quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Espelho


Quando digo que nos deparamos com nosso espelho, você pode pensar que significa encontrar alguém que se pareça fisicamente ou que tenha a forma de pensar semelhante à sua. Na verdade, é muito mais do que isso. Muitas vezes, olhamos para alguém que nos irrita e o criticamos mentalmente sem saber que, de alguma forma, temos algo em comum com ele.
Já incomodei muita gente ao afirmar isso, pois é uma situação que gera resistência nas pessoas. Fui profundamente honesta comigo mesma para encarar essa verdade, pois quando conheci o Jogo da Projeção, tive o desejo sincero de mudar para melhor. Toda vez que ficamos irritados, magoados ou incomodados com a presença ou atitude de uma pessoa, significa que estamos, inconscientemente, identificando-nos com as atitudes dela.
Com certeza, existe em nosso interior algo semelhante ao que vemos no outro, mas por mecanismos de defesa, o inconsciente não permite que percebamos, por não estarmos preparados para aceitar mudanças de padrões e nem queremos renunciar as velhas maneiras de viver. Muitos alunos meus já me perguntaram por que o ser humano esconde se de si Mesmo, enxergando somente problemas nos outros.
Qual o motivo dessa cegueira de si mesmo e porque a resistência tão rígida em aceitar a realidade da projeção? Não seria muito melhor descobrir em si mesmo as coisas que não agradam e mudar o comportamento? Veja bem: se possuímos uma mente inconsciente, capaz de esconder-nos da consciência 95% das situações da vida, é por causa da falta de treinamento do próprio ser humano em lidar com perdas.
As pessoas sentem uma necessidade instintiva de viver em grupos, de juntar bens e de depender emocionalmente de outras pessoas. Da mesma forma que uma pessoa mantém a compulsão alimentar para sanar carências e ansiedades, também lutamos para conquistar o máximo de matéria para sentir o prazer da vitória e do poder.
Enquanto você não praticar a meditação corretamente, abrindo os portais de energia para sentir a coragem, a paz, o desapego e o amor incondicional, estará constantemente sentindo-se ameaçado pelas sensações de perdas materiais e de pessoas queridas. Poucas pessoas estão prontas para mudar seu próprio comportamento, sem ficarem preocupadas se os outros estão mudando também.
Na verdade, a maioria das pessoas sempre tenta transformar os outros, mas não presta atenção na sua própria conduta, alegando que somente quando fulano mudar seu jeito de ser é que poderá ser feliz.
Ninguém muda ninguém. Isso é pura ilusão. Uma prova concreta de projeção é quando tentamos mudar o comportamento de alguém de acordo com as nossas expectativas. Na realidade, essa necessidade de enquadrar o outro de acordo com os preceitos esconde o medo de mudar a si mesmo.
O incômodo ou inquietude inconsciente que cada pessoa sente quando precisa mudar a si mesma está relacionado ao grau de apego a padrões, crenças e métodos rígidos de viver. Quando descobrimos algo inflexível em nós e tentamos ser mais maleáveis, pode acontecer de cairmos no outro extremo e anularmo-nos. Não é fácil encontrar o caminho do meio, mas o treinamento e a disciplina pessoal levam-nos a ele.
Inconscientemente, só mudados em nosso comportamento aquilo que não irá causar danos ao nosso sistema de vida. Mas a maturidade e não a idade, faz com que aprendamos a ceder sem anulação, a ouvir sem irritação e a falar sem agressão.
O mundo que vejo à minha frente não é o mesmo que se apresenta para o meu vizinho. Enxergamos através de uma espécie de filtro que criamos na mente E desde o nosso nascimento. Esses filtros são velhos padrões mentais que atuam sobre nossos julgamentos. São tão reais e palpáveis que não conseguimos questioná-los.
Se acontecer uma briga de um grupo de pessoas e ao redor outros estiverem assistindo, todos saberemos que cada um dos envolvidos terá uma versão completamente diferente dos outros.
É a ação desse filtro, convenientemente adicionado a ilusões e discórdias. Você está preparado para admitir que é totalmente responsável por seus problemas? E que se as pessoas o aborrecem, sejam familiares ou estranhos, é porque você que precisa mudar para melhor e não eles?
Por mais evidente que seja uma ocorrência e que o juiz decrete uma pena ao infrator, mesmo assim devemos compreender que ninguém lesa ninguém, se esses não estiverem vibrando a mesma frequência e, portanto, com energias semelhantes.
Compreendeu como funcionamos em nossos jogos inconscientes e o quanto precisamos entender que o mundo visível é apenas uma ilusão? Não estou dizendo que não devemos trabalhar, ganhar dinheiro, conquistar um amor, viajar, conhecer pessoas e comer coisas gostosas. Estou querendo mostrar que precisamos aproveitar tudo isso e, ao mesmo tempo, ter consciência de que existem infinitos caminhos para sermos felizes.
O apego às vitórias e conquistas escraviza-nos, o desapego e o amor libertador traz paz de espírito e tranquilidade para continuarmos a vida. Sou também professora de educação física, gosto de cantar, dançar, caminhar, pedalar, viajar, mergulhar, mas nem por isso ficarei infeliz senão puder viver essas emoções por um bom tempo.
Devemos sincronizar nosso ritmo mental e espiritual com a intuição e aceitar as mudanças de rumos que nos são colocadas, de tempos em tempos, em função das nossas atitudes passadas, percebendo que nossas insatisfações são apenas um sinal que de que precisamos melhorar.
Crie novos planos e metas, mas viva o aqui e o agora. É preciso olhar o mundo sabendo que estamos de passagem. Construa algo, por menor que seja, que possa ajudar os seres humanos que ainda estão para chegar a este mundo. Brinque mais, pratique mudanças internas e liberte-se dos apegos.
Só assim sentirá orgulho de si mesmo. Saiba que vale a pena lutar para ser uma pessoa melhor. O retorno que a vida nos dá é do tamanho do nosso merecimento. Lembre-se de que o mecanismo de projeção também se aplica para as qualidade das pessoas. Quando você admira sinceramente alguém, significa que você também possui essa qualidade.
Cristina Cairo

