Quase todos os portugueses sofrem de pleonasmite, uma doença congénita para
a qual não se conhecem nem vacinas nem antibióticos. Não tem cura, mas
também não mata. Mas, quando não é controlada, chateia (e bastante) quem
convive com o paciente.
O sintoma desta doença é a verbalização de pleonasmos (ou redundâncias) que,
com o objectivo de reforçar uma ideia, acabam por lhe conferir um sentido
quase sempre patético.
Definição confusa? Aqui vão quatro exemplos óbvios “Subir para cima”,
“descer para baixo” , “entrar para dentro” e “sair para fora”.
Já se reconhece como paciente de pleonasmite? Ou ainda está em fase de
negação? Olhe que há muita gente que leva uma vida a pleonasmar sem se
aperceber que pleonasma a toda a hora.
Vai dizer-me que nunca “recordou o passado”? Ou que nunca está atento aos
“pequenos detalhes”? E que nunca partiu uma laranja em “metades iguais”? Ou
que nunca deu os “sentidos pêsames” à “viúva do falecido”?
Atenção que o que estou a dizer não é apenas a minha “opinião pessoal”.
Baseio-me em “factos reais” para lhe dar este “aviso prévio” de que esta
“doença má” atinge “todos sem excepção”.
O contágio da pleonasmite ocorre em qualquer lado. Na rua, há lojas que o
aliciam com “ofertas gratuitas”. E agências de viagens que anunciam férias
em “cidades do mundo”. No local de trabalho, o seu chefe pede-lhe um
“acabamento final” naquele projecto. Tudo para evitar “surpresas
inesperadas” por parte do cliente. E quando tem uma discussão mais acesa com
a sua cara-metade, diga lá que às vezes não tem vontade de “gritar alto”:
“Cala a boca!”?
O que vale é que depois fazem as pazes e vão ao cinema ver aquele filme que
“estreia pela primeira vez” em Portugal.
E se pensa que por estar fechado em casa ficará a salvo da pleonasmite,
tenho más notícias para si. Porque a televisão é, de“certeza absoluta”, a
“principal protagonista” da propagação deste vírus
Logo à noite, experimente ligar o telejornal e “verá com os seus próprios
olhos” a pleonasmite em directo no pequeno ecrã. Um jornalista vai dizer que
a floresta “arde em chamas”. Um treinador de futebol queixar-se-á dos “elos
de ligação” entre a defesa e o ataque. Um “governante” dirá que gere bem o
“erário público”. Um ministro anunciará o reforço das “relações bilaterais
entre dois países”. E um qualquer “político da nação” vai pedir um “consenso
geral” para sairmos juntos desta crise.
E por falar em crise! Quer apostar que a próxima manifestação vai juntar uma
“multidão de pessoas”?
Ao contrário de outras doenças, a pleonasmite não causa “dores
desconfortáveis” nem “hemorragias de sangue”. E por isso podemos “viver a
vida” com um “sorriso nos lábios”. Porque alguém a pleonasmar, está nas suas
sete quintas. Ou, em termos mais técnicos, no seu “habitat natural”.
Mas como lhe disse no início, o descontrolo da pleonasmite pode ser chato
para os que o rodeiam e nocivo para a sua reputação. Os outros podem vê-lo
como um redundante que só diz banalidades. Por isso, tente cortar aqui e ali
um e outro pleonasmo. Vai ver que não custa nada. E “já agora” siga o meu
conselho: não “adie para depois” e comece ainda hoje a “encarar de frente” a
pleonasmite!
Ou então esqueça este texto. Porque afinal de contas eu posso estar só
“maluco da cabeça”.(AD)
sexta-feira, 15 de julho de 2016
terça-feira, 12 de julho de 2016
Quando a vida sorri
Quando a vida sorri
Nem tudo é preto e nem tudo é branco na vida. Se muitas vezes temos a impressão que o mundo e todas as misérias dele recaem sobre nós é por que não olhamos com mais objetividade para nosso interior ou os passos que deixamos para trás
É próprio do ser humano, ou da maior parte dele, de revisitar a vida mais facilmente nos momentos dolorosos. Vamos, passo a passo, revendo isso mais aquilo, sempre somando as tristezas.
Parece que queremos nos convencer da nossa razão de tristeza existencial, provar a nós e aos outros o quanto somos privados da felicidade que cremos (mas só cremos!) destinada a alguns privilegiados.
Há cada ano quatro estações distintas que nos mostram que a vida está sempre em movimento. Há cada dia variações de temperatura e de luminosidade que provam que a vida não é estática. E é assim conosco.
Depois das primeiras horas, primeiros dias e primeiros anos muito e muito aconteceu.
Por que então privilegiar os momentos onde a vida pareceu mais árdua, por que medir os rios de lágrimas que choramos e não os quilômetros de sorriso que demos? Mesmo se poucos (e o que é pouco na contagem de uma vida?), esses momentos existiram. Com certeza, existiram.
A vida sorri aqui e acolá. Sorri quando nasce uma criança, quando brota uma flor, quando as férias chegam, quando revemos alguém depois de longo tempo, quando nosso coração descobre a alegria de enxergar outro coração e assim por diante.
Não fugindo da realidade que nos cerca e que devemos enfrentar, é bom relembrar o que de bom e bonito nos aconteceu. Visitar mais vezes nos recantos da mémória o bem que nos fizeram, o dia mais marcante, os momentos que compartilhamos e as gargalhadas que demos.
Devemos acreditar que no muro que está diante de nós pelo menos uma janela vai se abrir, assim como se abriram as portas pelas quais atravessamos e que nos conduziram até o hoje.
Quando a vida nos sorri devemos tirar um retrato dela e colocar num grande quadro, bem visível no lugar que mais ficamos na nossa casa. E olhar pra ele mais vezes, mais intensa e mais profundamente.
Um momento de felicidade pode ser muito maior e compensar centenas de outros menos alegres. Se acreditamos nisso vivemos muito mais e muito mais serenamente.
(Leticia Thompson - respeite o texto e sua autoria)
(http://www.leticiathompson.net/…/Quando_a_vida_sorri_LT.html)
Nem tudo é preto e nem tudo é branco na vida. Se muitas vezes temos a impressão que o mundo e todas as misérias dele recaem sobre nós é por que não olhamos com mais objetividade para nosso interior ou os passos que deixamos para trás
É próprio do ser humano, ou da maior parte dele, de revisitar a vida mais facilmente nos momentos dolorosos. Vamos, passo a passo, revendo isso mais aquilo, sempre somando as tristezas.
Parece que queremos nos convencer da nossa razão de tristeza existencial, provar a nós e aos outros o quanto somos privados da felicidade que cremos (mas só cremos!) destinada a alguns privilegiados.
Há cada ano quatro estações distintas que nos mostram que a vida está sempre em movimento. Há cada dia variações de temperatura e de luminosidade que provam que a vida não é estática. E é assim conosco.
Depois das primeiras horas, primeiros dias e primeiros anos muito e muito aconteceu.
Por que então privilegiar os momentos onde a vida pareceu mais árdua, por que medir os rios de lágrimas que choramos e não os quilômetros de sorriso que demos? Mesmo se poucos (e o que é pouco na contagem de uma vida?), esses momentos existiram. Com certeza, existiram.
A vida sorri aqui e acolá. Sorri quando nasce uma criança, quando brota uma flor, quando as férias chegam, quando revemos alguém depois de longo tempo, quando nosso coração descobre a alegria de enxergar outro coração e assim por diante.
Não fugindo da realidade que nos cerca e que devemos enfrentar, é bom relembrar o que de bom e bonito nos aconteceu. Visitar mais vezes nos recantos da mémória o bem que nos fizeram, o dia mais marcante, os momentos que compartilhamos e as gargalhadas que demos.
Devemos acreditar que no muro que está diante de nós pelo menos uma janela vai se abrir, assim como se abriram as portas pelas quais atravessamos e que nos conduziram até o hoje.
Quando a vida nos sorri devemos tirar um retrato dela e colocar num grande quadro, bem visível no lugar que mais ficamos na nossa casa. E olhar pra ele mais vezes, mais intensa e mais profundamente.
Um momento de felicidade pode ser muito maior e compensar centenas de outros menos alegres. Se acreditamos nisso vivemos muito mais e muito mais serenamente.
(Leticia Thompson - respeite o texto e sua autoria)
(http://www.leticiathompson.net/…/Quando_a_vida_sorri_LT.html)
Sexo
1- "Certas dietas são simples. É só cortar açúcar, frituras, massas, molhos, bebidas alcoólicas, pães, biscoitos e os pulsos."
2- "Que me despreze, me maltrate, me agrida, tudo bem. Mas não falar de mim nem pro analista, é demais."
3- "Dizem que estou ficando amarga, enjoada, ácida, sem graça. Não é verdade. É só colocar limão, adoçante, sexo, gelo, brilhantes e mexer gostoso, que eu fico maravilhosa!"
4- "Adoro quando os feirantes, os porteiros e os pedreiros do meu bairro me chamam de gostosa. É a comunidade solidária!"
5- "Paulo era lindo, sensível, carinhoso, engraçado, elegante, delicado, gostoso, honesto, companheiro, discreto... e gay."
6- "E aí a gente vai sair daqui, vai para um motel, aí vai transar, aí vai querer de novo, aí eu me apaixono, aí você vai dizer que não quer compromisso, aí eu vou achar você um babaca, aí a gente vai brigar, aí eu vou te odiar... Tem certeza de que ainda quer saber o meu nome?"
7- "Sexo seguro, pra mim, é transar com o melhor amigo."
8- "Faço dieta americana, uso produtos franceses, malho com um personal neozelandês, faço localizada com uma russa, e não adianta. Não consigo diminuir essa bunda brasileira."
9- "Terminei com o Betão. A gente se entendia superlegal, gostava das mesmas coisas, tinha tesão um no outro, se tratava com carinho, detestava o cinema iraniano... mas faltava conflito, entende?"
10- "Faço meditação, aeróbica, judô, musculação. Jogo xadrez, vídeo game, King e batalha-naval. Estudo antropologia, física quântica, matemática e arqueologia. Escalo montanhas, faço vôo livre, salto de pára-quedas. Leio, escrevo, toco piano, pinto e bordo. Ufa!!!!! O que a gente não faz para compensar a falta de sexo gostoso."AD
2- "Que me despreze, me maltrate, me agrida, tudo bem. Mas não falar de mim nem pro analista, é demais."
3- "Dizem que estou ficando amarga, enjoada, ácida, sem graça. Não é verdade. É só colocar limão, adoçante, sexo, gelo, brilhantes e mexer gostoso, que eu fico maravilhosa!"
4- "Adoro quando os feirantes, os porteiros e os pedreiros do meu bairro me chamam de gostosa. É a comunidade solidária!"
5- "Paulo era lindo, sensível, carinhoso, engraçado, elegante, delicado, gostoso, honesto, companheiro, discreto... e gay."
6- "E aí a gente vai sair daqui, vai para um motel, aí vai transar, aí vai querer de novo, aí eu me apaixono, aí você vai dizer que não quer compromisso, aí eu vou achar você um babaca, aí a gente vai brigar, aí eu vou te odiar... Tem certeza de que ainda quer saber o meu nome?"
7- "Sexo seguro, pra mim, é transar com o melhor amigo."
8- "Faço dieta americana, uso produtos franceses, malho com um personal neozelandês, faço localizada com uma russa, e não adianta. Não consigo diminuir essa bunda brasileira."
9- "Terminei com o Betão. A gente se entendia superlegal, gostava das mesmas coisas, tinha tesão um no outro, se tratava com carinho, detestava o cinema iraniano... mas faltava conflito, entende?"
10- "Faço meditação, aeróbica, judô, musculação. Jogo xadrez, vídeo game, King e batalha-naval. Estudo antropologia, física quântica, matemática e arqueologia. Escalo montanhas, faço vôo livre, salto de pára-quedas. Leio, escrevo, toco piano, pinto e bordo. Ufa!!!!! O que a gente não faz para compensar a falta de sexo gostoso."AD
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Você é introvertido,extrovertido ou ambivertido?
·
Geralmente,
as pessoas categorizam as outras (e a si mesmas) como introvertidas ou
extrovertidas, falando em termos de hábitos e personalidade.
Carl
Jung popularizou os conceitos de introversão e extroversão no início da década
de 1920, quando ele também identificou um terceiro grupo, mas não escreveu
muito sobre isso. Foi só em meados dos anos 1940 que psicólogos e cientistas
comportamentais começaram a utilizar o termo “ambiversão” para referenciar as
pessoas ambivertidas.
Para
uma parcela da população, essa é uma escolha fácil de fazer e simples de
identificar, mas, para a maior parte das pessoas, é difícil escolher um caminho
ou outro e manter-se constantemente nele. De acordo com Travis Bradberry,
especialista em inteligência emocional e autor de livros sobre o assunto, essa
escolha costuma ser difícil porque a dicotomia introvertido/extrovertido reflete
uma visão ultrapassada de personalidade.
Os
traços de personalidade existem ao longo de um contínuo, e a maioria de nós não
é introvertida nem extrovertida, mas sim algo no meio disso: ambivertida.
Segundo
Barry Smith, professor de psicologia na universidade de Maryland:
“Ambivertidos
constituem 68% da população. Essa maioria possui tendências introvertidas e
extrovertidas que variam, dependendo dos estímulos e de cada situação.”
Pensando-se
na introversão e extroversão como em um espectro, a ambiversão estaria
localizada, mais ou menos, em algum lugar no meio.
A
personalidade consiste em um composto estável de preferências e tendências por
meio das quais nós relacionamos com o mundo e as pessoas que nele vivem.
Os
fatores arquetípicos pessoais vão sendo formados desde a tenra idade, e são
flexíveis até o início da fase adulta. Muitas coisas sobre nós mudam com o
passar dos anos, é verdade. Hábitos e estilos de vida são sazonalmente
modificados, sim, mas alguns aspectos da nossa personalidade são permanentes.
