Tens de cantar para mim com o peito junto a um espinho. Cantarás toda a noite para mim e o espinho deve ferir teu coração e teu sangue de vida deve infiltrar-se em minhas veias e tornar-se meu.
_ A morte é um preço exagerado para uma rosa vermelha – exclamou o Rouxinol – e a Vida é preciosa... É tão bom voar, através da mata verde e contemplar o sol em seu esplendor dourado e a lua em seu carro de pérola...O aroma do espinheiro é suave, e suaves são as campânulas ocultas no vale, e as urzes tremulantes na colina. Mas o Amor é melhor que a Vida. E que vale o coração de um pássaro comparado ao coração de um homem?
Abriu as asas pardas para o vôo e ergueu-se no ar. Passou pelo jardim como uma sombra e, como uma sombra, atravessou a alameda.
O Estudante estava deitado na relva, no mesmo ponto em que o deixara, com os lindos olhos inundados de lágrimas.
_ Rejubila-te – gritou-lhe o Rouxinol – Rejubila-te; terás a tua rosa vermelha. Vou fazê-la de música, ao luar. O sangue de meu coração a tingirá. Em conseqüência só te peço que sejas sempre verdadeiro amante, porque o Amor é mais sábio do que a Filosofia; mais poderoso que o poder.. Tem as asas da cor da chama e da cor da chama tem o corpo. Há doçura de mel em seus braços e seu hálito lembra o incenso.
O Estudante ergueu a cabeça e escutou. Nada pode entender, porém, do que dizia o Rouxinol, pois sabia apenas o que está escrito nos livros.
Mas o Carvalho entendeu e ficou melancólico, porque amava muito o pássaro que construíra ninho em seus ramos.
_ Canta-me um derradeiro canto – segredou-lhe – sentir-me-ei tão só depois da tua partida.
Então o Rouxinol cantou para o Carvalho, e sua voz fazia lembrar a água a borbulhar de uma jarra de prata.
Quando o canto finalizou, o Estudante levantou-se, tirando do bolso um caderninho de notas e um lápis.
_ Tem classe, não se pode negar – disse consigo – atravessando a alameda. Mas terá sentimento? Não creio. É igual a maioria dos artistas. Só estilo, sinceridade nenhuma. Incapaz de sacrificar-se por outrem. Só pensa e cantar e bem sabemos quanto a Arte é egoísta. No entanto, é forçoso confessar, possui maravilhosas notas na voz. Que pena não terem significação alguma, nem realizarem nada realmente bom!
Foi para o quarto, deitou-se e, pensando na amada, adormeceu.
Quando a lua refulgia no céu, o Rouxinol voou para a Roseira e apoiou o peito contra o espinho. Cantou a noite inteira e o espinho mais e mais foi se enterrando em seu peito, e o sangue de sua vida lentamente se escoou...
Primeiro descreveu o nascimento do amor no coração de um menino e uma menina; e, no mais alto galho da Roseira, uma flor desabrochou, extraordinária, pétala por pétala, acompanhando um canto e outro canto. Era pálida, a princípio, qual a névoa que esconde o rio, pálida qual os pés da manhã e as asas da alvorada. Como sombra de rosa num espelho de prata, como sombra de rosa em água de lagoa era a rosa que apareceu no mais alto galho da Roseira.
Mas a Roseira pediu ao Rouxinol que se unisse mais ao espinho. – Mais ainda, Rouxinol, - exigiu a Roseira, - senão o dia raia antes que eu acabe a rosa.
O Rouxinol então apertou ainda mais o espinho junto ao peito, e cada vez mais profundo lhe saía o canto porque ele cantava o nascer da paixão na alma do homem e da mulher.
E tênue nuance rosa nacarou as pétalas, igual ao rubor que invade a face do noivo quando beija a noiva nos lábios.
Mas o espinho não lhe alcançava ainda o coração e o coração da flor continuava branco – pois somente o coração de um Rouxinol pode avermelhar o coração de rosa.
_ Mais ainda, Rouxinol, - clamou a Roseira – raiar o dia antes que eu finalize a rosa.
E o Rouxinol, desesperado, calcou-se mais forte no espinho, e o espinho lhe feriu o coração, e uma punhalada de dor o traspassou.
Amarga, amarga lhe foi a angústia e cada vez mais fremente foi o canto, porque ele cantava o amor que a morte aperfeiçoa, o amor que não morre nem no túmulo.
E a rosa maravilhosa tornou-se purpurina como a rosa do céu oriental. Suas pétalas ficaram rubras e, vermelho como um rubi, seu coração.
Mas a voz do Rouxinol se foi enfraquecendo, as pequeninas asas começaram a estremecer e uma névoa cobriu-lhe o olhar, o canto tornou-se débil e ele sentiu qualquer coisa apertar-lhe a garganta.
Então, arrancou do peito o derradeiro grito musical.
Ouviu-o a lua branca, esqueceu-se da Aurora e permaneceu no céu.
