sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Promessas de Casamento



Em maio de 98, escrevi um texto em que afirmava que achava bonito o ritual do casamento a igreja, com seus vestidos brancos e tapetes vermelhos, mas que a única coisa que me desagradava era o sermão do padre. "Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?" Acho simplista e um pouco fora da realidade. Dou aqui novas sugestões de sermões:
- Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?
- Promete saber ser amiga(o) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?
- Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?
- Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?
- Promete se deixar conhecer?
- Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?
- Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?
- Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?
- Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?
- Promete que será tão você mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja?
Sendo assim, declaro-os muito mais que marido e mulher: declaro-os maduros.
Martha Medeiros

Madame Charlotte Doret

Charlotte Doret Garcia
Filha dos franceses Antoine Doret e Adelaide Charles Doret eram proprietários do sítio conhecido como Sítio da Madame, localizado a 1 ½ km do centro do Frade.
Na entrada passamos pela Fonte da Madame, uma homenagem feita por ela para todos que por ali passavam e podiam saciar sua sede nas águas cristalinas.
Charlotte nasceu no Brasil, com poucas semanas de vida viajou para à França onde foi criada por sua avó até aos 12 anos. Seus pais vieram para o Brasil no início do século. Aqui seu pai Antoine se dedicou a produção de essências para fabricação de seus próprios perfumes e se instalou como cabeleleiro de senhoras no salçao A Doret, que ficava no 1º andar do prédio Amarelinho,tradicional Bar da Cinelândia-RJ.
Por volta de 1942, um amigo da família que gostava de caçar, sabendo do interesse de Charlotte pelo campo pois havia sido criada neste ambiente deu-lhe notícias de um lugar distante porém muito bonito, onde havia uma propriedade a venda.
Naquela época, vir do Rio ao Frade era uma longa viagem.
Pela madrugada,às 2:00 h saia o trem da estação da Leopoldina Railway, com destino à Macaé, onde chegavam por volta das 10:00 h. O almoço acontecia ali pela estação mesmo, na espera do trem que saía para Glicério talvez às 14:00 h onde chegavam ao entardecer. A noite era passada no Hotel Correia, cuja entrada ficava a poucos metros da linha férrea, no dia seguinte chegavam os cavalos vindos do Frade para a 3ª etapa da viagem, mais umas 2 h até chegar ao sítio. As bagagens e caixas com mantimentos que haviam sido despachadas do Rio pela agência Pestana, eram transportadas pela tropa do Srº Baltazar.
Charlotte trabalhava como steno/datilógrafa-frances/português e durante as férias escolares de verão se desligava do seu trabalho e passava a temporada no Frade. Neste período no sítio, experimentou grandes transformações, foram plantadas fruteiras, uma horta sempre bem cuidada e outras benfeitorias.
A saúva era uma praga terrível e o combate se fazia com foles que traziam na sua extremidade uma peça de ferro fundido onde se queimava com brasas, pós venenos, que iam se transformando em fumaça que, em pouco tempo apareciam nos demais olhos dos formigueiros sendo prontamente fechados com um sabugo de milho.
O tempo passou, sua mãe Adelaide faleceu e foi enterrada no Cemitério do Frade.
Antoine morou por mais algum tempo no sítio, até que sua saúde passou a exigir maiores cuidados. Então voltou a morar no Rio.
A rotina das férias de Charlotte se prolongou por algum tempo, até que já não era mais possível estar dispensando empregados para acompanhar os filhos, que por sua vez já estavam maiores e vinham sozinhos. Os filhos ficaram maiores, com outros interesses e o sítio passou a ser menos freqüentado.
Foi vendido em 1958.
Hoje em dia no local está instalada a "Pousada Chalet do Frade"
Por Extraído do Jornal "O Debate"

Um Novo Holocausto

A capacidade de indignar-se ante as injustiças sociais, a consciência política que uma geração perdeu- uma geração castrada pelo silêncio. Mutilada, transformou-se em um bando de carneiros seguindo para a morte, em filas, filas nos bancos, no INSS, nos hospitais públicos, nos pontos de ônibus, nas estações das ferrovias...
Minhas pernas já não podem correr o bastante, e minhas costas agora são mais susceptíveis à dor.
Para quê a mocidade de meu tempo apanhou nas ruas, fugiu da polícia, enfrentou soldados e bombas de gás? Para quê? A grande maioria dos jovens de hoje está mergulhada no pragmatismo, só pensa em ganhar dinheiro, comprar “bens” que lhe são impingidos pelos meios de comunicação. E esses parias, dormindo sob viadutos e marquises? “A culpa não é minha, nem sua”, dizem eles. È, sim! É de vocês! É de todos! Que me desculpe esta minoria de moços, combatentes solitários, mas a tarefa de humanizar a existência dos desvalidos pertence a nós.
Para isso elegemos uma infinidade de vereadores, prefeitos, deputados, senadores, presidentes. Todos se referem a recursos e verbas como se estes lhe pertencessem, como se fossem frutos de seu trabalho.
Mas não! Eles são meros atravessadores do dinheiro do povo. E o que é pior; atravessadores gananciosos! O dinheiro dos impostos que pagamos é para ser aplicado em benefício da população.
Antigamente, nos Anos Cruéis do Silêncio, não se podia opinar. Hoje,fala-se de tudo, denuncia-se tudo... e nada é feito. Cinismo total. Viajam e empanturram-se de riquezas às nossas custas. Você, desesperado sem poder alimentar seus filhos, roube R$ 100,00 reais, que vai para a cadeia. Mas quem rouba milhões de reais não precisa devolver, e nada lhe acontece,mesmo se for descoberto.O poder vai em socorro de Bancos e empresas falidas.
É o nosso suado dinheiro que os reergueu. A maioria faliu devido à ganância e a corrupção dos dirigentes.
Uma simples doméstica sabe que tem limite para gastos, que não pode pisar além de um ponto que seus pés alcancem. Caso contrário, arrisca-se a descer ao abismo de dívidas impraticáveis. Se tal acontecer, não há mãos que a amparem na queda. As grandes instituições financeiras, não. O poder estende uma rede elástica para que elas retornem às posições primitivas e reiniciem os mesmos processos excusos que as tornaram falidas. Esta rede é tecida com a pele do trabalhador humilde.
Vai um lembrete, um Poder absoluto, acima desta esplanada, que vê o que fazem com seus amados. É misericordioso, mas é justo. Sabe que, nos últimos anos, os “economistas” e “políticos” já mataram mais gente de fome e falta de assistência médica, do que o homem do bigodinho mandou para campos de concentração e câmaras de gás. (NC)

El mundo

“El mundo cambia si dos se miran y se reconocen” (Octavio Paz) Não importa quando você vai colocar suas vistas neste texto, as palavras se...