Segundo Bradberry:
“A
continuidade entre introversão e extroversão captura um dos traços de
personalidade mais importantes. É preocupante que estejamos a categorizar nós
mesmos de uma forma ou de outra, porque há pontos fortes e fracos críticos
comumente associados a cada tipo.”
Para
Bradberry, os ambivertidos têm uma vantagem distinta sobre os verdadeiros
introvertidos e extrovertidos. Devido a sua personalidade não se inclinar
bruscamente para qualquer direção, eles têm um tempo maior para ajustar sua
abordagem em relação a pessoas em uma mesma situação. Isso permite que eles se
conectem mais fácil e profundamente com uma maior variedade de pessoas.
Adam
Grant, professor de administração e psicologia do Wharton College, se propôs a estudar o tema da ambiversão. E ele
obteve resultados elucidáveis. Um deles refuta a ideia de que vendedores
extrovertidos têm melhor desempenho do que aqueles introvertidos. Ele descobriu
que a flexibilidade social dos ambivertidos lhes permitiu vender mais do que
todos os grupos (venderam 51% mais produtos do que a média geral dos
vendedores).
Grant
explicou esse achado:
“Porque
eles naturalmente se envolvem em um padrão flexível de falar e ouvir,
ambivertidos são suscetíveis de expressar assertividade e entusiasmo
suficientes para persuadir e fechar uma venda. Eles são mais inclinados a ouvir
os interesses dos clientes, e menos vulneráveis a parecer muito excitados ou
autoconfiantes.”
Os
ambivertidos ora têm facilidade em se relacionar com terceiros e fazer novos
amigos, ora têm a necessidade de se isolar por um tempo. Eles são mais
adaptáveis à novas pessoas e situações, porque suas características de
introversão e extroversão não são predominantes. Sabem exteriorizar o que
sentem, e conseguem conter suas emoções quando é conveniente.
De acordo com Brian Little,
autor do livro Me, Myself And Us: The Science Of Personality And The Art Of
Well-Being:
“Os
ambivertidos sabem aproveitar o melhor de ambos os lados. Eles têm mais graus
de liberdade para moldar suas vidas do que aqueles que estão nos extremos de
suas pontas.”
As
pessoas ambivertidas “são como bilíngues”, na opinião de Daniel Pink, autor do
livro To Sell Is Human: The Surprising Truth About Moving Others. “Elas
têm uma ampla gama de habilidades, e podem se conectar com uma variedade maior de
pessoas, da mesma forma que alguém que fala inglês e espanhol”.
No
entanto, também há desvantagens em ser ambivertido. Se alguém tiver tendências
ambivertidas conservadoras, poderá ficar muito tempo empacado no papel de
introvertido (em ambientes discretos, no silêncio) ou no papel de extrovertido
(em ambientes agitados, em interação com várias pessoas), e assim se sentir
demasiadamente solitário ou exausto.
Um
ambivertido é capaz de ir por duas direções opostas. O ideal seria que essa
pessoa analisasse cada circunstância em particular a fim de definir qual
comportamento seria mais benéfico ou gratificante para ela.
Se
um indivíduo ambivertido pode adaptar e variar suas ações conforme aos diversos
acontecimentos, bastaria regular seu “termostato” nas horas que exigem tal
tomada de decisões. Mas isso nem sempre é fácil, é claro.
Pessoas
ambivertidas gostam de (e precisam) ficar sozinhas por determinado período de
tempo, mas também adoram estar perto de outras pessoas e interagir com elas. Em
ambos os casos, elas sabem tirar proveito da situação, assim como estão cientes
de que, muitas vezes, permanecem “em cima do muro”.
9 autoafirmações
para alguém saber se é ambivertido (a)
Estar
ciente de sua escala de personalidade torna mais fácil desenvolver um senso de
tendências pessoais e inclinações sociais.
Para
quem suspeita ser ambivertido, mas não está certo disso, o autor Travis
Bradberry fez uma lista de nove afirmações para se fazer. Caso as respostas
forem positivas para a maioria ou todas as perguntas, muito provavelmente a
pessoa é ambivertida. Faça o teste:
1.
Eu posso executar tarefas sozinho ou em grupo. Eu não tenho muita preferência,
de qualquer forma.
2.
Ambientes sociais não me deixam desconfortável, mas eu canso de ficar cercado
de muitas pessoas.
3.
Ser o centro das atenções é divertido para mim, mas eu não gosto que isso dure
muito.
4.
Algumas pessoas pensam que eu sou quieto, enquanto outras acham que sou
extremamente social.
5.
Eu não preciso estar sempre fazendo algo ou me movendo, mas ficar parado por
tempo demais me deixa entediado.
6.
Eu posso me perder em meus próprios pensamentos tão facilmente quanto eu posso
me perder em uma conversa.
7.
Uma conversa simples e casual não me deixa desconfortável, mas não gosto tanto
de ficar engajado em conversas íntimas.
8.
Quando se trata de confiar em outras pessoas, às vezes eu sou cético, outras
vezes eu confio plenamente.
9.
Se eu passar muito tempo sozinho, fico entediado, ainda que muito tempo em
torno de outras pessoas me deixe esgotado.
Muitas
pessoas ambivertidas não estão totalmente cientes de que são assim, e esse
lapso de autoconhecimento pode tornar ambíguas as suas percepções, ações e
pensamentos. Mas agora elas podem resolver de vez essa questão.
8 dicas para cuidar de uma pessoa com depressão.
A
depressão é a doença mais recorrente do século, sem distinção de sexo, cor, ou
idade, qualquer um pode desenvolve-la. A depressão pode aparecer de diversos
tipos e todas precisam ser tratadas com cuidado. Lidar com uma pessoa que
apresenta o quadro da doença, não é fácil, mas devemos tratar com a devida
seriedade.
Abaixo,
listamos 8 dicas que auxiliam nos cuidados de uma pessoa com
depressão
1.
Compreenda a doença.
A
depressão, é uma doença como qualquer outra, e para auxiliar uma pessoa
deprimida, é importante entender bem sobre a doença, principalmente os efeitos
que a depressão causa no doente, o que ele sente e a melhor forma de lidar com
isso. Então, leia sobre o assunto, informe-se, acompanhe-o ao médico, sane
dúvidas, converse com outras pessoas que já passaram ou estão passando por isso,
assim, você irá puder se tornar mais útil nos momentos de angústias e
necessidades da pessoa doente. Pessoas que não procuram entender sobre a doença,
normalmente tratam ela como coisa banal, ou no dito popular “frescura”,
dificultando muito a recuperação da pessoa doente.
2.
Apoio emocional.
A
depressão não é uma doença que passa de uma hora para outra, ela pode durar
meses ou até mesmo anos. Durante esse tempo, esteja sempre presente quando a
pessoa precisar, o apoio emocional, é tão importante quanto acompanhamento
médico. Seja muito compreensivo, paciente e carinhoso, são fatores
importantíssimos para a melhora. Seja um bom ouvinte, expresse amor, de abraços,
use palavras encorajadoras, e sempre mostre que você está ali para ajudar, isso
passa confiança a pessoa doente.
3.
Saber distinguir a pessoa da doença.
Por
mais difícil que seja lidar com uma pessoa com depressão, não deixe-a
desconfortável, não deixe-a pensar que de alguma forma, está lhe incomodando,
pois a depressão deixa as emoções ”a flor da pele”, deixando a pessoa doente
muito intensa.
Se
a pessoa doente lhe falar algo que você não goste, lembre-se, é a doença que
está falando, não fique insistindo em assuntos contrários a sua crença, evite
debates, discussões, não abra assuntos polêmicos. Deixe tudo no neutro, e
concorde com ela, por mais que você não goste.
4.
Delinear um plano.
Não
adianta ficar sentado esperando que a doença passe por si só, ou que os
medicamentos façam efeito de um dia para outro. É muito importante delinear um
plano de ação em conjunto com a pessoa. É importante saber o que aborrece a
pessoa doente e evitar, porém, mais importante, é perceber quais atividades
deixam-a feliz e repeti-las.
Dieta
alimentar, dormir o suficiente, praticar exercício físico, participar de
terapias, são muito importante para a pessoa doente se reerguer, ela precisa ter
uma agenda social A depressão não precisa ser uma doença incapacitante e é
preciso vencê-la, um passo de cada vez.
5.
Tempo de qualidade juntos.
Não
deixe a depressão dominar a vida da pessoa e nem a vida de quem convive
diariamente com ela. Se vocês tinham algum costume, compromissos, antes da
doença, continuem fazendo, quanto mais vezes, melhor. A diversão é um dos
melhores remédios para a depressão.
Não deixe que a pessoa deprimida coloque a sua vida em standby por causa da depressão, isso só deixará o tratamento mais demorado.
Não deixe que a pessoa deprimida coloque a sua vida em standby por causa da depressão, isso só deixará o tratamento mais demorado.
6.
Tarefas diárias.
Como
dito anteriormente, para uma pessoa com depressão, tudo é muito intenso, até
mesmo pequenas mudanças do dia-a-dia se tornam um enorme suplício, tudo é
difícil, tudo é fonte de estresse e não apetece fazer nada. Ajudar a pessoa
deprimida com pequenas tarefas diárias, é uma das formas mais simples de apoiar.
Mas não trate-o como um inválido, se precisar ir no mercado, leve-a junto com
você, pois ver gente, contato com pessoas é muito importante para acelerar o
processo de cura da doença.
7.
Sair de casa.
Uma
pessoa deprimida tem como tendência natural, desligar-se do mundo la fora, e
essa falta de contato, dificulta ainda mais a situação. E isso é uma coisa que
você que convive com a pessoa doente, não pode deixar acontecer. Se ela não
quiser de jeito algum fazer algo, convença-a de apenas ir dar uma volta no sol,
mas não force-a a fazer algo que não quer, comece devagar, torne as saídas um
hábito, almeje o grande e convença-se com o pequeno, se ela não quiser ir para
uma festa, convide-a para um jantar em um restaurante, mas sempre tente tirar
ela de casa.
8.
Cuidar de si.
Quem
cuida de uma pessoa doente, também precisa cuidar de si, caso contrário, pode
facilmente ficar fisicamente e emocionalmente exausto, elevando os níveis de
ansiedade e estresse. É crucial quem cuida de uma pessoa, não viva só para ela,
é necessário que continue a levar sua vida, sem abandonar os momentos de lazer,
sem sentimentos de culpa. Se sentir que sua vida está ficando para trás, é
necessário dar uma pausa, peça apoio a um familiar ou amigo e descanse durante
uns dias. Pois você estar bem, é o que irá ajudar a pessoa
deprimida.
Familiares, cuidador não é empregado doméstico! Saiba quais tarefas não devem ser designadas a este profissional
Fazer o cuidador limpar a casa, lavar roupa, passear com cachorro, entre outras funções, fere os direitos previstos pela lei e atrapalha os cuidados com o idoso
Por Mariana Parizotto
Limpar a casa, lavar roupa, cozinhar, alimentar o cachorro... essas definitivamente não são funções dos cuidadores de idosos, mas muitas famílias incumbem este profissional de fazer tarefas de um empregado doméstico. São diversos os casos de cuidadores que sofrem abusos deste tipo.
A psicóloga Simone Manzaro, que atende muitos pacientes com Mal de Alzheimer, relata que alguns cuidadores querem mostrar que são bons no início e acabam cedendo a certas ordens para não perder o emprego. “Percebo muitas situações assim quando vou fazer visitas Home Care. Uma vez, durante uma visita, o filho de uma paciente virou-se para a cuidadora e disse: ‘Fulana, vai fazer um café para a visita”, na mesma hora respondi: ‘Obrigada, mas não é necessário, afinal, ela não pode descuidar da Dona Fulana nem por um minuto’. O filho entendeu minha indireta”.
Simone esclarece que o cuidador é responsável pelo cuidado direto ao idoso, o que inclui o bem estar, alimentação, higiene, recreação e saúde. Entre suas funções estão: ajudar nas atividades de vida diária, como locomoção; cuidar do vestuário, organizando-o; cuidar da aparência da pessoa idosa (unhas, cabelos); facilitar e estimular a comunicação; incentivar e acompanhar passeios, exercícios físicos (desde que autorizados); acompanhar nas visitas ao médico; cuidar da medicação dando os medicamentos nos horários certos (o cuidador é proibido de aplicar injeções) neste caso, deve-se procurar um profissional de enfermagem; auxiliar nas relações sociais.
Há casos em que o cuidador é obrigado a levar e buscar crianças na escola e até mesmo passear com animais domésticos. “É importante deixar claro que, se por ventura ou algum incidente com a roupa do idoso, se o cuidador se sentir confortável para lavar a roupa que sujou, não tem problema. O que ele não pode é lavar a roupa da família inteira. Neste caso, ele perde o posto de Cuidador de Idosos e se torna um Empregado Doméstico, o que altera também seus direitos previstos em carteira”, alerta a especialista.
10 dicas para lidar com a perambulação
Através da perambulação, o doente de Alzheimer pode se colocar em diversas situações de risco, como quedas, cortes, atropelamentos e até afogamentos. Alguns ambientes da casa podem ser extremamente perigosos para o doente, como escadas, banheiras e piscinas. Também é perigoso que o doente saia da propriedade, perambulando por ruas e chegando a regiões desconhecidas.
Alguns dos sinais característicos da perambulação são a inquietação e a desorientação, que podem ser apresentados quando o doente está com fome, sede, prisão de ventre ou fortes dores. Os doentes de Alzheimer também podem se tornar inquietos quando estão ansiosos, estressados, entediados ou quando estão expostos a um ambiente desconfortável.
Para evitar que o idoso se sinta inquieto ou desorientado, separamos algumas dicas para você lidar melhor com a situação.
- Se o doente está começando a demonstrar sinais de perambulação, coloque-o para realizar alguma atividade produtiva ou exercício físico. Dessa forma, toda a energia acumulada será transferida para uma atividade supervisionada.
- Caso o idoso pareça desorientado, tente tranquilizá-lo e perguntar de que forma você pode ajudá-lo.
- Se o doente costuma ter crises de perambulação com certa frequência, procure identificar o momento do dia em que isso é mais comum. Dessa forma você pode evitar as crises distraindo-o com outras atividades.