A rosa vermelha o ouviu, e trêmula de emoção, abriu-se à aragem fria da manhã. Transportou-o o Eco, à sua caverna purpurina, nos montes, despertando os pastores de seus sonhos. E ele levou-os através dos caniços dos rios e eles transmitiram sua mensagem ao mar.
_ Olha! Olha! Exclamou a Roseira. – A rosa está pronta, agora.
Ao meio dia o Estudante abriu a janela e olhou.
_ Que sorte! – disse – Uma rosa vermelha! Nunca vi rosa igual em toda a minha vida. É tão linda que tem certamente um nome complicado em latim. E curvou-se para colhê-la.
Depois, pondo o chapéu, correu à casa do professor.
_ Disseste que dançarias comigo se eu te trouxesse uma rosa vermelha, - lembrou o Estudante. – Aqui tens a rosa mais linda e vermelha de todo o mundo. Hás de usá-la, hoje a noite, sobre ao coração, e quando dançarmos juntos ela te dirá o quanto te amo.
A moça franziu a testa.
_ Esta rosa não combina com o meu vestido, disse. Ademais, o Capitão da Guarda mandou-me jóias verdadeiras, e jóias, todos sabem, custam muito mais do que flores...
_ És muito ingrata! – exclamou o Estudante, zangado. E atirou a rosa a sarjeta, onde a roda de um carro a esmagou.
_ Sou ingrata? E o senhor não passa de um grosseirão. E, afinal de contas, quem és? Um simples estudante... não acredito que tenhas fivelas de prata, nos sapatos, como as tem o Capitão da Guarda... – e a moça levantou-se e entrou em casa.
_ Que coisa imbecil, o Amor! – Resmungou o estudante, afastando-se. – Nem vale a utilidade da Lógica, porque não prova nada, está sempre prometendo o que não cumpre e fazendo acreditar em mentiras. Nada tem de prático e como neste século o que vale é a prática, volto à Filosofia e vou estudar metafísica.
Retornou ao quarto, tirou da estante um livro empoeirado e pôs-se a ler...
Mulheres caras
Mulheres Caras
Cara é a mulher que
quando a vida lhe deu um limão fez logo a limonada.
Uma jarra enorme, gelada e adoçada.
Barata é a que ficou azeda.
Cara é a mulher que diante dos sonhos desfeitos,
reorganizou-os como pode, juntou caquinhos no chão,
catou migalhas, mas se refez.
Mulher barata é a que manteve sonhos extintos,
virou o pesadelo dos que a cercam e nunca acordou.
Cara é a mulher que descobriu seu corpo,
apaixonou-se pelos seus defeitos
e aprendeu a exibir-se com a maestria
de quem é segura de seu poder.
Barata é aquela que nem sabe como é,
não ousou se conhecer
e vive tentando se esconder ou
mostrar o que não é...
Mulher cara tem brilho nos olhos.
Barata só tem rugas.
Cara é a mulher que saiu a luta,
foi ao fundo do poço e…voltou!
Barata é quem vive nas bordas,
dependurada, sem coragem de se soltar.
Cara é a mulher que muda de casa,
de cidade, de país, de marido, de namorado,
de emprego quantas vezes for preciso
mas se mantém fiel aos seus princípios.
Barata até muda, mas só a casca.
Por dentro mantém as paredes rachadas,
o relacionamento falido,
o fracassado passado.
Cara é a mulher que tem assunto:
Fala de política, moda, cozinha e amor com a mesma desenvoltura.
Barata só fala dos outros,
porque de si mesma nada tem de interessante para contar.
A mulher cara ri a toa,
é feliz com o que tem,
e de tão bem humorada ri até de si mesma.
A mulher barata é carrancuda.
Reflete por fora o que realmente é por dentro,
não sorri…finge.
*Mulher cara tem amigos.
Muitos. Verdadeiros e pela vida inteira.
Amigos que a admiram e defendem até debaixo d’água..
A barata tem conhecidos.
Gente que foge como o diabo da cruz
mas que quando não tem jeito…a aturam.
A cara é desprendida e solta.
A barata é pegajosa.
A cara é leve e livre.
A barata é pesada e presa.
Mulher cara tem preço sim e sabe disso.
É rara no mercado.
Mulher barata tem aos montes.
Pilhas, lotes, containers lotados!
Porque …ahh essas ninguém quer!”
Arnaldo Jabor
segunda-feira, 14 de abril de 2025
Fácil
"Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata!"
Fácil é ouvir a música que toca. Difícil é ouvir a sua consciência.
Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras. Difícil é segui-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros
Fácil é perguntar o que deseja saber. Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade. Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo. Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida. Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica. Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado
Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar. Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer "oi" ou “como vai”? Difícil é dizer "adeus". Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado. Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.
Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião. Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir. Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação. Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer.
Ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais. "
Carlos Drumond de Andrade....
Erros
Muitas vezes nos deparamos com histórias de pessoas que sofrem com os erros cometeram.