domingo, 16 de setembro de 2012

Uma grande covardia




O hábito da maledicência é bastante arraigado em nossa sociedade.
Chega a constituir exceção uma criatura que jamais tece comentários maldosos sobre seus semelhantes.
Mesmo amigos, não raro, se permitem criticar os ausentes.
Quase todos os homens possuem fissuras morais.
Seria sinal de pouca inteligência não perceber essa realidade.
Não é possível ver o bem onde ele não existe.
Também não é conveniente ser incapaz de perceber vícios e mazelas que realmente existam.
Mas há uma considerável distância entre identificar um problema e divulgá-lo.
Encontrar prazer em denegrir o próximo constitui indício de grande mesquinharia.
Esse gênero de comentário é ainda mais condenável por ser feito de forma traiçoeira.
Freqüentemente quem critica o vizinho não tem coragem de fazê-lo frente-a-frente.
É uma grande covardia sorrir e demonstrar apreço por alguém e criticá-lo pelas costas.
Antes de tecer um comentário, é preciso ter certeza de que ele traduz uma verdade.
Sendo verdadeiro um fato, torna-se necessário verificar se há alguma utilidade em divulgá-lo.
A única justificativa para apontar as mazelas alheias é a prevenção de um mal relevante.
Se o problema apresentado por uma criatura apenas a ela prejudica, o silêncio é a única atitude digna.
Assim, antes de abrir a boca para denegrir a reputação de alguém, certifique-se da veracidade dos fatos.
Sendo verídica a ocorrência, analise qual o seu móvel.
Reflita se seu agir visa evitar um mal considerável, ou é apenas prazer de maldizer. Na segunda hipótese, é melhor calar-se.
É relevante também indagar se você tem coragem de comentar a ocorrência na frente da pessoa criticada.
Se o fizer, dará oportunidade para defesa.
Certamente a pessoa, objeto do comentário, possui a própria versão dos fatos.
Por todas essas razões, e outras tantas, jamais seja covarde.
A covardia é uma característica muito baixa e lamentável.
O fraco sempre escolhe vítimas que não podem oferecer defesa.
Agride de preferência as pessoas frágeis.
Quando não tem coragem para atacar diretamente, utiliza subterfúgios.
Enlameia a honra alheia, faz calúnias, espalha insinuações maldosas aos quatro ventos.
O homem que é alvo do ataque de um covarde geralmente nem sabe o que lhe aconteceu.
Apenas se espanta ao deparar com sorrisos irônicos onde quer que vá.
Em ambientes em que era recebido calorosamente, agora só encontra frieza.
Percebe perplexo, o afastamento de amigos e parentes.
As fisionomias outrora benevolentes tornam-se sisudas.
Raramente alguém lhe esclarece a razão do ocorrido.
Assim, ele é julgado e condenado sem possibilidade de defesa.
Analise seu proceder e verifique se, por leviandade, às vezes você não age de forma maldosa e covarde.
Pense nos prejuízos que suas palavras podem causar na vida dos outros.
Imagine se fosse você a vítima do comentário ferino.
Certamente gostaria que a generosidade fizesse calar os seus semelhantes.
Ou ao menos que eles fossem leais o suficiente para falar às claras com você.
É preciso eliminar o hábito da maledicência.
Trata-se de um comportamento eivado de covardia.
E sem dúvida o seu ideal de vida não é ser um covarde.