- Evite barulhos e confusões na presença de uma pessoa que possui Alzheimer, elas podem se sentir desorientadas e com medo.
- Instale alguns dispositivos de segurança em sua casa, de forma que você consiga manter janelas e portas sempre fechadas.
- Não deixe a mostra objetos e itens que a pessoa costumava levar ao sair de casa, como bolsas e carteiras.
- Preze por móveis confortáveis e que limitem o movimento do idoso, de forma a dificultar que ele se levante sem ajuda de alguém.
- Fale com vizinhos, porteiros e vigilantes da rua sobre a tendência de perambular do doente, para que todos fiquem atentos caso o vejam circulando sozinho pelas ruas. É importante alertá-los para terem calma nessa situação, informando a algum parente caso o doente não queira voltar para a casa.
- Caso a pessoa demore em voltar para casa, você deve ter em mente que ela pode ter esquecido o caminho e se perdido. Para isso, a busca da polícia pode ser a melhor opção. Tenha sempre uma foto de rosto atualizada, além de roupas que possam ajudar cães farejadores a encontrar o doente.
- Procure um médico caso a perambulação se torne um problema grave. A desorientação e a inquietação também podem ser resultado de efeitos colaterais de alguns medicamentos.
Aplicar essas dicas pode fazer a diferença na vida de familiares de doentes de Alzheimer que ficam em dúvidas sobre como evitar a perambulação. Frequentemente postamos este tipo de informação aqui no Portal do Conaz – também já falamos, por exemplo, sobre como lidar com a agitação dos idosos (clique aqui para ler). Para receber tudo direto no seu e-mail, é só se cadastrar abaixo! É grátis e você receberá todas as dicas com exclusividade!
Delírios causados pelo Alzheimer: descubra a melhor forma de lidar com eles
Os delírios se manifestam de formas variadas, como estranhar sua casa, cometer erros de identificação, acreditar que foi abandonado pelos familiares ou que seu esposo(a) foi infiel. Geralmente, os delírios aparecem a partir da metade da doença, e vão se intensificando conforme a doença vai avançando. É fato que as pessoas que mais sofrem com o Alzheimer são também as que estão mais propensas a desenvolver alucinações e problemas de orientação espacial. Elas também se tornam mais arredias aos cuidados dos familiares. Por isso, fique atento a alguns cuidados que você deve tomar quando o doente apresentar casos de delírios e alucinações.
Confira abaixo!
1- Devemos manter o doente em um espaço familiar e de fácil localização;
2- Não devemos alimentar as alucinações dos doentes, mas também não devemos discutir com eles, falando que o que eles estão vendo/dizendo não tem cabimento;
3- Procure manter conversas sobre assuntos coerentes e consistentes, como falar sobre acontecimentos recentes, por exemplo;
4- Para prender a atenção do doente, procure optar por atividades e temas dos quais o idoso gostava e tinha um bom resultado antes de se adoentar;
5- Caso o idoso venha a se perder, devemos manter a calma em primeiro lugar e agir com tranquilidade nas buscas. Ao encontrá-lo, tente tranquilizar o idoso, dizendo que já está tudo bem e que ele está indo para casa;
6- Deficiências auditivas e visuais também são responsáveis por estimular alguns delírios. Se as alucinações acontecem com mais frequência à noite, tente deixar a luz do quarto sempre acesa;
7- Procure identificar se há um fator desencadeante da alucinação, como um objeto de decoração ou uma planta que balança com o vento e produz algumas sombras;
8- É importante que você esteja ao lado do doente quando ele estiver com medo, sempre reconfortando-o e transmitindo segurança e proteção. Assim que ele se acalmar, procure mostrar algum objeto real no ambiente, preferencialmente algo do qual ele goste;
9- Ao acalmá-lo, tente explicar para o doente o que realmente está acontecendo; “olhe, é apenas a sombra da cortina na parede”, por exemplo. Deixe bem claro que nada de ruim vai acontecer com ele;
10- Em caso de confusão quanto ao entendimento das frases, procure repetir a informação pausadamente e quantas vezes for necessário, até que o doente consiga entender. Se o doente estiver um pouco afastado e desconfiado, evite falar baixo em sua presença;
11- As alucinações também podem ser desencadeadas pelo uso de certos medicamentos, por isso, comunique ao médico caso essas crises sejam constantes.
Os delírios se manifestam de formas variadas, como estranhar sua casa, cometer erros de identificação, acreditar que foi abandonado pelos familiares ou que seu esposo(a) foi infiel. Geralmente, os delírios aparecem a partir da metade da doença, e vão se intensificando conforme a doença vai avançando. É fato que as pessoas que mais sofrem com o Alzheimer são também as que estão mais propensas a desenvolver alucinações e problemas de orientação espacial. Elas também se tornam mais arredias aos cuidados dos familiares. Por isso, fique atento a alguns cuidados que você deve tomar quando o doente apresentar casos de delírios e alucinações.
Confira abaixo!
1- Devemos manter o doente em um espaço familiar e de fácil localização;
2- Não devemos alimentar as alucinações dos doentes, mas também não devemos discutir com eles, falando que o que eles estão vendo/dizendo não tem cabimento;
3- Procure manter conversas sobre assuntos coerentes e consistentes, como falar sobre acontecimentos recentes, por exemplo;
4- Para prender a atenção do doente, procure optar por atividades e temas dos quais o idoso gostava e tinha um bom resultado antes de se adoentar;
5- Caso o idoso venha a se perder, devemos manter a calma em primeiro lugar e agir com tranquilidade nas buscas. Ao encontrá-lo, tente tranquilizar o idoso, dizendo que já está tudo bem e que ele está indo para casa;
6- Deficiências auditivas e visuais também são responsáveis por estimular alguns delírios. Se as alucinações acontecem com mais frequência à noite, tente deixar a luz do quarto sempre acesa;
7- Procure identificar se há um fator desencadeante da alucinação, como um objeto de decoração ou uma planta que balança com o vento e produz algumas sombras;
8- É importante que você esteja ao lado do doente quando ele estiver com medo, sempre reconfortando-o e transmitindo segurança e proteção. Assim que ele se acalmar, procure mostrar algum objeto real no ambiente, preferencialmente algo do qual ele goste;
9- Ao acalmá-lo, tente explicar para o doente o que realmente está acontecendo; “olhe, é apenas a sombra da cortina na parede”, por exemplo. Deixe bem claro que nada de ruim vai acontecer com ele;
10- Em caso de confusão quanto ao entendimento das frases, procure repetir a informação pausadamente e quantas vezes for necessário, até que o doente consiga entender. Se o doente estiver um pouco afastado e desconfiado, evite falar baixo em sua presença;
11- As alucinações também podem ser desencadeadas pelo uso de certos medicamentos, por isso, comunique ao médico caso essas crises sejam constantes.
13 Formas de lidar com a agressividade gerada pelo Alzheimer
É de extrema importância que o familiar/cuidador consiga controlar as situações de ansiedade e agitação dos doentes de Alzheimer, porque estas podem gerar comportamentos cada vez mais agressivos.
A agressividade pode ser atribuída a múltiplos fatores, como dores, cansaço, remédios e um ambiente exigente. Veja abaixo 13 dicas sobre como agir em caso de agressividade por parte do doente de Alzheimer:
1 – Não enfrente o idoso e nem peça explicações. Também é importante manter a calma e não gritar ou provocar o doente – nem mesmo levantar o seu tom de voz.
2- Adote uma postura empática e receptiva. Dar um sorriso pode ser a melhor forma de evitar uma crise de agressividade.
3- Busque sempre o contato visual e aproxime-se do idoso aos poucos. Também é importante mostra-se solicito, perguntando ao idoso o que está acontecendo e se você pode ajudá-lo de alguma forma. Lembre-se de nunca realizar movimentos bruscos perto do doente, e muito menos tocá-lo sem que ele esteja esperando.
4- Tente antecipar esses quadros de agressividade, estando preparado para lidar com cada situação.
5 -Não o apresse na realização das atividades do dia a dia, na hora das refeições ou ao escovar os dentes, por exemplo. Isso pode deixá-lo irritado e aborrecido.
6- Você deve pensar nessas crises de agressividade como frutos da doença. Não fique triste ou irritado com o idoso por causa de seus descontroles, lembre-se de que é o Alzheimer agindo no corpo do doente.
7- Quando o doente estiver nervoso, procure chamar sua atenção para algo que possa acalmá-lo, como o som de uma música da qual ele goste. Retirar o idoso daquele ambiente para dar um passeio também é uma boa opção.
8- Evite cobranças e exigências aos doentes de Alzheimer. Forçá-los a realizar alguma tarefa, por exemplo, pode desencadear um acesso de raiva.
9- Em casos de crises de agressividade, procure desligar todos os estímulos sonoros e visuais, deixando o ambiente tranquilo e calmo para que o doente consiga se recuperar.
10- Sem deixá-lo ainda mais nervoso, procure saber qual o motivo daquela reação tão agressiva – para evitar que esta situação se repita no futuro.
11- Se o idoso estiver muito agressivo, retire do ambiente todos os objetivos pontiagudos e que possam causar algum ferimento – nele mesmo e em você.
12- Evite repreender o doente de forma brusca. Quando possível, procure sempre fazer elogios.
13 – Caso as crises de agressividade se tornem frequentes, busque a ajuda de um médico.
15 nutrientes que ajudam na concentração e na memória
Você sabia que existem alguns nutrientes que são capazes de melhorar ainda mais a sua concentração e memória Indicado tanto para pessoas que já possuem algum problema cognitivo, quanto para quem não possui, a ingestão desses alimentos, ricos em antioxidantes, é capaz de desacelerar o envelhecimento cerebral, afastando doenças como o Alzheimer e o Parkinson.
Outra dica importante é quanto à regularidade das refeições. O indicado é que façamos cerca de cinco refeições por dia, dando uma atenção especial ao café da manhã.
Confira a nossa lista com 15 tipos de alimentos que fazem bem para o cérebro:
1- Vitamina C
Um poderoso antioxidante, a Vitamina C ajuda na atividade química dos neurônios e estimula a memória e a concentração. Você encontra a Vitamina C em abundância em alimentos cítricos, como a acerola e o kiwi.
2- Vitamina B1 (tiamina)
Já a Vitamina B1 tem um papel fundamental no metabolismo dos carboidratos, principal fonte de energia das células. A vitamina B1 é encontrada em carnes, nozes, cereais e cervejas.
3-Vitamina B3 (Niacina)
Essa vitamina é muito importante no combate ao stress, além de ajudar no desenvolvimento da memória e concentração. A Vitamina B3 é facilmente encontrada em carnes, miúdos, produtos de trigo integral e produtos de farinha branca enriquecida, além de legumes e levedura fermentada.
4- Vitamina B6 (Piridoxina)
A Vitamina B6 é essencial para o sistema nervoso central, pois é a responsável por ajudar o cérebro a produzir os neurotransmissores. Ela pode ser encontrada em carnes vermelhas e fígado; grãos integrais, batatas, milho e vegetais verdes.
5 -Vitamina B12 (Cianocobalamina)
A Vitamina B12 é importante no tratamento de deficiências cerebrais e processos degenerativos, principalmente em doenças que comprometem as funções cognitivas, como o movimento. Alimentos ricos em Vitamina B12 são os de origem animal, como carnes, miúdos, leite em pó e produtos a base de leite e ovo.
6- Fisetina
A Fisetina permite que as memórias sejam armazenas no cérebro com mais facilidade, além de estabelecer fortes conexões com os neurônios. Esse processo é chamado de “potencialização a longo prazo”. Você pode encontrar a Fisetina nas frutas vermelhas, como o morango, tomates, cebolas, maçãs, pêssegos, kiwi e uvas.
7- Ômega 3
Você sabia que o ômega 3 é um ácido graxo que faz parte da massa cinzenta do cérebro? Pois é! Ele é o responsável pela comunicação entre as células nervosas, mantendo-as saudáveis. O ômega 3 também monitora a memória e a concentração, assim como o humor das pessoas. Você pode encontrar o ômega 3 nos peixes, como atum, cavala, arenque e salmão.
8- Carboidratos complexos
Os carboidratos complexos são os responsáveis por fornecer constantemente energia para o cérebro, ajudando na concentração. Fontes ricas de carboidratos complexos são os pães e arroz (de preferência integral), barras de cereais e frutas.
9- Cafeína
A cafeína ajuda a melhorar a memória e a concentração das pessoas, mas deve ser consumida de forma moderada. Ela é capaz de aumentar a atenção e a formação da memória, tanto em adultos quanto em crianças. A cafeína é facilmente encontrada no café, chá preto e chocolate amargo.
10- Vitamina E
No caso da Vitamina E, é a sua deficiência no organismo que causa graves danos ao cérebro, podendo provocar a diminuição de reflexos e sensibilidade vibratória – o que resulta na falta de concentração. Consuma a Vitamina E em alimentos como azeites vegetais, cereais e verduras frescas.
11 – Fósforo
O Fósforo atua diretamente na constituição da membrana celular e é fundamental para o bom funcionamento do cérebro. Seu consumo é indicado principalmente para estudantes, pois ajuda o corpo a não se sobrecarregar devido ao excesso de atividades mentais. Você pode encontrar o Fósforo em alimentos como o leite, a carne bovina, aves, peixes, ovos, cereais, leguminosas, frutas, chás e café.
12 – Ferro
O Ferro tem a função de levar oxigênio para o cérebro e demais tecidos. A diminuição do ferro em nosso corpo gera uma falta de oxigênio no cérebro, o que pode resultar em perda de memória, baixa concentração, apatia e perda de atenção. Grandes fontes de ferro são as carnes vermelhas, carnes de aves, peixes e mariscos crus. Vísceras como fígado, rim e coração também são indicados. De origem vegetal, as principais fontes são o agrião, couve, cheiro verde, feijão, fava, grão de bico, ervilha e lentilha, assim como grãos integrais ou enriquecidos.