Ficam durante boa parte da vida se cobrando por algo que fez no passado.
Algumas culpam Deus pelo sofrimento que passam.
Acham que estão passando por aquilo porque Deus lhe impôs.
Será mesmo que Deus impõe o sofrimento?
Se observarmos nas escrituras o que mais é dito é que Deus é Pai de misericórdia e perdão.
Deus nos deu o livre arbítrio.
Se Ele nos deu o direito de errar, porque então irá nos cobrar por este erro?
Se Ele permitiu isso, Ele não cobrará! Alias Deus nunca o(a) cobrou por nada.
Quem fez isso com você foi você mesmo. Então está mais do que na hora de parar com esta cobrança.
Os erros são um aprendizado.
Com eles temos a experiência do que é certo e o que é errado e ele passou.
Como dissemos: "ele está no passado!" Se está no passado, não existe mais.
Não há com o que se preocupar.
O que importa é de hoje para frente!
Então esqueça tudo e renove sua vida!
Perdoe-se pois você já aprendeu!
Você não pode se cobrar a vida toda!
Deus já o(a) perdoou no momento em que errou.
Então apreveite e viva!
Faça o bem!
O que importa é o que você vai fazer de hoje em diante!
Deus quer saber do bem que fez e não de quanto sofreu.
Não perca mais tempo de sua vida mais do que já perdeu!
A vida te espera!
Faça os outros felizes porque você é capaz e seja muito feliz!
sexta-feira, 11 de abril de 2025
O abraço
′′O abraço deveria ser receitado pelos médicos pois, há um poder curativo no abraço que ainda desconhecemos.
O abraço cura o ódio,
O abraço cura os ressentimentos,
O abraço cura a coragem e os maus entendidos,
O abraço cura o cansaço e a tristeza.
Quando abraçamos soltamos amarras, perdemos em instantes as coisas que nos fizeram perder a calma.
O abraço dá-nos a paz na alma.
Quando abraçamos deixamos de estar na defensiva e permitimos que o outro se aproxime do nosso coração, os braços abrem-se e os corações aconchegam-se de uma forma única!
Não há nada como um abraço, um abraço de "Amo-te ", um abraço de ′′Ainda bem que estás aqui", Um abraço de ′′Ajuda-me"...!
Um abraço do ′′Até breve", um abraço do ′′Perdoa-me ′′ e de ′′Eu perdoo-te", um abraço de ′′o quanto senti a tua falta", abraços...
Quando abraçamos somos mais de dois, somos família, somos acessíveis, somos sonhos possíveis...
O abraço deveria ser receitado pelos médicos, pois rejuvenesce a alma e o corpo.
E por isso, hoje deixo aqui.... um abraço! 💝
Um conto de Páscoa
-Que dia gostoso de sol! Quentinho!- Dona Galinha até pensou: -Hoje está bom para um passeio!
Então, empurrou o portão do galinheiro com o bico e saiu para dar uma voltinha.
Cisca daqui, cisca dali, dona Galinha deu de cara com uma coisa brilhante, muito estranha! Parecia um ovo.
O ovo mais bonito que ela já vira em sua vida!
- Que ovo mais enfeitado! Só pode ser ovo de pavão! ...
Na verdade. Dona Galinha não sabia que era domingo de Páscoa e que alguém tinha
deixado cair um ovo de chocolate no quintal.
Ainda muito desconfiada, dona Galinha tocou, escutou, cheirou o ovo e criou coragem:
- Vou levar este pobre enjeitado para casa!
E lá se foi dona Galinha com o ovo pelo bico, toda contente.
Colocou-o num canto escondido do galinheiro, e começou a pensar: -Como vou chocá-lo?
A essa altura todo o galinheiro já comentava a história.
O senhor Papagaio, que havia enxergado tudo lá do seu poleiro, dava a notícia aos
quatro ventos do terreiro:
- Alô!... Atenção para uma notícia chocante!...
Encontrado ovo enfeitado com um laço de fita vermelha, de pais desconhecidos.
Foi aquele corre-corre. todo mundo queria ver o ovo.
Dona Pata, dona Galinha´angola, dona Perua, dona Gansa, todas queriam ser mãe do tal ovo.
A confusão estava armada.
-Eu quero - todas gritavam.
Mas dona galinha não abriu mão do lindo ovo e disse que ela iria chocá-lo. O tempo foi passando e nada de nascer um pintinho daquele ovo.
Doa Galinha resolveu dar uma olhada e... surpresa! O ovo estava amassado. Ela rapidamente o levou para fora do quintal, deixando-o lá. E voltou para os seu ninho cheio dos seus próprios ovos.
Pedro, o menino que morava no sítio, apareceu com o jantar para as aves. Todos estranharam que d. Galinha não saiu do ninho para o jantar. O quintal estava agitado, todos desconfiados até que Pedro, correu aos gritos:
-Mãe, mãe, achei meu ovo de Páscoa. O coelhinho escondeu aqui .
