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Geralmente,
as pessoas categorizam as outras (e a si mesmas) como introvertidas ou
extrovertidas, falando em termos de hábitos e personalidade.
Carl
Jung popularizou os conceitos de introversão e extroversão no início da década
de 1920, quando ele também identificou um terceiro grupo, mas não escreveu
muito sobre isso. Foi só em meados dos anos 1940 que psicólogos e cientistas
comportamentais começaram a utilizar o termo “ambiversão” para referenciar as
pessoas ambivertidas.
Para
uma parcela da população, essa é uma escolha fácil de fazer e simples de
identificar, mas, para a maior parte das pessoas, é difícil escolher um caminho
ou outro e manter-se constantemente nele. De acordo com Travis Bradberry,
especialista em inteligência emocional e autor de livros sobre o assunto, essa
escolha costuma ser difícil porque a dicotomia introvertido/extrovertido reflete
uma visão ultrapassada de personalidade.
Os
traços de personalidade existem ao longo de um contínuo, e a maioria de nós não
é introvertida nem extrovertida, mas sim algo no meio disso: ambivertida.
Segundo
Barry Smith, professor de psicologia na universidade de Maryland:
“Ambivertidos
constituem 68% da população. Essa maioria possui tendências introvertidas e
extrovertidas que variam, dependendo dos estímulos e de cada situação.”
Pensando-se
na introversão e extroversão como em um espectro, a ambiversão estaria
localizada, mais ou menos, em algum lugar no meio.
A
personalidade consiste em um composto estável de preferências e tendências por
meio das quais nós relacionamos com o mundo e as pessoas que nele vivem.
Os
fatores arquetípicos pessoais vão sendo formados desde a tenra idade, e são
flexíveis até o início da fase adulta. Muitas coisas sobre nós mudam com o
passar dos anos, é verdade. Hábitos e estilos de vida são sazonalmente
modificados, sim, mas alguns aspectos da nossa personalidade são permanentes.
Segundo Bradberry:
“A
continuidade entre introversão e extroversão captura um dos traços de
personalidade mais importantes. É preocupante que estejamos a categorizar nós
mesmos de uma forma ou de outra, porque há pontos fortes e fracos críticos
comumente associados a cada tipo.”
Para
Bradberry, os ambivertidos têm uma vantagem distinta sobre os verdadeiros
introvertidos e extrovertidos. Devido a sua personalidade não se inclinar
bruscamente para qualquer direção, eles têm um tempo maior para ajustar sua
abordagem em relação a pessoas em uma mesma situação. Isso permite que eles se
conectem mais fácil e profundamente com uma maior variedade de pessoas.
Adam
Grant, professor de administração e psicologia do Wharton College, se propôs a estudar o tema da ambiversão. E ele
obteve resultados elucidáveis. Um deles refuta a ideia de que vendedores
extrovertidos têm melhor desempenho do que aqueles introvertidos. Ele descobriu
que a flexibilidade social dos ambivertidos lhes permitiu vender mais do que
todos os grupos (venderam 51% mais produtos do que a média geral dos
vendedores).
Grant
explicou esse achado:
“Porque
eles naturalmente se envolvem em um padrão flexível de falar e ouvir,
ambivertidos são suscetíveis de expressar assertividade e entusiasmo
suficientes para persuadir e fechar uma venda. Eles são mais inclinados a ouvir
os interesses dos clientes, e menos vulneráveis a parecer muito excitados ou
autoconfiantes.”
Os
ambivertidos ora têm facilidade em se relacionar com terceiros e fazer novos
amigos, ora têm a necessidade de se isolar por um tempo. Eles são mais
adaptáveis à novas pessoas e situações, porque suas características de
introversão e extroversão não são predominantes. Sabem exteriorizar o que
sentem, e conseguem conter suas emoções quando é conveniente.
De acordo com Brian Little,
autor do livro Me, Myself And Us: The Science Of Personality And The Art Of
Well-Being:
“Os
ambivertidos sabem aproveitar o melhor de ambos os lados. Eles têm mais graus
de liberdade para moldar suas vidas do que aqueles que estão nos extremos de
suas pontas.”
As
pessoas ambivertidas “são como bilíngues”, na opinião de Daniel Pink, autor do
livro To Sell Is Human: The Surprising Truth About Moving Others. “Elas
têm uma ampla gama de habilidades, e podem se conectar com uma variedade maior de
pessoas, da mesma forma que alguém que fala inglês e espanhol”.
No
entanto, também há desvantagens em ser ambivertido. Se alguém tiver tendências
ambivertidas conservadoras, poderá ficar muito tempo empacado no papel de
introvertido (em ambientes discretos, no silêncio) ou no papel de extrovertido
(em ambientes agitados, em interação com várias pessoas), e assim se sentir
demasiadamente solitário ou exausto.
Um
ambivertido é capaz de ir por duas direções opostas. O ideal seria que essa
pessoa analisasse cada circunstância em particular a fim de definir qual
comportamento seria mais benéfico ou gratificante para ela.
Se
um indivíduo ambivertido pode adaptar e variar suas ações conforme aos diversos
acontecimentos, bastaria regular seu “termostato” nas horas que exigem tal
tomada de decisões. Mas isso nem sempre é fácil, é claro.
Pessoas
ambivertidas gostam de (e precisam) ficar sozinhas por determinado período de
tempo, mas também adoram estar perto de outras pessoas e interagir com elas. Em
ambos os casos, elas sabem tirar proveito da situação, assim como estão cientes
de que, muitas vezes, permanecem “em cima do muro”.
9 autoafirmações
para alguém saber se é ambivertido (a)
Estar
ciente de sua escala de personalidade torna mais fácil desenvolver um senso de
tendências pessoais e inclinações sociais.
Para
quem suspeita ser ambivertido, mas não está certo disso, o autor Travis
Bradberry fez uma lista de nove afirmações para se fazer. Caso as respostas
forem positivas para a maioria ou todas as perguntas, muito provavelmente a
pessoa é ambivertida. Faça o teste:
1.
Eu posso executar tarefas sozinho ou em grupo. Eu não tenho muita preferência,
de qualquer forma.
2.
Ambientes sociais não me deixam desconfortável, mas eu canso de ficar cercado
de muitas pessoas.
3.
Ser o centro das atenções é divertido para mim, mas eu não gosto que isso dure
muito.
4.
Algumas pessoas pensam que eu sou quieto, enquanto outras acham que sou
extremamente social.
5.
Eu não preciso estar sempre fazendo algo ou me movendo, mas ficar parado por
tempo demais me deixa entediado.
6.
Eu posso me perder em meus próprios pensamentos tão facilmente quanto eu posso
me perder em uma conversa.
7.
Uma conversa simples e casual não me deixa desconfortável, mas não gosto tanto
de ficar engajado em conversas íntimas.
8.
Quando se trata de confiar em outras pessoas, às vezes eu sou cético, outras
vezes eu confio plenamente.
9.
Se eu passar muito tempo sozinho, fico entediado, ainda que muito tempo em
torno de outras pessoas me deixe esgotado.
Muitas
pessoas ambivertidas não estão totalmente cientes de que são assim, e esse
lapso de autoconhecimento pode tornar ambíguas as suas percepções, ações e
pensamentos. Mas agora elas podem resolver de vez essa questão.
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