13- Selênio
O Selênio tem um forte impacto sobre o cérebro e sua deficiência no corpo humano pode causar distúrbios nos neurotransmissores (responsáveis por repassar informações para o cérebro), sofrendo até alterações de humor. É fácil encontrar o Selênio em grãos, alho, carne, frutos do mar, castanha-do-pará, nozes, avelãs e abacate.
14- Zinco
O Zinco atua na atividade neural, na memória e na concentração, além de possuir ação anti-inflamatória. Ele tem uma espécie de função regulatória no organismo, protegendo os neurônios contra os radicais livres e preservando as membranas dos neurônios. Fontes ricas em Zinco são as carnes vermelhas, ovos, ostras, caranguejo, laticínios e fígado.
15 – Glicose
A falta da Glicose no nosso organismo, chamada de hipoglicemia, pode comprometer o raciocínio, atenção e concentração. Ela é uma espécie de combustível que impulsiona o funcionamento do cérebro. Cereais integrais, legumes e frutas são ótimas fontes de Glicose.
Ter atenção à nossa alimentação é fundamental para a nossa saúde, tanto do cérebro quanto do corpo todo. Quer saber mais dicas sobre alimentação? Clique aqui para ver os artigos sobre esse assunto no Portal do Conaz!
BURNOUT: SÍNDROME DE ESGOTAMENTO
Você está sem forças? Nada o alegra? Infelizmente pode tratar-se de um problema comum nos dias de hoje e que tem até nome: síndrome de esgotamento ou burnout — ou trabalhador queimado numa tradução livre. A boa notícia é a de que é possível combater esse problema.
Um site russo publicou a pesquisa de um conhecido psicoterapeuta austríaco, Alfried Langle, no qual são apresentados detalhes da síndrome. Com a autorização da fonte, o Incrível.club apresenta aqui os resultados da pesquisa.
A síndrome é um sintoma dos nossos tempos; é uma condição de esgotamento tamanha que nos leva a uma paralisia de forças e sentimentos que acaba se convertendo numa perda da vontade de viver. Os casos dessa síndrome são cada vez mais frequentes. Antes relacionada apenas a trabalhos sociais, a síndrome vem se espalhando também para outras profissões.
Uso excessivo da tecnologia, foco demasiado no consumo e materialismo são fatores que contribuem com o problema. A questão de fundo é a de que nos exploramos e deixamos que nos explorem.
Esgotamento leve
Todo mundo já deve ter sentido os sintomas do esgotamento leve. Descobrimos esses sinais depois de passar por uma forte tensão ou de termos terminado uma tarefa mais pesada. Por exemplo, quando nos preparamos para uma prova, atuando num projeto difícil, escrevendo uma tese ou cuidando de filhos pequenos. Às vezes, esses desafios requerem uma dose extra de energia e isso cobra seu preço.
Outro exemplo: médicos trabalhando durante uma epidemia têm muito mais trabalho e atuam sob pressão. É nessas horas que surgem os sintomas como irritabilidade, falta de desejo sexual, transtornos de sono, diminuição da motivação e sintomas depressivos. Esses sintomas caracterizam uma versão mais simples do esgotamento, que se manifesta por meio de reações psicológicas e fisiológicas em resposta a um stress mais forte.
A questão é que, quando a situação-gatilho do estresse termina, os sintomas desaparecem sozinhos. É o caso em que um fim de semana bem aproveitado ou uma temporada de férias já resolvem. Exercícios e um bom sono também ajudam a recarregar as baterias. Mas não se esqueça: sem essas medidas, seu corpo, tal qual um computador, entra em modo de economia de energia, como já mencionamos.
Na verdade, tanto o corpo quanto a psique foram ‘projetados’ para aguentar uma boa dose de estresse e tensão porque encarar esse tipo de situação faz parte de nossa vida e fazia parte da vida de nossos ancestrais. Por exemplo: se você tem de resgatar sua família de algum apuro. Não são casos simples que irão romper sua corda.
O problema, na verdade, é outro, são aquelas situações em que um desafio se emenda em outro e em outro e você não tem tempo para parar, se sentindo o tempo todo obrigado a cumprir com expectativas elevadas, com medo ou excessivamente ansioso por algo. Tudo isso leva a uma sobrecarga do sistema nervoso. A pessoa sobrecarrega os músculos e começa a sentir fisicamente a tensão. Alguns, inclusive, começam a ranger os dentes enquanto dormem. Eis um sintoma de esgotamento.
Esgotamento crônico
Se a tensão se torna crônica, a síndrome se manifesta como uma desordem generalizada.
Em 1974, o psiquiatra Freudenberger, de Nova York, publicou um artigo científico sobre voluntários que trabalharam em atividades sociais na igreja local. Neste texto, o especialista descreve que esses voluntários tinham sintomas parecidos com depressão. Em seu perfil, se detectavam sempre as mesmas características: a princípio, ficavam totalmente fascinados por suas atividades; em seguida, essa satisfação diminuía e, ao final, se desvanecia completamente, transformando-se em um punhado de cinzas.
Todos, enfim, manifestaram os mesmos sintomas: esgotamento mental e fadiga constante. Só de pensar que teriam de trabalhar, surgia uma fadiga. Contraíam doenças muito facilmente. Esse foi um dos conjuntos de sintomas.
Sobre seus sentimentos, bem, não eram lá muito fortes. Ocorreu algo que o psiquiatra chamou de ‘desumanização’. A atitude em relação àqueles que eles estavam ajudando e em relação às pessoas em geral mudou. Primeiro, era um tratamento amoroso e atento, que logo se tornou cínico e negativo. Também pioraram as relações com os colegas de trabalho que, por fim, se desdobrou num sentimento de culpa e num desejo de fugir de tudo. Trabalhavam menos e agiam como se fossem robôs..
© Кайли Спарр
Todos esses comportamentos têm uma certa lógica: se já não tenho força em meus sentimentos, não tenho forças para amar e escutar, e as pessoas se transformam num fardo para mim. Sinto que não posso correspondê-las, estar no mesmo nível e que suas expectativas são exageradas para mim. Então, são acionadas reações defensivas automáticas, o que, do ponto de vista da psique, é bastante sensato.
Como terceiro grupo de sintomas, o autor enumera a redução da produtividade. É quando a síndrome começa a prejudicar o trabalho. Segundo a pesquisa, os participantes já não estavam satisfeitos com seu trabalho e seus resultados. Se enxergavam como impotentes em relação a novos êxitos, estavam desacreditadas. Tudo era demais e os participantes relatavam que não estavam recebendo o reconhecimento que mereceriam.
Durante a pesquisa, Freudenberger descobriu que a síndrome do burnout não tem relação com o número de horas trabalhadas; sim, quanto mais se trabalha, mais seu aspecto emocional é afetado, mas a pessoa segue sendo produtiva por algum tempo. Conclusão: o processo tem sua própria dinâmica. É mais que um simples esgotamento, como veremos a seguir.
Etapas do esgotamento
Freudenberger criou uma escala de 12 níveis, que simplificaremos aqui:
1. A princípio, as pessoas com esgotamento têm um desejo obsessivo de afirmação (sou capaz de fazer algo), muitas vezes, inclusive, em forma de competição com colegas.
2. Em seguida, começa uma atitude negligente com as próprias necessidades. A pessoa se sente menos motivada para fazer exercício ou qualquer outra coisa de que goste; tem menos tempo para os outros e para si mesmo. Conversa com menos frequência.
3. No nível seguinte, não tem tempo para resolver conflitos e passa a ignorá-los. Mais adiante, passa a não percebê-los; não percebe, simplesmente, que há problemas. Se ausenta. Passa a se comportar como uma flor que está murchando.
4. Mais adiante, perde os sentimentos com respeito a si mesma; não sente. Se torna uma máquina que não pode parar, trabalhando no automático.
5. Na sequência, começa a sentir um vazio interior, se tornando depressiva.
Por fim (12ª etapa) a pessoa ‘quebra’, quase que literalmente, e cai doente, física e mentalmente, podendo, inclusive, ter pensamentos suicidas.
Uma vez, um paciente com esgotamento emocional veio a meu consultório. Sentou, suspirou e me disse: «Fico feliz de estar aqui». Parecia muito, muito esgotado. O caso é que ele sequer chegou a mim por sua conta. A consulta fora marcada por sua esposa, que queria a consulta o mais rápido possível. Marquei na data mais próxima, uma segunda-feira. E, no início da consulta, ele me confessou. «Me segurei para não me atirar pela janela durante o final de semana. Minha situação era insuportável».
E ali estava eu, diante de um executivo de enorme sucesso. Seus empregados mal suspeitavam de sua situação, que ele disfarçava bem. Durante muito tempo, a própria esposa não soube da enfermidade.
Mas, na etapa 11, ela se deu conta. O marido seguiu negando o problema por um tempo até que a pressão que recai sobre ele diminuiu e ele, então, se sentiu pronto para fazer algo. Eis um exemplo extremo de burnout.
Do entusiasmo à indiferença
Para designar com palavras mais simples como se manifesta o desgaste emocional, é possível recorrer à descrição do psicólogo alemão Matthias Burisch, que enumerou quatro etapas:
1. A primeira etapa é totalmente inofensiva, inclusive porque não é, ainda, um desgaste emocional de fato. Mas é preciso ficar atento: ao contrário do que se imagina, a pessoa se sente invadida por um entusiasmo excessivo, o que faz com que exija demais de si mesma. Esse processo de se cobrar pode durar semanas ou meses.
2. A segunda etapa é caracterizada por um esgotamento físico e emocional.
3. É na terceira etapa que se manifestam as primeiras reações defensivas; e o que faz uma pessoa com exigências exageradas? Foge das reações, se desumaniza. Trata-se, aqui, de um mecanismo de defesa para que o esgotamento não se agrave. Intuitivamente, a pessoa sente que precisa de um descanso e ‘tira o pé’ das relações sociais, que perdem a força, com contatos cada vez menos frequentes com outras pessoas. Claro, é uma reação justificável, mas que se manifesta numa área (a dos relacionamentos) nada adequada. Mais relaxada, a pessoa se isola de demandas e reclamações.
4. A quarta etapa reforça a anterior, e é a fase em que o esgotamento fica mais perceptível. Burisch denomina essa etapa ‘síndrome da repulsa’ e significa que a pessoa não sente qualquer alegria. Tudo provoca repúdio e enfado. Por exemplo, comi um peixe delicioso que, no entanto, me deu uma indisposição estomacal. No dia seguinte, o cheiro de peixe me dá asco. É uma reação defensiva à intoxicação e é mais ou menos assim que funciona.
Causa do esgotamento
Três aspectos se destacam quando falamos de causas do esgotamento. O primeiro é individual e psicológico — quando a pessoa simplesmente não liga de se entregar ao estresse. O segundo é social: a pressão que vem (bingo!) da sociedade, das exigências do trabalho, dos prazos cada vez mais curtos, das metas e das convenções sociais que nos obrigamos a cumprir. Por exemplo, se você acredita que todo ano deve fazer uma viagem internacional e, de repente não consegue e, nesse sentido, se considera inferior a seus amigos que ainda fazem esse tipo de viagem. Sim, esse tipo de pressão pode causar desgaste emocional
© Rachel Baran
As exigências mais dramáticas estão relacionadas, por exemplo, ao tempo no ambiente de trabalho — um “cerão” não remunerado que, caso o funcionário se negue a fazer, sinta que corre o risco de ser mandado embora.
As causas psicológicas (primeiro grupo) podem ser trabalhadas do modo tradicional, com terapias e tratamentos. Já o segundo tipo, para ser resolvido, exige uma mudança de programação mental: afinal, preciso, mesmo, trocar de carro a cada dois anos? A viagem ao exterior todo ano é imprescindível? Responder ‘não’ é simples, mas a resposta exige um auto convencimento ao qual nem todos estão dispostos.
Mas há, claro, o terceiro aspecto, relacionado à organização do trabalho. Se a pessoa possui pouca liberdade no ambiente de trabalho, se sofre algum tipo de ‘bulling’, é possível que esteja submetida a um estresse enorme. É o caso de uma reestruturação do meio.
Sentido não se compra
Nos limitamos a estudar as causas psicológicas. Nesse sentido, a causa do desgaste emocional está ligada a um vazio existencial. Viktor Frankl descreve o vazio existencial como o sofrimento por se sentir vazio e, assim, não encontrar um sentido.
Em sua pesquisa, realizada na Áustria com 271 médicos, apresentou os seguintes resultados. Os médicos que levavam uma vida cheia de sentido e não padeciam de vazio quase não sofriam desgaste emocional, mesmo trabalhando muitas horas por dia. Já os que mostravam um nível mais elevado de vazio emocional no trabalho apresentavam índices mais altos de esgotamento emocional, mesmo no caso de trabalharem menos.
Então, podemos, desde já tirar uma conclusão: não se pode comprar o sentido comum. Se sofro de um vazio interno, não importa o quanto ganhe, não será suficiente para comprar um sentido para minha existência. Não há recompensa. A síndrome do desgaste sempre nos confronta com as seguintes perguntas: «meu trabalho faz sentido pra mim?»; «encontramos algum valor pessoal em nossas tarefas». É desse sentido que estamos falando. Se perseguimos coisas que imaginamos ter sentido, como uma carreira, reconhecimento social ou o amor daqueles que nos cercam, então estamos nos equivocando. A busca por esses sentidos nos rouba muita energia e causa um estresse danado. E, como resultado, temos um déficit de sentido e experimentamos uma devastação, inclusive quando relaxamos.
Por outro lado, no outro extremo, nos sentimos realizados mesmo quando estamos cansados. Afinal, o dever cumprido, apesar do cansaço físico, não provoca desgaste emocional.
Para resumir, podemos dizer o seguinte: o desgaste emocional é um estado que chega como consequência de uma reação em cadeia que não nos permite sentir plenos e satisfeitos com o que estamos fazendo. Em outras palavras, se encontro um sentido no que estou fazendo, se sinto que estou fazendo algo interessante e importante, fico feliz e não há lugar para o esgotamento emocional. Não se pode, no entanto, confundir esses sentimentos com entusiasmo. O entusiasmo nem sempre está conectado com a plenitude.