Só que está amassado.
As aves estupefatas, assistiram a tudo: Coelho? Ovo?
Mas coelhos não botam ovos.
E todas as aves foram buscar explicações com Dona Galinha.
-Que ovo era aquele?
Dona Galinha, vermelha de vergonha, contou o que acontecera.
E todos concluíram que aves não põe ovos de chocolate.
Mas a dúvida sobre o famoso ovo permaneceu...
E a pergunta sobre o assunto do Coelho trazer ovos também não teve resposta!
Eliana Sá
Parte de nós
Espero que você possa aceitar as coisas como elas são...
Sem pensar que tudo conspira contra você...
Porque parte de nós é entendimento...
*Mas a outra parte é aprendizado...
Que você possa ter forças para vencer todos os seus medos...
Que no final possa alcançar todos os seus objetivos...
Porque parte de nós é cansaço...
*Mas a outra parte é vontade...
Que tudo aquilo que você vê e escuta possa lhe trazer conhecimento...
Que essa escola possa ser longa e feliz...
Porque parte de nós é o que vivemos...
*Mas a outra parte é o que esperamos...
Que a manhã possa lhe oferecer todo dia a divina luz...
Que você possa fazê-la seu único e verdadeiro caminho...
Porque parte de nós é dúvida...
*Mas a outra parte é crença...
Que você possa aprender a perder sem se sentir derrotado...
Que isso possa fazer você cada vez mais guerreiro...
Porque parte de nós é o que temos...
*Mas a outra parte é sonho...
Que durante a sua vida você possa
construir sentimentos verdadeiros...
Que você possa aceitar
que só quem soube da sombra,
pode saber da luz...
Porque parte de nós é angústia...
*Mas a outra parte é conforto...
Que você nunca deixe de acreditar...
Que nunca perca sua fé...
Porque parte de Deus é amor...
*E a outra parte também!
A mulher e a ressurreição
Dois dias haviam decorrido sobre o doloroso drama do calvário, em cuja cruz de inominável martírio se sacrificara o Mestre, pelo bem de todos os homens. Penosa situação de dúvida reinava dentro da pequena comunidade dos discípulos. Quase todos haviam vacilado na hora extrema. O raciocínio frágil do ser humano lutava por compreender a finalidade daquele sacrifício. Por que Jesus se humilhara tanto assim, sangrando do dor, nas ruas de Jerusalém, submetendo-se ao rídículo e à zombaria? Por que o Divino Mestre deveria ser crucificado entre dois ladrões?
Enquanto essas questões eram examinadas, de boca em boca, a lembrança do Messias ficava relegada a plano inferiror, esquecida a sua exemplificação e a grandeza dos seus ensinamentos.
O Messias redivivo, porém, observava a imcompreensão de seus discípulos, como o pastor que contempla o seu rebanho assustado. Desejava fazer ouvida a sua palavra divina, dentro dos corações atormentados; mas, só a fé ardente e o ardente amor conseguem vencer os abismos de sombra entre a Terra e o Céu.
Foi então, quando na manhã do terceiro dia, a ex-pecadora Madalena se aproximou do sepulcro com perfumes e flores. Queria, ainda uma vez, aromatizar aquelas mãos inertes e frias; queria uma vez mais contemplar o Mestre adorado, para cobrí-lo com as lágrimas do seu amor purificado e ardoroso. No seu coração estava aquela fé radiosa e pura que o Senhor lhe ensinara e, sobretudo aquela dedicação divina, com que pudera renunciar a todas as paixões que a seduziam no mundo. Maria Madalena ia ao túmulo com amor e só o amor pode realizar os milagres supremos.
Estupefata, por não encontrar o corpo, já se retirava entristecida, para informar de que acontecera aos companheiros, quando uma voz carinhosa e meiga exclamou brandamente aos seus ouvidos:
- Maria!...
Ela pensou estar sendo advertida pelo jardineiro, mas, em breves instantes reconhecia a voz inesquecível do Mestre que lhe contemplava o inolvidável sorriso. Quis atirar-se-lhe aos pés, beijar-lhe as mãos num suave transporte de afetos, como faziam nas pregações do Tiberíades; porém, com um gesto de soberana ternura, Jesus a afastou, exclamando:
- Não me toques, porque ainda não fui a meu Pai que está nos Céus!...
Instintivamente, Madalena se ajoelhou e recebeu o olhar do Mestre, num transbordamento de lágrimas de inexdendível ternura. Era a promessa de Jesus que se cumpria. A realidade da ressurreição era a essência divina, que daria eternidade ao cristianismo.
A mensagem de alegria ressoou, então na comunidade inteira, Jesus ressucitara! O Evangelho era a verdade imutável. Em todos os corações pairava uma divina embriaguêz de luz e júbilos celestiais. Levantava-se a fé, renovava-se o amor, morrera a dúvida e reerguera-se o ânimo em todos os espíritos. Na amplitude da vibração amorosa, outros olhos puderam vê-lo e outros ouvidos lhe escutaram a voz dulçurosa e persuasiva, como nos dias gloriosos de Jerusalém ou de Cafarnaum.