Novos desafios



Hoje é um bom dia para começar novos
desafios.
Onde você quer chegar?
ir alto...sonhe alto... queira o
melhor do melhor... queira coisas boas para a vida...
pensando assim trazemos prá nós aquilo que desejamos...
se pensamos pequeno...
coisas pequenas teremos...
já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente
lutarmos pelo melhor...
o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental...
joga fora tudo que te prende ao passado... ao mundinho
de coisas tristes...
fotos...peças de roupa, papel de bala...ingressos de
cinema, bilhetes de viagens...
e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados...
jogue tudo fora... mas principalmente...
esvazie seu coração... fique pronto para a vida...
para um novo amor...
Lembre-se somos apaixonáveis...
somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes...
afinal de contas...
Nós somos o "Amor"...
" Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do
tamanho da minha altura."
(Carlos Drummond de Andrade)

Preservação do Meio Ambiente








Os documentários sobre a vida animal são extremamente importantes para a formação de uma cultura de preservação do meio ambiente.
Quem vê uma tartaruga arriscando a vida numa praia infestada de crocodilos para botar seus ovos naquele local e garantir um guardião seguro para seus futuros filhos, não teria coragem de matar uma mãe tão amorosa.
Quem assiste a mãe passarinho, que enfrenta corajosamente uma serpente venenosa, simulando asa quebrada para afastar a predadora do ninho, onde seus filhotes implumes aguardam o alimento, não tem coragem de tirar a vida dessa fantástica protetora.
Quem acompanha a luta pela sobrevivência, das frágeis capivaras, que enfrentam tempestades e tempos de seca, sobrevivem aos predadores mais variados para chegar a um campo verde e se alimentar seguramente, por certo não as atacaria a pauladas.
Aquele que percebe a trajetória das baleias, esses fantásticos mamíferos dos mares, que viajam milhares de quilômetros em busca de águas seguras para dar à luz seus filhotes, provavelmente não lhes tiraria a vida para abastecer os mercados com suas gorduras valiosas.
A criança que cresce vendo a dedicação e os cuidados das mães e pais animais, certamente desenvolveria profundo respeito por esses seres maravilhosos.
Se acompanhasse a trajetória de uma pequena semente, suas lutas para encontrar lugar fecundo no solo para poder germinar, crescer, florescer e dar frutos, não cortaria uma árvore apenas para ter um pouco mais de dinheiro no bolso, quando adultas.
Se conhecesse a luta dos ambientalistas para salvar uma foca, uma garça ferida, um golfinho colhido pelas redes dos pescadores, talvez ajudasse a preservar a vida em toda sua dimensão.
Se, ao invés de assistir tantos programas de violência, de notícias sobre a indiferença das autoridades, visse documentários que enaltecem a vida, talvez acreditasse que é possível construir um mundo melhor.
Se os jovens soubessem a real história dos nossos indígenas, do seu respeito pela natureza, da sua simplicidade e inocência, das suas crenças e costumes, por certo não os atacariam a pontapés e pauladas, nem lhes ateariam fogo nas vestes rotas.
Em todos os campos da existência, é preciso conhecer e entender os mecanismos que regem a vida para poder respeitá-los.
É importante criar uma cultura pró-vida e não pró-destruição.
Se nossas crianças crescessem vendo as maravilhas e os prodígios na natureza, aprenderiam a respeitar a vida.
Se conhecessem as dores e as dificuldades que as pessoas enfrentam pela sobrevivência, certamente respeitariam o ser humano, seja ele mendigo ou índio, rico ou pobre, preto, branco ou amarelo.
Crianças que têm, dentro do lar, lições básicas sobre os valores que devem nortear suas condutas, desenvolvem o senso de responsabilidade, respeito e admiração pela realidade que as cerca.
E o que precisa ser feito para que isso aconteça?
Uma coisa apenas: decisão.
Quando todas as pessoas de bem se decidirem por mudar essa situação, ela será mudada.
É só lembrar que tudo o que existe é fruto da ação humana. E quem é capaz de fazer o errado também é capaz de fazer o certo.
Talvez o problema maior seja a indiferença, a acomodação, a omissão. A paralisia dos sentidos.
É hora de agir. Mas agir como pessoas de bem. Que desejam o bem, e fomentam o bem.
Preservar o meio-ambiente é tarefa de todos, já que todos fazemos parte desse meio.
Pensemos nisso!