A que me entrego
Outro aspecto ligado ao esgotamento emocional diz respeito à motivação. Por que estou fazendo algo? O que me atrai em meu trabalho? Se não posso pôr meu coração e minha alma e só me interessa o pagamento, estou, de alguma forma, me enganando.
É como se você estivesse diante de alguém falando, mas pensando em outras coisas: estou presente, mas só de corpo. Se não estou presente, de fato, em meu trabalho, em minha vida, então o problema é sério e não posso obter recompensas por isso, e não estamos falando de dinheiro. Você pode receber um belo contracheque no final do mês, mas não tem reconhecimento pelo que faz. Se não ponho minha alma no que faço e só tenho o trabalho como uma forma de alcançar outro objetivo, isso significa que estou abusando da situação.
Posso começar um projeto que promete render muito dinheiro. É algo a que não consigo resistir. Posso estar caindo na tentação que me levará ao esgotamento emocional. Bem, se esse tipo de situação acontece uma vez ou raramente, tudo ok. Mas se acontece o tempo todo, pode ser que eu esteja vivendo a reboque de minha própria vida. A que me dedico?
Certamente este é o ponto em que estarei embarcando na síndrome de esgotamento. Porque o mais provável é que entre de cabeça e não saiba a hora de parar; precisarei de um muro para me deter e, depois, bem depois, de um impulso que faça me mover novamente.
© Rachel Baran
Ok, talvez o exemplo do dinheiro seja superficial demais. A motivação poderia ser mais profunda: quando busco apenas obter reconhecimentos. Preciso de aplausos, bajulação. E, sem satisfazer essas necessidades narcisistas, morro de ansiedade. Olhando de fora, ninguém percebe, só os mais próximos irão perceber. Mas não vou comentar essa necessidade com aqueles que me cercam. Na verdade, nem eu mesmo percebo que preciso tanto de uma plateia.
Outra situação: preciso de segurança. Fui pobre quando era criança; usava a mesmas roupas puídas até que acabassem completamente. Por isso, vivia com vergonha. Prometi a mim mesmo que nunca mais passaria por aquilo. Conheci muitas pessoas que conquistaram a riqueza às custas de esgotamento emocional. Porque queriam a todo custo evitar a miséria e qualquer sinal condicionado a ela.
Sim, isso é compreensível. Mas pode levar a uma situação em que a pessoa se exige até o limite do esgotamento. Exigências infinitas. Por trás dessa aparente motivação, pode haver um vazio, a falta de algo, deficiência que, por sua vez, leva à autoexploração.
O valor da vida
Esta deficiência pode não só ser uma necessidade subjetivamente percebida, mas também um objetivo que você quer alcançar e que, no final das contas, o levará a um esgotamento emocional.
Como percebo minha vida? Com base nisso, posso traçar meus objetivos.
Os objetivos podem ser colocados por seus pais ou ‘descobertos’ por você mesmo. Por exemplo, quero conquistar algo material. Ou quero ter três filhos. Quero ser jornalista, médico, político. Assim, a pessoa se impõe uma meta.
Sim, isso é absolutamente normal. Quem de nós não tem ao menos um objetivo na vida? Mas, se os objetivos te enchem toda a vida, começam a pesar demais, então esses mesmos objetivos acabam por levá-lo a uma conduta rígida que, por fim, exigirá toda a sua energia. E aí, tudo o que você faz se converte em meios para atingi-los. E isso, em si, não tem valor, só o sobrecarregará.
«Que bom que aprenderei a tocar violino» é um exemplo de valor próprio. Mas, se ao aprender violino quero ser o primeiro violinista da Filarmônica de Berlim, então, estarei me comparando com outras pessoas o tempo todo. Sei que preciso praticar mais, tocar mais para atingir o objetivo, de tal maneira que a a orientação para o objetivo começa a prevalecer sobre a orientação em si de tocar violino. E aí surge a insuficiência da atitude interior. Estou fazendo algo, mas aquilo que faço não leva um sentimento interior e isso faz com que minha vida perca valor. Eu mesmo destruo o conteúdo interno para alcançar os objetivos.
Quando a pessoa deprecia desta maneira o valor interno das coisas, prestando pouca atenção a elas, passa a subestimar a própria vida. Ou seja, uso meu tempo para atingir a meta a que me propus, o que, por sua vez, conduz a uma perda das relações. Ao deixar de lado meus valores internos e o valor da vida, em si, entro em estresse.
Tudo que dissemos até agora pode se resumir da seguinte forma. O estresse que o leva ao esgotamento se relaciona com fazer algo sem seu sentimento interior, sem sentir o verdadeiro valor do que está fazendo, sem dar valor a si mesmo. E chegamos a um estado de pré-depressão.
Isso ocorre quando fazemos coisas demais ou simplesmente fazemos algo por fazer. Por exemplo, estou fazendo comida pensando, esperando, simplesmente que esteja pronta logo. E me alegro quando posso servi-la. A questão é: se me alegro por algo que terminou — simplesmente porque terminou! — em nenhum momento, enxerguei valor no processo, em si. O fazer comida simplesmente não foi importante pra mim.
Se isso acontece com frequência, então estamos felizes porque a vida está passando — e talvez esteja chegando ao fim — e não participamos efetivamente dela. Queremos o fim, a morte. Se você simplesmente age, sem sentir, lamentamos, mas você não está vivendo, está apenas esperando que acabe sem, de fato, tomar parte nela.
O esgotamento é um aviso psicológico que nos passam de que estamos sendo passageiros de nossas próprias vidas.
Pessoas que, na maior parte do tempo fazem algo sem envolvimento não recebem nada da vida — porque não querem receber. Não sentem alegria e, cedo ou tarde, enfrentarão a síndrome de esgotamento.
Prevenindo o esgotamento
O que fazer para prevenir a síndrome de esgotamento? Muitos aspectos se resolvem sozinhos se você identifica a causa do problema. Se entende que pode resolver a situação mergulhando em si mesmo e falando sobre a situação com pessoas próximas. Eu deveria estar vivendo dessa forma?
Eu mesmo me sentia assim há uns dois anos. Iria escrever um livro durante o verão. Com todas as minhas anotações, fui à casa de campo. Vim, me estabeleci, fui dar uma volta, falei com os vizinhos. No dia seguinte, fiz a mesma coisa. Chamei meus amigos e nos encontramos. E no terceiro dia, tudo igual. A verdade é que a premência de começar a escrever me batia às portas, mas não conseguia reunir forças para isso. Tentei lembrar de que aquilo era meu dever, que os editores esperavam o material. E isso, por sua vez, representava uma pressão.
Foi então que me dei conta de que se tratava da síndrome de esgotamento. E me disse: provavelmente, preciso de mais tempo e, com certeza, o desejo retornará. E me permiti observar. Porque, a cada ano, sentia a inspiração, mas, naquele, nada de ela aparecer e, até o final do verão eu sequer havia aberto meu caderno de anotações. Não escrevi uma frase. Mas descansei e fiz coisas maravilhosas.
Afinal, aquela situação tinha sido negativa ou positiva? — me perguntei. Cheguei à conclusão de que não cumpri meu dever e aquilo foi um fracasso. Mas, se era assim, se simplesmente não consegui fazer o que deveria ter feito, então foi melhor ter ficado parado. Afinal, eu estava esgotado e antes do verão havia feito muitas coisas, e o ano acadêmico havia sido, de fato, pesado.
Mas, sim, tive uma batalha interior. Pensava, contemplava, refletia sobre o que, de fato, importava em minha vida. E, como resultado, duvidei de que escrever aquele livro fosse, de fato, importante em minha vida. Mais importante é viver, estar aqui, ter relações que valham a pena. O fato é que não sabemos quanto tempo ainda nos resta.
Em geral, o tratamento da síndrome de esgotamento começa com uma descarga emocional; dê a você mesmo mais tempo para cumprir suas tarefas, delegue responsabilidades, coloque metas realistas. Há muito que discutir nesse ponto, afinal, é onde nos encontramos com as estruturas mais profundas de nossa existência. Trata-se de nossa atitude diante da vida; é preciso que nossos objetivos sejam autênticos e falem com nossa alma.
Se a síndrome de esgotamento tem uma característica mais marcante em você, o mais recomendável é ir a um médico, incapacitar-se por um momento, descansar fisicamente. Ou simplesmente dar um tempo, desligar das obrigações.
A questão é que as pessoas que padecem da síndrome simplesmente não se podem permitir esse tipo de atitude. Se está incapacitada, segue exigindo demais de si mesma, de tal maneira que não pode descarregar todo o peso que carrega sobre as costas.
As pessoas sobre remorsos habitualmente. E aí, com a chegada de outros distúrbios associados, o esgotamento só tende a piorar.
Os medicamentos podem ajudar por algum tempo, mas não são a solução. A saúde física é a base. É preciso trabalhar também as necessidades, deficiências internas, objetivos e, claro, expectativas de vida.
É preciso pensar de que maneira é possível reduzir a pressão por parte da sociedade, em como se proteger disso. Em algumas situações, é saudável abrir mão de um cargo no trabalho.
No caso mais grave que presenciei em meu consultório, o paciente precisou se desligar completamente do trabalho por 4-5 meses. Mas, após regressar ao escritório, encontrou um estilo novo de realizar tarefas, pois, caso contrário, dentro de pouco tempo estaria esgotado novamente. Claro, se você trabalha duro ao longo de 30 anos, é muito difícil mudar. Mas é necessário.
É possível prevenir a síndrome do esgotamento fazendo algumas perguntas simples:
1. Por que estou fazendo o que faço? Para que vou todos os dias à faculdade? Para que estou escrevendo um livro ou me envolvi num determinado projeto? Qual o sentido disso? Me representa algum valor?
2. Gosto do que estou fazendo? Amo fazer? Sinto que é bom? Bom o suficiente para eu fazer com alma? O que estou fazendo me alegra? Provavelmente nem sempre vai ser assim, claro. Mas a alegria e a satisfação têm de prevalecer.
No final de tudo, lá no fundo, a pergunta que se deve fazer é bastante pessoal: afinal, quero viver para isso? Se em meu leito de morte, no mais íntimo dos balanços vou pensar: valeu a pena viver?
Você está sem forças? Nada o alegra? Infelizmente pode trata-se de um problema comum nos dias de hoje e que tem até nome: síndrome de esgotamento ou burnout
Você está sem forças? Nada o alegra? Infelizmente pode tratar-se de um problema comum nos dias de hoje e que tem até nome: síndrome de esgotamento ou burnout — ou trabalhador queimado numa tradução livre. A boa notícia é a de que é possível combater esse problema.
Um site russo publicou a pesquisa de um conhecido psicoterapeuta austríaco, Alfried Langle, no qual são apresentados detalhes da síndrome. Com a autorização da fonte, o Incrível.club apresenta aqui os resultados da pesquisa.
A síndrome é um sintoma dos nossos tempos; é uma condição de esgotamento tamanha que nos leva a uma paralisia de forças e sentimentos que acaba se convertendo numa perda da vontade de viver. Os casos dessa síndrome são cada vez mais frequentes. Antes relacionada apenas a trabalhos sociais, a síndrome vem se espalhando também para outras profissões.
Uso excessivo da tecnologia, foco demasiado no consumo e materialismo são fatores que contribuem com o problema. A questão de fundo é a de que nos exploramos e deixamos que nos explorem.
Esgotamento leve
Todo mundo já deve ter sentido os sintomas do esgotamento leve. Descobrimos esses sinais depois de passar por uma forte tensão ou de termos terminado uma tarefa mais pesada. Por exemplo, quando nos preparamos para uma prova, atuando num projeto difícil, escrevendo uma tese ou cuidando de filhos pequenos. Às vezes, esses desafios requerem uma dose extra de energia e isso cobra seu preço.
Outro exemplo: médicos trabalhando durante uma epidemia têm muito mais trabalho e atuam sob pressão. É nessas horas que surgem os sintomas como irritabilidade, falta de desejo sexual, transtornos de sono, diminuição da motivação e sintomas depressivos. Esses sintomas caracterizam uma versão mais simples do esgotamento, que se manifesta por meio de reações psicológicas e fisiológicas em resposta a um stress mais forte.
A questão é que, quando a situação-gatilho do estresse termina, os sintomas desaparecem sozinhos. É o caso em que um fim de semana bem aproveitado ou uma temporada de férias já resolvem. Exercícios e um bom sono também ajudam a recarregar as baterias. Mas não se esqueça: sem essas medidas, seu corpo, tal qual um computador, entra em modo de economia de energia, como já mencionamos.
Na verdade, tanto o corpo quanto a psique foram ‘projetados’ para aguentar uma boa dose de estresse e tensão porque encarar esse tipo de situação faz parte de nossa vida e fazia parte da vida de nossos ancestrais. Por exemplo: se você tem de resgatar sua família de algum apuro. Não são casos simples que irão romper sua corda.
O problema, na verdade, é outro, são aquelas situações em que um desafio se emenda em outro e em outro e você não tem tempo para parar, se sentindo o tempo todo obrigado a cumprir com expectativas elevadas, com medo ou excessivamente ansioso por algo. Tudo isso leva a uma sobrecarga do sistema nervoso. A pessoa sobrecarrega os músculos e começa a sentir fisicamente a tensão. Alguns, inclusive, começam a ranger os dentes enquanto dormem. Eis um sintoma de esgotamento.
Esgotamento crônico
Se a tensão se torna crônica, a síndrome se manifesta como uma desordem generalizada.
Em 1974, o psiquiatra Freudenberger, de Nova York, publicou um artigo científico sobre voluntários que trabalharam em atividades sociais na igreja local. Neste texto, o especialista descreve que esses voluntários tinham sintomas parecidos com depressão. Em seu perfil, se detectavam sempre as mesmas características: a princípio, ficavam totalmente fascinados por suas atividades; em seguida, essa satisfação diminuía e, ao final, se desvanecia completamente, transformando-se em um punhado de cinzas.