Desde essa hora, a familia cristã se movimentou no mundo, para nunca mais esquecer o exemplo do Messias.
A luz da ressurreição, através da fé ardente e do ardente amor de Maria Madalena, havia banhado de clalridade intensa a estrada cristã, para todos os séculos derradeiros.
É por isso que os historiadores das origens do Cristianismo param, assombrados ante a fé profunda dos primeiros discípulos que se dispersaram pelo deserto das grandes cidades para a pregação da Boa Nova, e, observando a confiança serena em todos os mártires que se tem sacrificado na esteira infinita do Tempo pela idéia de Jesus, perguntam espantados,:
- Onde está o sábio da Terra que já deu ao mundo tanta alegria quanto a carinhosa Maria de Magdala?
(Texto extraído e adaptado para este espaço de o livro "Boa Nova").
Para viver bem com a sua família
1- Tente não se meter na vida dos filhos. Confie no adulto que eles se tornaram. Você fez um bom trabalho! Acredite!
2- Não interfira na educação dos seus netos.
3- Ame seu genro e nora, foi seu filho(a) quem fez a escolha. Se não puder amar, ao menos respeite.
4- Nunca tome partido ou opine no casamento deles.
5- Não se permita ser um velho (a) reclamão.
6- Não seja um velho(a) que sente pena de si mesmo.
7- Não fique falando NO MEU TEMPO, lembre-se o seu tempo é agora!
8- Tenha planos pro futuro. Muitos!
9- Não fique falando de doenças. Tenha a certeza que ninguém quer saber.
10- Não importa quanto ganhe, poupe todo mês uma quantia.
11- Guarde dinheiro pro funeral ou tenha um plano. Não deixe para os outros resolverem as coisas quando chegar o momento.
12- Tenha um plano de saúde (Claro, se isso for possível).
13- Não fique ligado em noticiário ou política, afinal você não resolverá nada mesmo.
14- Só veja TV para se divertir, não pra ficar nervoso.
15- Se gostar tenha um bichinho de estimação pra ocupar seu tempo e coração.
16- Ao se levantar invente moda: cozinhe, costure, faça uma horta, mas não fique parado.
17- Seja um velho(a) limpinho e cheiroso. Velho sim, mal cheiroso jamais.
18- Tenha alegria por ter ficado velho, muitos já ficaram pelo caminho…
19- Tenha uma casa e um modo de vida onde todos queiram ir e não evitar. Acredite! Isso depende de VOCÊ!
20- Use a idade como uma ponte para o futuro e jamais, uma escada para o passado.
Para a ponte você sempre terá companhia!
Pense nisso!
Oração do amigo
Gabriel Chalita*
Há muito se diz que quem encontrou um amigo encontrou um tesouro precioso. Há muito se diz que amizade verdadeira dura para sempre. Não tem aquelas tempestades da paixão nem a calmaria exagerada do descompromisso. É o meio termo. É a bonita sensação do estar perto e, de repente, poder se calar. Não exige tanto. Exige tudo.
As amizades nascem do acaso. Ou de alguma força que faz com que uma simples brincadeira, uma informação, um caderno emprestado, uma dor seja capaz de unir duas pessoas. E a cumplicidade vai ganhando corpo e o desejo de estar junto vai aumentando e, com ele, a sensação sempre boa do poder partilhar, de se doar.
Há muito se diz que os amigos verdadeiros são aqueles que se fazem presentes nos momentos mais difíceis da vida, naqueles momentos em que a dor parece querer superar o desejo de viver. De fato, os amigos são necessários nesses momentos. Mas talvez a amizade maior seja aquela em que um amigo é capaz de estar ao lado do outro nos momentos de glória e vibrar com essa glória; não ter inveja, não querer destruir o troféu conquistado. Aplaudir e se fazer presente, ser presente.
A amizade não obedece à ordem da proporcionalidade do merecimento. Não há sentido em querer de volta tudo o que gratuitamente se distribuiu. A cobrança esmaga a espontaneidade da amizade, e a surpresa alimenta o desejo de estar junto. O amigo gosta de surpreender o outro com pequenos gestos. Coisas aqui e ali que roubam um sorriso, um abraço, um suspiro. E tudo puro, tudo lindo.
Há muito se diz que não é possível viver sozinho. A jornada é penosa e sem amparo é difícil caminhar. Juntos os pássaros voam com mais tranqüilidade. Juntas, as gaivotas revezam a liderança para que ninguém se canse demais. Juntos é possível aos golfinhos comentarem sobre a beleza de um oceano infinito. Juntos, mulheres e homens partilham momentos inesquecíveis de uma natureza que não se cansa de surpreender.