Sonhar




Ele era um jovem que morava no Centro Oeste dos Estados Unidos. Por ser filho de um domador de cavalos, tinha uma vida quase nômade, mas desejava estudar. Perseguia o ideal da cultura.
Dormia nas estrebarias, trabalhava os animais fogosos e, nos intervalos, à noite, ele procurava a escola para iluminar a sua inteligência.
Em uma dessas escolas, certa vez, o professor pediu à classe que cada aluno relatasse o seu sonho. O que desejariam para suas vidas.
O jovem, tomado de entusiasmo, escreveu sete páginas.
Desejava, no futuro, possuir uma área de 80 hectares e morar numa enorme casa de 400 metros quadrados. Desejava ter uma família muito bem constituída. Tão entusiasmado estava, que não somente descreveu, mas desenhou como ele sonhava a casa, as cocheiras, os currais, o pomar. Tudo nos mínimos detalhes.
Quando entregou o seu trabalho, ficou esperando, ansioso, as palavras de elogio do seu mestre.
Contudo, três dias depois, o trabalho lhe foi devolvido com uma nota sofrível.
Depois da aula, o professor o procurou e falou: o seu é um sonho absurdo. Imagine, você é filho de um domador de cavalos. Você será um simples domador de cavalos. Escreva uma outra realidade e eu lhe darei uma nota melhor.
O jovem foi para casa muito triste e contou ao pai o que havia acontecido. Depois de ouvi-lo, com calma, o pai lhe afirmou:
O sonho é seu. Você faça o que quiser. Essa decisão é sua. Persistir neste sonho ou procurar outro.
O jovem meditou e, no dia seguinte, entregou a mesma página ao professor. Disse-lhe que ficaria com a nota ruim mas não abandonaria o seu sonho.
Esta história foi contada pelo dono de um rancho de 80 hectares, próximo de um colégio famoso dos Estados Unidos. A área é emprestada para crianças pobres passarem os fins de semana.
Depois de terminar a história, o dono do rancho se apresentou como o jovem que teve a nota ruim, mas não desistiu do seu sonho.
E o mais incrível é que aquele professor, trinta anos depois, tem visitado, com os seus alunos, aquela área especial.
Naturalmente ele identificou no proprietário o antigo aluno e confessou: fico feliz que o seu sonho tenha escapado da minha inveja. Naquela época eu era um atormentado. Tinha inveja das pessoas sonhadoras. Destruí muitas vidas. Roubei o sonho de muitos jovens idealistas. Graças a Deus, não consegui destruir o seu sonho, que faz bem a tantas vidas.
Sonhar é da natureza humana. Tudo que existe no mundo, um dia foi elaborado, pensado e meditado por alguém, antes de ser concretizado em cimento, mármore, madeira ou papel.
Martin Luther King Jr. teve um sonho de paz entre negros e brancos. Pelo seu sonho, deu a vida.
O Mahatma Gandhi teve um sonho de não violência. Deu a vida por seu sonho.
Se você tem capacidade de sonhar o bem, persista na idéia e a concretize. Podem ser necessários anos para que se concretize um sonho, mas, o que são alguns anos diante da eternidade que aguarda o Espírito imortal

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Mães também erram

Muitas mães abrem mão da sensibilidade e da alegria para cumprir um papel que a sociedade lhes impõe. Ficam tão fixadas nessas metas que esquecem que tão importante quanto alcançar o objetivo é aproveitar a delícia da caminhada até ele. Ainda que seu dia-a-dia esteja um caos, cheio de pressões e cobranças, isso não pode apagar em você a capacidade de se emocionar com pequenas coisas e se contagiar com a energia dos seus filhos. 