Todos, enfim, manifestaram os mesmos sintomas: esgotamento mental e fadiga constante. Só de pensar que teriam de trabalhar, surgia uma fadiga. Contraíam doenças muito facilmente. Esse foi um dos conjuntos de sintomas.
Sobre seus sentimentos, bem, não eram lá muito fortes. Ocorreu algo que o psiquiatra chamou de ‘desumanização’. A atitude em relação àqueles que eles estavam ajudando e em relação às pessoas em geral mudou. Primeiro, era um tratamento amoroso e atento, que logo se tornou cínico e negativo. Também pioraram as relações com os colegas de trabalho que, por fim, se desdobrou num sentimento de culpa e num desejo de fugir de tudo. Trabalhavam menos e agiam como se fossem robôs..
© Кайли Спарр
Todos esses comportamentos têm uma certa lógica: se já não tenho força em meus sentimentos, não tenho forças para amar e escutar, e as pessoas se transformam num fardo para mim. Sinto que não posso correspondê-las, estar no mesmo nível e que suas expectativas são exageradas para mim. Então, são acionadas reações defensivas automáticas, o que, do ponto de vista da psique, é bastante sensato.
Como terceiro grupo de sintomas, o autor enumera a redução da produtividade. É quando a síndrome começa a prejudicar o trabalho. Segundo a pesquisa, os participantes já não estavam satisfeitos com seu trabalho e seus resultados. Se enxergavam como impotentes em relação a novos êxitos, estavam desacreditadas. Tudo era demais e os participantes relatavam que não estavam recebendo o reconhecimento que mereceriam.
Durante a pesquisa, Freudenberger descobriu que a síndrome do burnout não tem relação com o número de horas trabalhadas; sim, quanto mais se trabalha, mais seu aspecto emocional é afetado, mas a pessoa segue sendo produtiva por algum tempo. Conclusão: o processo tem sua própria dinâmica. É mais que um simples esgotamento, como veremos a seguir.
Etapas do esgotamento
Freudenberger criou uma escala de 12 níveis, que simplificaremos aqui:
1. A princípio, as pessoas com esgotamento têm um desejo obsessivo de afirmação (sou capaz de fazer algo), muitas vezes, inclusive, em forma de competição com colegas.
2. Em seguida, começa uma atitude negligente com as próprias necessidades. A pessoa se sente menos motivada para fazer exercício ou qualquer outra coisa de que goste; tem menos tempo para os outros e para si mesmo. Conversa com menos frequência.
3. No nível seguinte, não tem tempo para resolver conflitos e passa a ignorá-los. Mais adiante, passa a não percebê-los; não percebe, simplesmente, que há problemas. Se ausenta. Passa a se comportar como uma flor que está murchando.
4. Mais adiante, perde os sentimentos com respeito a si mesma; não sente. Se torna uma máquina que não pode parar, trabalhando no automático.
5. Na sequência, começa a sentir um vazio interior, se tornando depressiva.
Por fim (12ª etapa) a pessoa ‘quebra’, quase que literalmente, e cai doente, física e mentalmente, podendo, inclusive, ter pensamentos suicidas.
Uma vez, um paciente com esgotamento emocional veio a meu consultório. Sentou, suspirou e me disse: «Fico feliz de estar aqui». Parecia muito, muito esgotado. O caso é que ele sequer chegou a mim por sua conta. A consulta fora marcada por sua esposa, que queria a consulta o mais rápido possível. Marquei na data mais próxima, uma segunda-feira. E, no início da consulta, ele me confessou. «Me segurei para não me atirar pela janela durante o final de semana. Minha situação era insuportável».
E ali estava eu, diante de um executivo de enorme sucesso. Seus empregados mal suspeitavam de sua situação, que ele disfarçava bem. Durante muito tempo, a própria esposa não soube da enfermidade.
Mas, na etapa 11, ela se deu conta. O marido seguiu negando o problema por um tempo até que a pressão que recai sobre ele diminuiu e ele, então, se sentiu pronto para fazer algo. Eis um exemplo extremo de burnout.
Do entusiasmo à indiferença
Para designar com palavras mais simples como se manifesta o desgaste emocional, é possível recorrer à descrição do psicólogo alemão Matthias Burisch, que enumerou quatro etapas:
1. A primeira etapa é totalmente inofensiva, inclusive porque não é, ainda, um desgaste emocional de fato. Mas é preciso ficar atento: ao contrário do que se imagina, a pessoa se sente invadida por um entusiasmo excessivo, o que faz com que exija demais de si mesma. Esse processo de se cobrar pode durar semanas ou meses.
2. A segunda etapa é caracterizada por um esgotamento físico e emocional.
3. É na terceira etapa que se manifestam as primeiras reações defensivas; e o que faz uma pessoa com exigências exageradas? Foge das reações, se desumaniza. Trata-se, aqui, de um mecanismo de defesa para que o esgotamento não se agrave. Intuitivamente, a pessoa sente que precisa de um descanso e ‘tira o pé’ das relações sociais, que perdem a força, com contatos cada vez menos frequentes com outras pessoas. Claro, é uma reação justificável, mas que se manifesta numa área (a dos relacionamentos) nada adequada. Mais relaxada, a pessoa se isola de demandas e reclamações.
4. A quarta etapa reforça a anterior, e é a fase em que o esgotamento fica mais perceptível. Burisch denomina essa etapa ‘síndrome da repulsa’ e significa que a pessoa não sente qualquer alegria. Tudo provoca repúdio e enfado. Por exemplo, comi um peixe delicioso que, no entanto, me deu uma indisposição estomacal. No dia seguinte, o cheiro de peixe me dá asco. É uma reação defensiva à intoxicação e é mais ou menos assim que funciona.
Causa do esgotamento
Três aspectos se destacam quando falamos de causas do esgotamento. O primeiro é individual e psicológico — quando a pessoa simplesmente não liga de se entregar ao estresse. O segundo é social: a pressão que vem (bingo!) da sociedade, das exigências do trabalho, dos prazos cada vez mais curtos, das metas e das convenções sociais que nos obrigamos a cumprir. Por exemplo, se você acredita que todo ano deve fazer uma viagem internacional e, de repente não consegue e, nesse sentido, se considera inferior a seus amigos que ainda fazem esse tipo de viagem. Sim, esse tipo de pressão pode causar desgaste emocional
© Rachel Baran
As exigências mais dramáticas estão relacionadas, por exemplo, ao tempo no ambiente de trabalho — um “cerão” não remunerado que, caso o funcionário se negue a fazer, sinta que corre o risco de ser mandado embora.
As causas psicológicas (primeiro grupo) podem ser trabalhadas do modo tradicional, com terapias e tratamentos. Já o segundo tipo, para ser resolvido, exige uma mudança de programação mental: afinal, preciso, mesmo, trocar de carro a cada dois anos? A viagem ao exterior todo ano é imprescindível? Responder ‘não’ é simples, mas a resposta exige um auto convencimento ao qual nem todos estão dispostos.
Mas há, claro, o terceiro aspecto, relacionado à organização do trabalho. Se a pessoa possui pouca liberdade no ambiente de trabalho, se sofre algum tipo de ‘bulling’, é possível que esteja submetida a um estresse enorme. É o caso de uma reestruturação do meio.
Sentido não se compra
Nos limitamos a estudar as causas psicológicas. Nesse sentido, a causa do desgaste emocional está ligada a um vazio existencial. Viktor Frankl descreve o vazio existencial como o sofrimento por se sentir vazio e, assim, não encontrar um sentido.
Em sua pesquisa, realizada na Áustria com 271 médicos, apresentou os seguintes resultados. Os médicos que levavam uma vida cheia de sentido e não padeciam de vazio quase não sofriam desgaste emocional, mesmo trabalhando muitas horas por dia. Já os que mostravam um nível mais elevado de vazio emocional no trabalho apresentavam índices mais altos de esgotamento emocional, mesmo no caso de trabalharem menos.
Então, podemos, desde já tirar uma conclusão: não se pode comprar o sentido comum. Se sofro de um vazio interno, não importa o quanto ganhe, não será suficiente para comprar um sentido para minha existência. Não há recompensa. A síndrome do desgaste sempre nos confronta com as seguintes perguntas: «meu trabalho faz sentido pra mim?»; «encontramos algum valor pessoal em nossas tarefas». É desse sentido que estamos falando. Se perseguimos coisas que imaginamos ter sentido, como uma carreira, reconhecimento social ou o amor daqueles que nos cercam, então estamos nos equivocando. A busca por esses sentidos nos rouba muita energia e causa um estresse danado. E, como resultado, temos um déficit de sentido e experimentamos uma devastação, inclusive quando relaxamos.
Por outro lado, no outro extremo, nos sentimos realizados mesmo quando estamos cansados. Afinal, o dever cumprido, apesar do cansaço físico, não provoca desgaste emocional.
Para resumir, podemos dizer o seguinte: o desgaste emocional é um estado que chega como consequência de uma reação em cadeia que não nos permite sentir plenos e satisfeitos com o que estamos fazendo. Em outras palavras, se encontro um sentido no que estou fazendo, se sinto que estou fazendo algo interessante e importante, fico feliz e não há lugar para o esgotamento emocional. Não se pode, no entanto, confundir esses sentimentos com entusiasmo. O entusiasmo nem sempre está conectado com a plenitude.
A que me entrego
Outro aspecto ligado ao esgotamento emocional diz respeito à motivação. Por que estou fazendo algo? O que me atrai em meu trabalho? Se não posso pôr meu coração e minha alma e só me interessa o pagamento, estou, de alguma forma, me enganando.
É como se você estivesse diante de alguém falando, mas pensando em outras coisas: estou presente, mas só de corpo. Se não estou presente, de fato, em meu trabalho, em minha vida, então o problema é sério e não posso obter recompensas por isso, e não estamos falando de dinheiro. Você pode receber um belo contracheque no final do mês, mas não tem reconhecimento pelo que faz. Se não ponho minha alma no que faço e só tenho o trabalho como uma forma de alcançar outro objetivo, isso significa que estou abusando da situação.
Posso começar um projeto que promete render muito dinheiro. É algo a que não consigo resistir. Posso estar caindo na tentação que me levará ao esgotamento emocional. Bem, se esse tipo de situação acontece uma vez ou raramente, tudo ok. Mas se acontece o tempo todo, pode ser que eu esteja vivendo a reboque de minha própria vida. A que me dedico?
Certamente este é o ponto em que estarei embarcando na síndrome de esgotamento. Porque o mais provável é que entre de cabeça e não saiba a hora de parar; precisarei de um muro para me deter e, depois, bem depois, de um impulso que faça me mover novamente.
© Rachel Baran
Ok, talvez o exemplo do dinheiro seja superficial demais. A motivação poderia ser mais profunda: quando busco apenas obter reconhecimentos. Preciso de aplausos, bajulação. E, sem satisfazer essas necessidades narcisistas, morro de ansiedade. Olhando de fora, ninguém percebe, só os mais próximos irão perceber. Mas não vou comentar essa necessidade com aqueles que me cercam. Na verdade, nem eu mesmo percebo que preciso tanto de uma plateia.
Outra situação: preciso de segurança. Fui pobre quando era criança; usava a mesmas roupas puídas até que acabassem completamente. Por isso, vivia com vergonha. Prometi a mim mesmo que nunca mais passaria por aquilo. Conheci muitas pessoas que conquistaram a riqueza às custas de esgotamento emocional. Porque queriam a todo custo evitar a miséria e qualquer sinal condicionado a ela.
Sim, isso é compreensível. Mas pode levar a uma situação em que a pessoa se exige até o limite do esgotamento. Exigências infinitas. Por trás dessa aparente motivação, pode haver um vazio, a falta de algo, deficiência que, por sua vez, leva à autoexploração.
O valor da vida
Esta deficiência pode não só ser uma necessidade subjetivamente percebida, mas também um objetivo que você quer alcançar e que, no final das contas, o levará a um esgotamento emocional.
Como percebo minha vida? Com base nisso, posso traçar meus objetivos.
Os objetivos podem ser colocados por seus pais ou ‘descobertos’ por você mesmo. Por exemplo, quero conquistar algo material. Ou quero ter três filhos. Quero ser jornalista, médico, político. Assim, a pessoa se impõe uma meta.
Sim, isso é absolutamente normal. Quem de nós não tem ao menos um objetivo na vida? Mas, se os objetivos te enchem toda a vida, começam a pesar demais, então esses mesmos objetivos acabam por levá-lo a uma conduta rígida que, por fim, exigirá toda a sua energia. E aí, tudo o que você faz se converte em meios para atingi-los. E isso, em si, não tem valor, só o sobrecarregará.
«Que bom que aprenderei a tocar violino» é um exemplo de valor próprio. Mas, se ao aprender violino quero ser o primeiro violinista da Filarmônica de Berlim, então, estarei me comparando com outras pessoas o tempo todo. Sei que preciso praticar mais, tocar mais para atingir o objetivo, de tal maneira que a a orientação para o objetivo começa a prevalecer sobre a orientação em si de tocar violino. E aí surge a insuficiência da atitude interior. Estou fazendo algo, mas aquilo que faço não leva um sentimento interior e isso faz com que minha vida perca valor. Eu mesmo destruo o conteúdo interno para alcançar os objetivos.
Quando a pessoa deprecia desta maneira o valor interno das coisas, prestando pouca atenção a elas, passa a subestimar a própria vida. Ou seja, uso meu tempo para atingir a meta a que me propus, o que, por sua vez, conduz a uma perda das relações. Ao deixar de lado meus valores internos e o valor da vida, em si, entro em estresse.
Tudo que dissemos até agora pode se resumir da seguinte forma. O estresse que o leva ao esgotamento se relaciona com fazer algo sem seu sentimento interior, sem sentir o verdadeiro valor do que está fazendo, sem dar valor a si mesmo. E chegamos a um estado de pré-depressão.
Isso ocorre quando fazemos coisas demais ou simplesmente fazemos algo por fazer. Por exemplo, estou fazendo comida pensando, esperando, simplesmente que esteja pronta logo. E me alegro quando posso servi-la. A questão é: se me alegro por algo que terminou — simplesmente porque terminou! — em nenhum momento, enxerguei valor no processo, em si. O fazer comida simplesmente não foi importante pra mim.