Eu Te peço, Senhor, nesta singela oração, que eu seja fiel aos meus amigos. São poucos e impossível seria que fossem muitos. São poucos, mas são preciosos. Eu Te peço, Senhor, que eu não padeça do mal da inveja que traz consigo outros desvios, como a fofoca. A terrível fofoca que humilha, maltrata, faz sofrer. Eu Te peço, Senhor, que o sucesso do outro me impulsione a construir o meu caminho e que jamais eu tenha a ânsia de querer atrapalhar a subida de meu amigo. Eu Te peço, Senhor, que eu seja leal. Que eu saiba ouvir sempre e saiba quando é necessário falar.
Senhor, eu sei que a regra de ouro da amizade consiste em não fazer ao amigo aquilo que eu não gostaria que ele fizesse a mim. E eu Te peço que eu seja fiel a essa intenção. Que eu tenha poucos amigos, mas amigos que permaneçam para sempre. Não poderia ter muitos; não teria tempo para cuidar de todos, e de amigo a gente cuida, acolhe, ama.
Senhor, proteja os meus amigos. Que nessa linda jornada consigamos conviverem harmonia. Que nesse lindo espetáculo possamos subir juntos ao palco. Sem protagonista. Ou melhor, que todos sejam protagonistas e que todos percebam a importância de estar ali. No palco. Na vida.
Obrigado, Senhor, pelo dom de viver e conviver. Obrigado, Senhor, pelo dom de sentir e manifestar o meu sentimento. Obrigado, Senhor, pela capacidade de amar, que é abundante e sem fim.
Amém.
Projetando luz
Em meio à meditação, ele surgiu silenciosamente.
Nada disse, apenas olhou-me nos olhos.
Sua expressão serena demonstrava seu o equilíbrio.
Sentado na posição de lótus, flutuando no ar à minha frente, ele ergueu a mão e fez um gesto de saudação. Imediatamente, um fluxo de energia suave fluiu no centro de minha cabeça e uma Luz dourada brilhou em meu coração.
Ao mesmo tempo, sentia minhas energias vibrando intensamente por todo o corpo e uma onda de êxtase tomou-me por inteiro. Então, mentalmente, ele me disse:
“Como vai você, meu filho?
Que bom vê-lo novamente nas ondas do trabalho espiritual.
Há muitas pessoas precisando de esclarecimento espiritual, na Terra e em muitos ambientes extrafísicos.
Há hordas de espíritos em estado lastimável após a dissolução de seus invólucros carnais. Eles misturam-se mental e emocionalmente à humanidade encarnada, vivendo sensações de empréstimo e intercambiando energias deprimentes.
Por sua vez, os encarnados permitem tal aproximação espiritual em suas vidas por pura sintonia deletéria. Em seus pensamentos e intenções, eles comungam com miríades de seres extrafísicos sem perceberem os danos psíquicos decorrentes disso.
A humanidade padece da doença do assédio espiritual e não percebe a imensa teia trevosa que se estende espiritualmente em sua manifestação vital. Escorados na invisibilidade e usando das possibilidades extrafísicas do psicossoma**, os espíritos atormentados inseminam poderosas ondas psíquicas (astralizadas, pois são adensadas e corrompidas nos charcos trevosos do Astral inferior) nas mentes daqueles humanos sintonizados às suas baixas vibrações.
Tais ações deletérias não são percebidas pelos sentidos toscos do homem, que não as registra conscientemente. No entanto, quem não experimentou sensações estranhas, insidiosas, que surgem repentinamente em seu íntimo?
Determinadas reações psíquicas que assaltam o pensamento e liberam energias obscuras em frações de segundo, levando a pessoa à climas íntimos desagradáveis e inexplicáveis. Às vezes, parece que um escuro véu psíquico cega a pessoa para o bom senso e ela passa a perceber apenas os climas mórbidos engendrados em sua mente.
O que lhe parecia interessante momentos antes, torna-se embaçado consciencialmente e tudo passa a ser cinzento. Ou seja, ela entrou na sintonia dos espíritos mórbidos e suas reações serão esquisitas enquanto durar tal intercâmbio espiritual.
Urge que a humanidade tome consciência de tal problema e tome providências profiláticas quanto a essa questão dos assédios espirituais.
No caso das pessoas envolvidas em trabalhos espirituais dignos, a responsabilidade diante desse problema é maior ainda, pois, em seus estudos e práticas, tomam consciência dessa realidade e sabem que seus pensamentos, sentimentos e energias emanados com Serenidade e Amor rompem os bolsões de energias trevosas e promovem a assepsia vibracional compatível com suas atividades de esclarecimento e assistência espiritual.
Seja na intimidade do lar ou nos trabalhos em grupo, o espiritualista responsável e consciente sintoniza seus pensamentos com o Alto e, com modéstia e Amor, abre o seu coração espiritual às vibrações da Luz. Projeta no espaço espiritual as ondas de seus pensamentos e liga-se aos mentores extrafísicos*** que sustentam seu trabalho na crosta terrestre.