Como uma mãe poderá curtir bons momentos com o filho se sua vida tem sido um acúmulo de tensão e angústia? Como compartilhar a beleza de um pôr-do-sol se sua vida tem sido marcada pela escuridão e pelo medo? Se você não estiver aberta para se deixar contagiar pela maneira de ser de seu filho, ficará irritado com sua alegria e se sentirá agredido com sua espontaneidade. A liberdade e a naturalidade freqüentemente causam mal-estar porque revelam às pessoas próximas quanto deixam de cuidar realmente de suas vidas. 

Estabelecer para si o propósito de aprender junto com seus filhos – como analfabetos que aproveitam a alfabetização das crianças para também aprender a ler! – é uma maneira de recuperar a espontaneidade. A opção de ter um filho deve vir acompanhada da decisão de questionar a própria vida e da disposição de se atualizar permanentemente, sobretudo em relação a crenças e sentimentos. 

Muitos pais destroem sua paz e a dos filhos por querer ser perfeitos e educar filhos perfeitos. No entanto, não existem nem pais nem filhos perfeitos. Essas pessoas se torturam a vida inteira, pois cobram de si mesmas e dos filhos algo impossível de conseguir. Para elas, a angústia e a tensão são companheiras constantes. Somente Deus é perfeito, e nós somos seres em busca da evolução. 

Aceite a você e aos outros como são. Dê a si mesmo espaço para fazer o melhor. Seja paciente para ouvir. Tenho certeza de que às vezes você, que acumula inúmeros papéis, está cansada, não tem paciência para ter uma conversa, tem outras coisas também importantes para fazer. Outras vezes não está com cabeça para conversar sobre a lição de casa. Ainda assim, quero que saiba com toda a clareza que você é uma mãe amorosa, que você é uma mãe carinhosa. 

Está na hora de parar com essa cobrança de “mulher maravilha”, pois ela está gerando úlcera, gastrite, insônia e angústia em toda a família. Isso não tem nada a ver com o prazer de educar os filhos. Ser uma boa mãe ou um bom pai é saber viver cada momento com seus filhos, caminhando com eles com naturalidade e carinho. 

Apesar de todo o seu amor por seus filhos, você vai cometer erros. Ao perceber que fez algo errado, não se torture. Veja, você fez o melhor naquele momento. Mas quando perceber que realmente errou, não amplie o problema: peça desculpas. Infelizmente, ao errar, em vez de pedir desculpas nós acusamos nossos filhos para arranjar justificativas para nosso erro. 

Pedir desculpas é a atitude mais simples, e seu filho não só vai perdoá-la como admirá-la por sua humildade. Mais ainda, o relacionamento entre vocês crescerá porque você irá se comprometer a agir com mais atenção. Deixe o passado para trás. Olhe para a frente e perceba quanto você está evoluindo. Comemore com muita alegria quanto você tem mudado e quanto ainda se aperfeiçoará! 


Roberto Shinyashiki é psiquiatra, palestrante e autor

Sinto vergonha de mim


Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atrás
e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!
"De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem- se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto"

Rui Barbosa


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Amar é uma decisão


Um homem foi visitar um sábio conselheiro e disse-lhe que estava passando por muitas dificuldades em seu casamento. Falou-lhe que já não amava sua mulher e que pensava em separação...
O sábio escutou-o, olhou-o nos olhos e disse-lhe:
Ame-a!
Mas já não sinto nada por ela! Retrucou o homem.
Ame-a! Disse-lhe novamente o sábio.
Diante do desconcerto do homem, depois de um breve silêncio, o sábio lhe disse o seguinte:
"Amar é uma decisão; é dedicação e entrega; é ação...
Portanto, para amar é preciso apenas tomar uma decisão.
Quando você se decide a cultivar um jardim, você sabe que é necessário preparar o terreno, semear, regar, esperar a germinação e a floração.
Você sabe que haverá pragas, ervas daninhas, tempos de seca ou de excesso de chuva, mas se você está decidido a ter um belo jardim, jamais desistirá, por maiores que sejam as dificuldades.
Assim também acontece no campo do amor. É preciso dedicação, cuidado, espera.
Portanto, se quiser cultivar as flores da afeição, dedique-se. Ame seu par, aceite-o, valorize-o, respeite-o, dê afeto e ternura, admire-o e compreenda-o...
Isso é tudo...
Apenas ame!