Se isso acontece com frequência, então estamos felizes porque a vida está passando — e talvez esteja chegando ao fim — e não participamos efetivamente dela. Queremos o fim, a morte. Se você simplesmente age, sem sentir, lamentamos, mas você não está vivendo, está apenas esperando que acabe sem, de fato, tomar parte nela.
O esgotamento é um aviso psicológico que nos passam de que estamos sendo passageiros de nossas próprias vidas.
Pessoas que, na maior parte do tempo fazem algo sem envolvimento não recebem nada da vida — porque não querem receber. Não sentem alegria e, cedo ou tarde, enfrentarão a síndrome de esgotamento.
Prevenindo o esgotamento
O que fazer para prevenir a síndrome de esgotamento? Muitos aspectos se resolvem sozinhos se você identifica a causa do problema. Se entende que pode resolver a situação mergulhando em si mesmo e falando sobre a situação com pessoas próximas. Eu deveria estar vivendo dessa forma?
Eu mesmo me sentia assim há uns dois anos. Iria escrever um livro durante o verão. Com todas as minhas anotações, fui à casa de campo. Vim, me estabeleci, fui dar uma volta, falei com os vizinhos. No dia seguinte, fiz a mesma coisa. Chamei meus amigos e nos encontramos. E no terceiro dia, tudo igual. A verdade é que a premência de começar a escrever me batia às portas, mas não conseguia reunir forças para isso. Tentei lembrar de que aquilo era meu dever, que os editores esperavam o material. E isso, por sua vez, representava uma pressão.
Foi então que me dei conta de que se tratava da síndrome de esgotamento. E me disse: provavelmente, preciso de mais tempo e, com certeza, o desejo retornará. E me permiti observar. Porque, a cada ano, sentia a inspiração, mas, naquele, nada de ela aparecer e, até o final do verão eu sequer havia aberto meu caderno de anotações. Não escrevi uma frase. Mas descansei e fiz coisas maravilhosas.
Afinal, aquela situação tinha sido negativa ou positiva? — me perguntei. Cheguei à conclusão de que não cumpri meu dever e aquilo foi um fracasso. Mas, se era assim, se simplesmente não consegui fazer o que deveria ter feito, então foi melhor ter ficado parado. Afinal, eu estava esgotado e antes do verão havia feito muitas coisas, e o ano acadêmico havia sido, de fato, pesado.
Mas, sim, tive uma batalha interior. Pensava, contemplava, refletia sobre o que, de fato, importava em minha vida. E, como resultado, duvidei de que escrever aquele livro fosse, de fato, importante em minha vida. Mais importante é viver, estar aqui, ter relações que valham a pena. O fato é que não sabemos quanto tempo ainda nos resta.
Em geral, o tratamento da síndrome de esgotamento começa com uma descarga emocional; dê a você mesmo mais tempo para cumprir suas tarefas, delegue responsabilidades, coloque metas realistas. Há muito que discutir nesse ponto, afinal, é onde nos encontramos com as estruturas mais profundas de nossa existência. Trata-se de nossa atitude diante da vida; é preciso que nossos objetivos sejam autênticos e falem com nossa alma.
Se a síndrome de esgotamento tem uma característica mais marcante em você, o mais recomendável é ir a um médico, incapacitar-se por um momento, descansar fisicamente. Ou simplesmente dar um tempo, desligar das obrigações.
A questão é que as pessoas que padecem da síndrome simplesmente não se podem permitir esse tipo de atitude. Se está incapacitada, segue exigindo demais de si mesma, de tal maneira que não pode descarregar todo o peso que carrega sobre as costas.
As pessoas sobre remorsos habitualmente. E aí, com a chegada de outros distúrbios associados, o esgotamento só tende a piorar.
Os medicamentos podem ajudar por algum tempo, mas não são a solução. A saúde física é a base. É preciso trabalhar também as necessidades, deficiências internas, objetivos e, claro, expectativas de vida.
É preciso pensar de que maneira é possível reduzir a pressão por parte da sociedade, em como se proteger disso. Em algumas situações, é saudável abrir mão de um cargo no trabalho.
No caso mais grave que presenciei em meu consultório, o paciente precisou se desligar completamente do trabalho por 4-5 meses. Mas, após regressar ao escritório, encontrou um estilo novo de realizar tarefas, pois, caso contrário, dentro de pouco tempo estaria esgotado novamente. Claro, se você trabalha duro ao longo de 30 anos, é muito difícil mudar. Mas é necessário.
É possível prevenir a síndrome do esgotamento fazendo algumas perguntas simples:
1. Por que estou fazendo o que faço? Para que vou todos os dias à faculdade? Para que estou escrevendo um livro ou me envolvi num determinado projeto? Qual o sentido disso? Me representa algum valor?
2. Gosto do que estou fazendo? Amo fazer? Sinto que é bom? Bom o suficiente para eu fazer com alma? O que estou fazendo me alegra? Provavelmente nem sempre vai ser assim, claro. Mas a alegria e a satisfação têm de prevalecer.
No final de tudo, lá no fundo, a pergunta que se deve fazer é bastante pessoal: afinal, quero viver para isso? Se em meu leito de morte, no mais íntimo dos balanços vou pensar: valeu a pena viver?
Um site russo publicou a pesquisa de um conhecido psicoterapeuta austríaco, Alfried Langle, no qual são apresentados detalhes da síndrome. Com a autorização da fonte, o Incrível.club apresenta aqui os resultados da pesquisa.
A síndrome é um sintoma dos nossos tempos; é uma condição de esgotamento tamanha que nos leva a uma paralisia de forças e sentimentos que acaba se convertendo numa perda da vontade de viver. Os casos dessa síndrome são cada vez mais frequentes. Antes relacionada apenas a trabalhos sociais, a síndrome vem se espalhando também para outras profissões.
Uso excessivo da tecnologia, foco demasiado no consumo e materialismo são fatores que contribuem com o problema. A questão de fundo é a de que nos exploramos e deixamos que nos explorem.
Esgotamento leve
Todo mundo já deve ter sentido os sintomas do esgotamento leve. Descobrimos esses sinais depois de passar por uma forte tensão ou de termos terminado uma tarefa mais pesada. Por exemplo, quando nos preparamos para uma prova, atuando num projeto difícil, escrevendo uma tese ou cuidando de filhos pequenos. Às vezes, esses desafios requerem uma dose extra de energia e isso cobra seu preço.
Outro exemplo: médicos trabalhando durante uma epidemia têm muito mais trabalho e atuam sob pressão. É nessas horas que surgem os sintomas como irritabilidade, falta de desejo sexual, transtornos de sono, diminuição da motivação e sintomas depressivos. Esses sintomas caracterizam uma versão mais simples do esgotamento, que se manifesta por meio de reações psicológicas e fisiológicas em resposta a um stress mais forte.
A questão é que, quando a situação-gatilho do estresse termina, os sintomas desaparecem sozinhos. É o caso em que um fim de semana bem aproveitado ou uma temporada de férias já resolvem. Exercícios e um bom sono também ajudam a recarregar as baterias. Mas não se esqueça: sem essas medidas, seu corpo, tal qual um computador, entra em modo de economia de energia, como já mencionamos.
Na verdade, tanto o corpo quanto a psique foram ‘projetados’ para aguentar uma boa dose de estresse e tensão porque encarar esse tipo de situação faz parte de nossa vida e fazia parte da vida de nossos ancestrais. Por exemplo: se você tem de resgatar sua família de algum apuro. Não são casos simples que irão romper sua corda.
O problema, na verdade, é outro, são aquelas situações em que um desafio se emenda em outro e em outro e você não tem tempo para parar, se sentindo o tempo todo obrigado a cumprir com expectativas elevadas, com medo ou excessivamente ansioso por algo. Tudo isso leva a uma sobrecarga do sistema nervoso. A pessoa sobrecarrega os músculos e começa a sentir fisicamente a tensão. Alguns, inclusive, começam a ranger os dentes enquanto dormem. Eis um sintoma de esgotamento.
Esgotamento crônico
Se a tensão se torna crônica, a síndrome se manifesta como uma desordem generalizada.
Em 1974, o psiquiatra Freudenberger, de Nova York, publicou um artigo científico sobre voluntários que trabalharam em atividades sociais na igreja local. Neste texto, o especialista descreve que esses voluntários tinham sintomas parecidos com depressão. Em seu perfil, se detectavam sempre as mesmas características: a princípio, ficavam totalmente fascinados por suas atividades; em seguida, essa satisfação diminuía e, ao final, se desvanecia completamente, transformando-se em um punhado de cinzas.
Todos, enfim, manifestaram os mesmos sintomas: esgotamento mental e fadiga constante. Só de pensar que teriam de trabalhar, surgia uma fadiga. Contraíam doenças muito facilmente. Esse foi um dos conjuntos de sintomas.
Sobre seus sentimentos, bem, não eram lá muito fortes. Ocorreu algo que o psiquiatra chamou de ‘desumanização’. A atitude em relação àqueles que eles estavam ajudando e em relação às pessoas em geral mudou. Primeiro, era um tratamento amoroso e atento, que logo se tornou cínico e negativo. Também pioraram as relações com os colegas de trabalho que, por fim, se desdobrou num sentimento de culpa e num desejo de fugir de tudo. Trabalhavam menos e agiam como se fossem robôs..
© Кайли Спарр
Todos esses comportamentos têm uma certa lógica: se já não tenho força em meus sentimentos, não tenho forças para amar e escutar, e as pessoas se transformam num fardo para mim. Sinto que não posso correspondê-las, estar no mesmo nível e que suas expectativas são exageradas para mim. Então, são acionadas reações defensivas automáticas, o que, do ponto de vista da psique, é bastante sensato.
Como terceiro grupo de sintomas, o autor enumera a redução da produtividade. É quando a síndrome começa a prejudicar o trabalho. Segundo a pesquisa, os participantes já não estavam satisfeitos com seu trabalho e seus resultados. Se enxergavam como impotentes em relação a novos êxitos, estavam desacreditadas. Tudo era demais e os participantes relatavam que não estavam recebendo o reconhecimento que mereceriam.
Durante a pesquisa, Freudenberger descobriu que a síndrome do burnout não tem relação com o número de horas trabalhadas; sim, quanto mais se trabalha, mais seu aspecto emocional é afetado, mas a pessoa segue sendo produtiva por algum tempo. Conclusão: o processo tem sua própria dinâmica. É mais que um simples esgotamento, como veremos a seguir.
Etapas do esgotamento
Freudenberger criou uma escala de 12 níveis, que simplificaremos aqui:
1. A princípio, as pessoas com esgotamento têm um desejo obsessivo de afirmação (sou capaz de fazer algo), muitas vezes, inclusive, em forma de competição com colegas.
2. Em seguida, começa uma atitude negligente com as próprias necessidades. A pessoa se sente menos motivada para fazer exercício ou qualquer outra coisa de que goste; tem menos tempo para os outros e para si mesmo. Conversa com menos frequência.
3. No nível seguinte, não tem tempo para resolver conflitos e passa a ignorá-los. Mais adiante, passa a não percebê-los; não percebe, simplesmente, que há problemas. Se ausenta. Passa a se comportar como uma flor que está murchando.
4. Mais adiante, perde os sentimentos com respeito a si mesma; não sente. Se torna uma máquina que não pode parar, trabalhando no automático.
5. Na sequência, começa a sentir um vazio interior, se tornando depressiva.
Por fim (12ª etapa) a pessoa ‘quebra’, quase que literalmente, e cai doente, física e mentalmente, podendo, inclusive, ter pensamentos suicidas.
Uma vez, um paciente com esgotamento emocional veio a meu consultório. Sentou, suspirou e me disse: «Fico feliz de estar aqui». Parecia muito, muito esgotado. O caso é que ele sequer chegou a mim por sua conta. A consulta fora marcada por sua esposa, que queria a consulta o mais rápido possível. Marquei na data mais próxima, uma segunda-feira. E, no início da consulta, ele me confessou. «Me segurei para não me atirar pela janela durante o final de semana. Minha situação era insuportável».
E ali estava eu, diante de um executivo de enorme sucesso. Seus empregados mal suspeitavam de sua situação, que ele disfarçava bem. Durante muito tempo, a própria esposa não soube da enfermidade.
Mas, na etapa 11, ela se deu conta. O marido seguiu negando o problema por um tempo até que a pressão que recai sobre ele diminuiu e ele, então, se sentiu pronto para fazer algo. Eis um exemplo extremo de burnout.
Do entusiasmo à indiferença
Para designar com palavras mais simples como se manifesta o desgaste emocional, é possível recorrer à descrição do psicólogo alemão Matthias Burisch, que enumerou quatro etapas:
1. A primeira etapa é totalmente inofensiva, inclusive porque não é, ainda, um desgaste emocional de fato. Mas é preciso ficar atento: ao contrário do que se imagina, a pessoa se sente invadida por um entusiasmo excessivo, o que faz com que exija demais de si mesma. Esse processo de se cobrar pode durar semanas ou meses.
2. A segunda etapa é caracterizada por um esgotamento físico e emocional.
3. É na terceira etapa que se manifestam as primeiras reações defensivas; e o que faz uma pessoa com exigências exageradas? Foge das reações, se desumaniza. Trata-se, aqui, de um mecanismo de defesa para que o esgotamento não se agrave. Intuitivamente, a pessoa sente que precisa de um descanso e ‘tira o pé’ das relações sociais, que perdem a força, com contatos cada vez menos frequentes com outras pessoas. Claro, é uma reação justificável, mas que se manifesta numa área (a dos relacionamentos) nada adequada. Mais relaxada, a pessoa se isola de demandas e reclamações.
4. A quarta etapa reforça a anterior, e é a fase em que o esgotamento fica mais perceptível. Burisch denomina essa etapa ‘síndrome da repulsa’ e significa que a pessoa não sente qualquer alegria. Tudo provoca repúdio e enfado. Por exemplo, comi um peixe delicioso que, no entanto, me deu uma indisposição estomacal. No dia seguinte, o cheiro de peixe me dá asco. É uma reação defensiva à intoxicação e é mais ou menos assim que funciona.