Torna-se um servidor da Luz!
E o seu trabalho melhora inúmeros seres doentes nos vários níveis extrafísicos - e também na intimidade de várias consciências encarnadas que são assistidas por seu intermédio.
O espiritualista dedicado ao trabalho renovador é um agente interplanos... É um portador de inefáveis vibrações e para muitas consciências atormentadas, ele é um sol de Amor. É um agente curador e esclarecedor e trabalha sob a égide de benfeitores sutis que aportam os recursos espirituais necessários à consecução de sua tarefa no seio do mundo.
Quanto mais lúcido, sabe de sua responsabilidade e não tergiversa no caminho. Sabe que seu ego é o grande obstáculo em sua tarefa - e é por ele que os espíritos trevosos poderão acessá-lo espiritualmente. Por isso, torna-se alerta para os arroubos inconseqüentes que pululam em seu íntimo ocasionalmente.
Constantemente agradece ao Alto por todas as oportunidades e procura identificar-se somente com os bons propósitos. Não é súdito de alguma linha em particular, é servidor da Luz!
Consciente de uma PRESENÇA MAIOR, que transcende tempo e espaço, o espiritualista lúcido irradia as energias que curam e esclarecem consciencialmente... Ele sabe que nesse trabalho, na verdade, está curando e esclarecendo a si mesmo no processo.
Oxalá possam todos os homens, encarnados e desencarnados, tornarem-se sóis de Amor e agentes da Paz imperecível. Só assim a doença da obsessão espiritual será erradicada da Terra, planeta-hospital-escola suspenso em um pequeno sistema solar num cantinho da Via Láctea.”
Paz e Luz.
- Ramatís** -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges.)
terça-feira, 1 de abril de 2025
Doces Delírios
Quando deixo de sonhar, a nitidez da vida me assusta. Sua vivacidade é sagaz e horrenda. Seu ímpeto é limitante como cantos circunscritos de um hermético quadrado. Sua caminhada é tortuosa e previsiva. Suas intenções são egocêntricas e abusivas. Suas atitudes são superficiais e mendicantes. Quando deixo de sonhar, me assusta a vida que não vive, mas fingir viver numa ilusão delirante que se autoalimenta descontrutivamente com finíssimos toques de desespero, fuga e dor. Então, prefiro viver entorpecido pela loucura de meus sonhos do que desperto na falsidade de um aparente viver.
Cariocas
-1. Carioca exagera tudo, pra baixo e pra cima
Carioca exagera tudo, pra baixo e pra cima. Se elogiar a praia, ele exalta dizendo que é “a melhor praia do mundo”. Se falar que é perigoso, ele não nega. Diz que é “perigoso pra caralho”.
-2. Trata sua cidade como filho. Só ele pode falar mal.
-3. Cariocas não marcam encontro. Simplesmente se encontram.
-4. A confirmação de um convite aqui não quer dizer nada.
A confirmação de um convite aqui não quer dizer nada. Você sugere “Vamos?”, eles dizem “Vamo!”. O que não implica em ter aceitado a sugestão.
-5. Hora marcada no Rio é “por volta de”.
Hora marcada no Rio é “por volta de”. Domingo é domingo. E relaxa, irmão. Pra que a pressa?
-6. Em 5 minutos são amigos de infância
Em 5 minutos são amigos de infância, no segundo encontro te abraçam e já te colocam apelidos.
-7. Não te levam pra casa. Te convidam pra rua.
Não te levam pra casa. Te convidam pra rua. É curioso. Mas é que a “rua” aqui é tão linda que se trancar em casa é desperdício.
-8. Cariocas andam de chinelo e não se julgam por isso.
Cariocas andam de chinelo e não se julgam por isso. São livres, desprovidos de qualquer senso de sofisticação. Ao contrário, parecem se sentir mal num ambiente formal e de algum requinte.
-9. “Porra” é um termo que abre toda e qualquer frase na cidade.
“Porra” é um termo que abre toda e qualquer frase na cidade. Ainda vou a uma Igreja conferir, mas desconfio que até missa comece com “Porra, Pai nosso que estais…”.
-10. Carioca é o povo mais brasileiro que há
Carioca é o povo mais brasileiro que há, mas que é tão orgulhoso do que é que nem parece brasileiro.
-11. Tem um sorriso gostoso, um ar arrogante de quem “se garante”.
Tem um sorriso gostoso, um ar arrogante de quem “se garante”. Papudos, malandros, invocados. Faaaaalam pra cacete. E sabem que estão exagerando.
-12. Eles acham que sabem o que é frio.
Eles acham que sabem o que é frio. Imagine, fazem fondue com 20 graus!
-13. A Barra é longe.
A Barra é longe. Buzios, logo ali!
-14. Niterói é um pedaço do Rio que eles não contam pra turista. Só eles aproveitam.