Férias no Bosque


Retiro-me. Provisoriamente,mas retiro-me.Vou para o meu bosque.Ninguém pode vendê-lo. É meu- a única coisa que possuo de fato e de direito. De lá, se quiser poderei ver tudo que se passa neste mundo, do qual parto apenas com uma mochila quase vazia. Há frestas entre as arvores copadas por onde pode entrar a escuridão exterior.
Este bosque azul é uma criação da menina introvertida que fui.O espaço é úmido como o útero materno. Freud ia “deitar e rolar” nesta fantasia. Que o façam os freudianos, pouco me importa.Dedicar-me-ei a atividades mais construtivas. Por exemplo, ver o desfile dos anõezinhos mineradores-que ainda não descobriram Branca de Neve em suas caminhas -todas as madrugadas, com seus instrumentos próprios; picaretas, lanternas,pás. Vão cantando. Felizmente, seu sustento não sai do subsolo da Amazônia. Garimpam ali mesmo. O espaço azulado também lhes pertence, é nossa propriedade comum. Não poderão privatizá-lo, pois já o privatizamos há muitos anos. Não podem alegar que dá prejuízo, pos sempre nos sustentou, sem que precisássemos de subsídios governamentais, de negociatas tipo;”eu te dou isto, tu me dá aquilo”, quando isto e aquilo não pertencem aos “negociadores”, mas são patrimônio de um povo.Povo envolvido e ludibriado pela mídia. Povo que acaba achado bom ser escamoteado, ter seus pertences retalhados e entregues que não te nada a ver com ele.
No meu bosque, paradoxalmente, há um arco-íris constante. Mesmo que não chova e que o sol não apareça depois da chuva, lá está o arco-íris,com promessa de Deus de que o mundo não mais perecerá sob as águas.Que se aposentem todos os Noés - não são necessários na nova hecatombe.
Haverá algo que substitua a Arca? Não sei. Também, não é imprescindível que haja. O um bosque é uma região imune a quaisquer ataques que venham de fora. Só Deus não o fará. Pelo contrário. Ele talvez queira que o bosque azul seja um abrigo semelhante à Arca de Noé. Conforme os acontecimentos se sucederem, que venham todos, todos os homens e mulheres de boa vontade, todos que se recusaram a ver que o país está tendo sua população substituída por rinocerontes, como na peça de Ionesco. Sim, olhem para os lados e observem- os que não estão isolados em um planalto- as manadas de estranhos animais com um chifre no meio do focinho. O número de rinocerontes cresce a cada dia. A metamorfose é fácil; basta a ignorância ara que ela se processe com mais fertilidade que a dos coelhos.
Venham, venham todos os que quiserem,os que não podem mais respirar neste ambiente putrefato. O bosque é meu, mas não padeço de egoísmo. Podem vir.
Em alguma noite, os anõezinhos, retornando de sua honesta labuta, poderão encontrar Branca de Neve em suas caminhas.
E posso descobrir que Branca de Neve sou eu.(NC)