Causa do esgotamento
Três aspectos se destacam quando falamos de causas do esgotamento. O primeiro é individual e psicológico — quando a pessoa simplesmente não liga de se entregar ao estresse. O segundo é social: a pressão que vem (bingo!) da sociedade, das exigências do trabalho, dos prazos cada vez mais curtos, das metas e das convenções sociais que nos obrigamos a cumprir. Por exemplo, se você acredita que todo ano deve fazer uma viagem internacional e, de repente não consegue e, nesse sentido, se considera inferior a seus amigos que ainda fazem esse tipo de viagem. Sim, esse tipo de pressão pode causar desgaste emocional
© Rachel Baran
As exigências mais dramáticas estão relacionadas, por exemplo, ao tempo no ambiente de trabalho — um “cerão” não remunerado que, caso o funcionário se negue a fazer, sinta que corre o risco de ser mandado embora.
As causas psicológicas (primeiro grupo) podem ser trabalhadas do modo tradicional, com terapias e tratamentos. Já o segundo tipo, para ser resolvido, exige uma mudança de programação mental: afinal, preciso, mesmo, trocar de carro a cada dois anos? A viagem ao exterior todo ano é imprescindível? Responder ‘não’ é simples, mas a resposta exige um auto convencimento ao qual nem todos estão dispostos.
Mas há, claro, o terceiro aspecto, relacionado à organização do trabalho. Se a pessoa possui pouca liberdade no ambiente de trabalho, se sofre algum tipo de ‘bulling’, é possível que esteja submetida a um estresse enorme. É o caso de uma reestruturação do meio.
Sentido não se compra
Nos limitamos a estudar as causas psicológicas. Nesse sentido, a causa do desgaste emocional está ligada a um vazio existencial. Viktor Frankl descreve o vazio existencial como o sofrimento por se sentir vazio e, assim, não encontrar um sentido.
Em sua pesquisa, realizada na Áustria com 271 médicos, apresentou os seguintes resultados. Os médicos que levavam uma vida cheia de sentido e não padeciam de vazio quase não sofriam desgaste emocional, mesmo trabalhando muitas horas por dia. Já os que mostravam um nível mais elevado de vazio emocional no trabalho apresentavam índices mais altos de esgotamento emocional, mesmo no caso de trabalharem menos.
Então, podemos, desde já tirar uma conclusão: não se pode comprar o sentido comum. Se sofro de um vazio interno, não importa o quanto ganhe, não será suficiente para comprar um sentido para minha existência. Não há recompensa. A síndrome do desgaste sempre nos confronta com as seguintes perguntas: «meu trabalho faz sentido pra mim?»; «encontramos algum valor pessoal em nossas tarefas». É desse sentido que estamos falando. Se perseguimos coisas que imaginamos ter sentido, como uma carreira, reconhecimento social ou o amor daqueles que nos cercam, então estamos nos equivocando. A busca por esses sentidos nos rouba muita energia e causa um estresse danado. E, como resultado, temos um déficit de sentido e experimentamos uma devastação, inclusive quando relaxamos.
Por outro lado, no outro extremo, nos sentimos realizados mesmo quando estamos cansados. Afinal, o dever cumprido, apesar do cansaço físico, não provoca desgaste emocional.
Para resumir, podemos dizer o seguinte: o desgaste emocional é um estado que chega como consequência de uma reação em cadeia que não nos permite sentir plenos e satisfeitos com o que estamos fazendo. Em outras palavras, se encontro um sentido no que estou fazendo, se sinto que estou fazendo algo interessante e importante, fico feliz e não há lugar para o esgotamento emocional. Não se pode, no entanto, confundir esses sentimentos com entusiasmo. O entusiasmo nem sempre está conectado com a plenitude.
A que me entrego
Outro aspecto ligado ao esgotamento emocional diz respeito à motivação. Por que estou fazendo algo? O que me atrai em meu trabalho? Se não posso pôr meu coração e minha alma e só me interessa o pagamento, estou, de alguma forma, me enganando.
É como se você estivesse diante de alguém falando, mas pensando em outras coisas: estou presente, mas só de corpo. Se não estou presente, de fato, em meu trabalho, em minha vida, então o problema é sério e não posso obter recompensas por isso, e não estamos falando de dinheiro. Você pode receber um belo contracheque no final do mês, mas não tem reconhecimento pelo que faz. Se não ponho minha alma no que faço e só tenho o trabalho como uma forma de alcançar outro objetivo, isso significa que estou abusando da situação.
Posso começar um projeto que promete render muito dinheiro. É algo a que não consigo resistir. Posso estar caindo na tentação que me levará ao esgotamento emocional. Bem, se esse tipo de situação acontece uma vez ou raramente, tudo ok. Mas se acontece o tempo todo, pode ser que eu esteja vivendo a reboque de minha própria vida. A que me dedico?
Certamente este é o ponto em que estarei embarcando na síndrome de esgotamento. Porque o mais provável é que entre de cabeça e não saiba a hora de parar; precisarei de um muro para me deter e, depois, bem depois, de um impulso que faça me mover novamente.
© Rachel Baran
Ok, talvez o exemplo do dinheiro seja superficial demais. A motivação poderia ser mais profunda: quando busco apenas obter reconhecimentos. Preciso de aplausos, bajulação. E, sem satisfazer essas necessidades narcisistas, morro de ansiedade. Olhando de fora, ninguém percebe, só os mais próximos irão perceber. Mas não vou comentar essa necessidade com aqueles que me cercam. Na verdade, nem eu mesmo percebo que preciso tanto de uma plateia.
Outra situação: preciso de segurança. Fui pobre quando era criança; usava a mesmas roupas puídas até que acabassem completamente. Por isso, vivia com vergonha. Prometi a mim mesmo que nunca mais passaria por aquilo. Conheci muitas pessoas que conquistaram a riqueza às custas de esgotamento emocional. Porque queriam a todo custo evitar a miséria e qualquer sinal condicionado a ela.
Sim, isso é compreensível. Mas pode levar a uma situação em que a pessoa se exige até o limite do esgotamento. Exigências infinitas. Por trás dessa aparente motivação, pode haver um vazio, a falta de algo, deficiência que, por sua vez, leva à autoexploração.
O valor da vida
Esta deficiência pode não só ser uma necessidade subjetivamente percebida, mas também um objetivo que você quer alcançar e que, no final das contas, o levará a um esgotamento emocional.
Como percebo minha vida? Com base nisso, posso traçar meus objetivos.
Os objetivos podem ser colocados por seus pais ou ‘descobertos’ por você mesmo. Por exemplo, quero conquistar algo material. Ou quero ter três filhos. Quero ser jornalista, médico, político. Assim, a pessoa se impõe uma meta.
Sim, isso é absolutamente normal. Quem de nós não tem ao menos um objetivo na vida? Mas, se os objetivos te enchem toda a vida, começam a pesar demais, então esses mesmos objetivos acabam por levá-lo a uma conduta rígida que, por fim, exigirá toda a sua energia. E aí, tudo o que você faz se converte em meios para atingi-los. E isso, em si, não tem valor, só o sobrecarregará.
«Que bom que aprenderei a tocar violino» é um exemplo de valor próprio. Mas, se ao aprender violino quero ser o primeiro violinista da Filarmônica de Berlim, então, estarei me comparando com outras pessoas o tempo todo. Sei que preciso praticar mais, tocar mais para atingir o objetivo, de tal maneira que a a orientação para o objetivo começa a prevalecer sobre a orientação em si de tocar violino. E aí surge a insuficiência da atitude interior. Estou fazendo algo, mas aquilo que faço não leva um sentimento interior e isso faz com que minha vida perca valor. Eu mesmo destruo o conteúdo interno para alcançar os objetivos.
Quando a pessoa deprecia desta maneira o valor interno das coisas, prestando pouca atenção a elas, passa a subestimar a própria vida. Ou seja, uso meu tempo para atingir a meta a que me propus, o que, por sua vez, conduz a uma perda das relações. Ao deixar de lado meus valores internos e o valor da vida, em si, entro em estresse.
Tudo que dissemos até agora pode se resumir da seguinte forma. O estresse que o leva ao esgotamento se relaciona com fazer algo sem seu sentimento interior, sem sentir o verdadeiro valor do que está fazendo, sem dar valor a si mesmo. E chegamos a um estado de pré-depressão.
Isso ocorre quando fazemos coisas demais ou simplesmente fazemos algo por fazer. Por exemplo, estou fazendo comida pensando, esperando, simplesmente que esteja pronta logo. E me alegro quando posso servi-la. A questão é: se me alegro por algo que terminou — simplesmente porque terminou! — em nenhum momento, enxerguei valor no processo, em si. O fazer comida simplesmente não foi importante pra mim.
Se isso acontece com frequência, então estamos felizes porque a vida está passando — e talvez esteja chegando ao fim — e não participamos efetivamente dela. Queremos o fim, a morte. Se você simplesmente age, sem sentir, lamentamos, mas você não está vivendo, está apenas esperando que acabe sem, de fato, tomar parte nela.
O esgotamento é um aviso psicológico que nos passam de que estamos sendo passageiros de nossas próprias vidas.
Pessoas que, na maior parte do tempo fazem algo sem envolvimento não recebem nada da vida — porque não querem receber. Não sentem alegria e, cedo ou tarde, enfrentarão a síndrome de esgotamento.
Prevenindo o esgotamento
O que fazer para prevenir a síndrome de esgotamento? Muitos aspectos se resolvem sozinhos se você identifica a causa do problema. Se entende que pode resolver a situação mergulhando em si mesmo e falando sobre a situação com pessoas próximas. Eu deveria estar vivendo dessa forma?
Eu mesmo me sentia assim há uns dois anos. Iria escrever um livro durante o verão. Com todas as minhas anotações, fui à casa de campo. Vim, me estabeleci, fui dar uma volta, falei com os vizinhos. No dia seguinte, fiz a mesma coisa. Chamei meus amigos e nos encontramos. E no terceiro dia, tudo igual. A verdade é que a premência de começar a escrever me batia às portas, mas não conseguia reunir forças para isso. Tentei lembrar de que aquilo era meu dever, que os editores esperavam o material. E isso, por sua vez, representava uma pressão.
Foi então que me dei conta de que se tratava da síndrome de esgotamento. E me disse: provavelmente, preciso de mais tempo e, com certeza, o desejo retornará. E me permiti observar. Porque, a cada ano, sentia a inspiração, mas, naquele, nada de ela aparecer e, até o final do verão eu sequer havia aberto meu caderno de anotações. Não escrevi uma frase. Mas descansei e fiz coisas maravilhosas.
Afinal, aquela situação tinha sido negativa ou positiva? — me perguntei. Cheguei à conclusão de que não cumpri meu dever e aquilo foi um fracasso. Mas, se era assim, se simplesmente não consegui fazer o que deveria ter feito, então foi melhor ter ficado parado. Afinal, eu estava esgotado e antes do verão havia feito muitas coisas, e o ano acadêmico havia sido, de fato, pesado.
Mas, sim, tive uma batalha interior. Pensava, contemplava, refletia sobre o que, de fato, importava em minha vida. E, como resultado, duvidei de que escrever aquele livro fosse, de fato, importante em minha vida. Mais importante é viver, estar aqui, ter relações que valham a pena. O fato é que não sabemos quanto tempo ainda nos resta.
Em geral, o tratamento da síndrome de esgotamento começa com uma descarga emocional; dê a você mesmo mais tempo para cumprir suas tarefas, delegue responsabilidades, coloque metas realistas. Há muito que discutir nesse ponto, afinal, é onde nos encontramos com as estruturas mais profundas de nossa existência. Trata-se de nossa atitude diante da vida; é preciso que nossos objetivos sejam autênticos e falem com nossa alma.
Se a síndrome de esgotamento tem uma característica mais marcante em você, o mais recomendável é ir a um médico, incapacitar-se por um momento, descansar fisicamente. Ou simplesmente dar um tempo, desligar das obrigações.
A questão é que as pessoas que padecem da síndrome simplesmente não se podem permitir esse tipo de atitude. Se está incapacitada, segue exigindo demais de si mesma, de tal maneira que não pode descarregar todo o peso que carrega sobre as costas.
As pessoas sobre remorsos habitualmente. E aí, com a chegada de outros distúrbios associados, o esgotamento só tende a piorar.
Os medicamentos podem ajudar por algum tempo, mas não são a solução. A saúde física é a base. É preciso trabalhar também as necessidades, deficiências internas, objetivos e, claro, expectativas de vida.
É preciso pensar de que maneira é possível reduzir a pressão por parte da sociedade, em como se proteger disso. Em algumas situações, é saudável abrir mão de um cargo no trabalho.
No caso mais grave que presenciei em meu consultório, o paciente precisou se desligar completamente do trabalho por 4-5 meses. Mas, após regressar ao escritório, encontrou um estilo novo de realizar tarefas, pois, caso contrário, dentro de pouco tempo estaria esgotado novamente. Claro, se você trabalha duro ao longo de 30 anos, é muito difícil mudar. Mas é necessário.
É possível prevenir a síndrome do esgotamento fazendo algumas perguntas simples:
1. Por que estou fazendo o que faço? Para que vou todos os dias à faculdade? Para que estou escrevendo um livro ou me envolvi num determinado projeto? Qual o sentido disso? Me representa algum valor?
2. Gosto do que estou fazendo? Amo fazer? Sinto que é bom? Bom o suficiente para eu fazer com alma? O que estou fazendo me alegra? Provavelmente nem sempre vai ser assim, claro. Mas a alegria e a satisfação têm de prevalecer.
No final de tudo, lá no fundo, a pergunta que se deve fazer é bastante pessoal: afinal, quero viver para isso? Se em meu leito de morte, no mais íntimo dos balanços vou pensar: valeu a pena viver?
Você está sem forças? Nada o alegra? Infelizmente pode trata-se de um problema comum nos dias de hoje e que tem até nome: síndrome de esgotamento ou burnout
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