Niterói é um pedaço do Rio que eles não contam pra turista. Só eles aproveitam. Nilópolis é longe. Bangu também. Madureira é um bairro gostoso. O Leblon, vale os 22 mil por metro quadrado sugeridos pelos corretores.
-15. Cariocas sabem onde moram.
Sabe aquela garota gostosa que sabe que é gostosa? Cariocas sabem onde moram.
-16. O bairrismo deles é único.
O bairrismo deles é único. Nem separatista, nem coitadinho. Apenas orgulhoso. Ao invés de odiar um estado vizinho, o sacaneiam e se matam de rir de quem se ofende.
-17. Cariocas tem vocação pra ser feliz.
-18. São folgados.
São folgados. Juram ser o povo mais sortudo do mundo. E quem vai dizer que não?
-19. No Rio você vira até mais religioso.
No Rio você vira até mais religioso. Aquele Cristo te olha todo santo dia, de braços abertos. Não dá! Você começa a gostar do cara…
-20. E aí vem a sexta-feira e o dom de mudar o ambiente sem mexer em nada.
E aí vem a sexta-feira e o dom de mudar o ambiente sem mexer em nada. O Rio que trabalha vira uma cidade de férias. As roupas somem, aparecem os sorrisos a toa, o sol, o futebol, o samba, o Rio.
-21. Se você não gosta do Rio de Janeiro, fique longe dele. É a única maneira de manter sua opinião.
Já ouvi um cara me dizer um dia que o “Rio é uma mentira bem contada pela mídia”. Ele era paulista, odiava o Rio, jamais tinha vindo até aqui. E é um cara esperto. Se você não gosta do Rio de Janeiro, fique longe dele. É a única maneira de manter sua opinião.
-22. No Rio ou você vira “carioca”, ou vai perder muito tempo procurando um pedaço da sua terra por aqui.
Em quase toda grande cidade que vou noto uma força extrema para fazer o turista se sentir em casa. Um italiano em São Paulo está na Itália dependendo de onde for. Um japonês, idem. Um argentino vai a restaurantes e ambientes argentinos em qualquer grande cidade. No Rio de Janeiro ninguém te dá o que você já tem. Aqui, ou você vira “carioca”, ou vai perder muito tempo procurando um pedaço da sua terra por aqui.
-23. Carioca é um perfil.
Não é verdade que são preconceituosos. É preciso entender que o carioca não se diz carioca por nascer aqui. Carioca é um perfil.
-24. Renato, o gaúcho, é um dos caras mais cariocas do mundo.
-25. Tem todo um ritual, um jeitinho de se aproximar.
Tem todo um ritual, um jeitinho de se aproximar. Chame o garçom pelo nome, os colegas de “irmão”. Sorria, abrace quando encontrar. Aceite o convite, mesmo que você não vá.
-26. Faça planos para amanhã, esqueça-os 10 minutos depois. Faça amigos, o máximo de amigos que conseguir.
-27. Quanto mais amigos, mais cerveja, mais risadas, mais churrascos, mais carioca você fica. .
Quanto mais amigos, mais cerveja, mais risadas, mais churrascos, mais carioca você fica. E quanto mais carioca você é, mais você ama o Rio. Como eles.
Para que serve a tristeza?
A tristeza é mais um daqueles sentimentos considerados ruins e pesados pela grande maioria das pessoas. Tristeza dói mesmo, no entanto, como sempre tenho dito, com base nos ensinos de Ermance Dufaux, não existem sentimentos ruins. Nós é que não fomos educados para entender a finalidade sagrada de cada um deles e saber o que fazer quando eles tomam o coração.
A tristeza é um sentimento que acontece principalmente quando estamos tendo perdas. Perdas materiais, afetivas ou uma perda psicológica. É dessa última que quero falar um pouquinho hoje.
A gente passa a vida lutando com algum tipo de imperfeição, ela nos causa muitos problemas, mas por incrível que pareça chega um momento na vida que amadurecemos e começamos a ser alguém melhor em relação a essa imperfeição, e mesmo para perder ou superá-la vamos ficar tristes.
Parece um contra senso. Até para ser alguém melhor a tristeza comparece em nossa vida. Você pode estar perdendo aquela sua parte ruim, mais sombria e que te fez sofrer tanto a vida inteira e gestando uma pessoa nova e melhor. Nesse meio tempo em que morre uma personalidade velha e nasce uma pessoa melhor, existe um luto psicológico. A tristeza é um sentimento que diz: "adapte-se", isto é, nesse caso, adapte-se e aceite as mudanças que a nova personalidade te oferece.
É muito incrível! Até para melhorar ficamos tristes. Quando você aprende que o sentido educativo da tristeza é adaptar, você parte para uma postura nova. Acredita mais mais no seu momento novo, coloca mais fé na nova pessoa que está se tornando, e assim segue sua vida, "enterrando" os velhos hábitos e fazendo o parto de novos comportamentos.
Viva a tristeza!
Não
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom Dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
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