Amor Platônico




Existem palavras e expressões desgastadas e infelicitadas pelo mau uso, em todos os idiomas. Volta e meia elas ficam a rodar em minha cabeça a pedir socorro e compreensão e busco curar-lhe as feridas e descobrir cada vez profundidade e significados que a dita vulgarização se especializa em minimizar.
O platônico, como sabem, vem do grande filósofo grego Platão, que acreditava haver um mundo das idéias puras das quais este mundo é mera projeção.
Daí as pessoas pensarem que amor platônico é uma espécie de simpatia an~emica ou de sentimento que não pode ou não quer corporificar-se no amor pleno, entendido aí o amor físico. E com essa errônea versão, a expressão perde a força e uma das idéias mais lindas sobre o amor fica limitada, estreita, vira sanduíche misto quente de tão popular.
Amor platônico é conceito de ampla e belíssima significação. Pouco ou nada tem a ver com amor que não se concretiza em união de corpos. O amor é um enigma que decorre do fato de ser um rio de muitas vertentes, por isso o amor platônico deve ser considerado como das mais belas, poéticas e maduras formas de amar. Possui características de um amor de alma e que diferentemente do amor chamado físico, vive liberto de muitas prisões. Pode porém ter tesão, nada impede. Não é isso, pórem, o essencial. Assim, por exemplo, o amor platônico não exige fidelidade no sentido comum da palavra: vive da lealdade e da irmandade. Perdoa e compreende.
Exerce a misericórdia e a empatia profunda. O amor platônico pode coexistir entre várias pessoas sem a mais leve forma de ciúme no sentido tradicional.
Ele não exige a presença física e permanente até quando existe entre uma pessoa viva e outra morta. E entre pessoas que nunca se viram, a não de longe, nas telas do cinema ou em personagens de livros ou ainda no campo musical.
Ou em pessoas conhecidas ou simples desconhecidos íntimos. Existe acima de ser hétero, homo ou bissexual. Nada tem a ver com essas questões de preferências carnais. Eu posso ter amor por Brahms apenas em função de sua música. Você, mulher, pode amar o Marlon Brando,Gerhard Phillipe, James Dean,mesmo tendo nascido depois da morte deles.
O amor platônico pertence às formas mais lindas, livres e poéticas de multiplicar e atender a nossa capacidade de amar. Erra quem o considera um amor irrealizado. Nada tem de amor à distância. Esta não existe nem entre pessoas que nunca se vêem ou se viram. Ele se realiza a vida inteira nesse mistério delicioso de nossa interioridade, essa eterna virgem aberta ao amor eterno.(A.T)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Madame Charlotte Doret versão por seus filhos






Casou-se com Antonio Garcia Maldonado, argentino, cujos filhos Andrée , Sergio e Leila, agora lhe escrevem.
    Nascida no Brasil em 1910, com poucas semanas foi levada à França, onde foi criada pela avó num ambiente rural, na região administrativa Auvergne, no centro do país.
              Aos 12 anos retornou ao Brasil, Rio de Janeiro, onde estavam seus pais Antonie Doret e Adelaide Doret, e suas irmãs Leontine e Marie, que haviam imigrado nos primeiros anos do século passado.
    Por ocasião da Primeira Guerra Mundial  - 1914/1918, nosso avô Antoine Doret deixando a família no Brasil, foi para a França “fazer” a guerra, retornando ao final da mesma.
    O Antoine dedicou-se à fabricação de perfumes e era também “coiffeur de dames” – cabelereiro. O Salão A. Doret, na Cinelândia, ficava no primeiro andar do Bar Amarelinho, que já existia à época.
    A Charlotte era steno-datilógrafa francês/português, trabalhou em empresas de exportação e no Banco Francês Brasileiro.
    De quando em vez íamos passar temporadas em hotéis fazenda, como o Salvaterra , próximo de Juiz de Fora, MG.  Era uma manifestação do interesse dela pela vida no campo.
    Daí, em 1940, descobriu o Arraial do Frade, Macaé, RJ onde comprou um sítio e batisou-o de Chalet, que passou a ser nosso destino obrigatório nas férias escolares. A casa era pernalta, com os barrotes apoiados em bases de pedra, emoldurada por um jardim com muitas espécies de flores e ervas aromáticas.
    Tinha casa de farinha e moinho de fubá operantes, tocados a água, galinhas, porcos, cavalos, cães e gatos, horta, pomar, bananal e um brejo tomado de açucenas de flores perfumadas.
             Nas ausências prolongadas,  o elo de ligação com o Frade foi Mirote Castro e sua família, esposa D. Joaquina, sogra D. Fantina, filhos Joamyr, Joahyr, Jaline, Jaci e mais tarde, Jarbas e Jussara .
    O sítio ficava entregue a um empregado,  que também o explorava na base da terça e o Mirote estava sempre atento para as situações que requeressem  decisões e atitudes.
    Daí nasceu uma ligação de amizade entre as famílias, que levou  em 1950 Mirote tornar-se padrinho de batismo de Leila, a caçula.
    Por volta de 1942 nossos avós se mudaram do Rio para o Frade, período em que o sítio recebeu mais atenção e cuidado.
    Em frente da casa, distante uns 5 km, via-se a Pedra do Elefante como nós a conhecíamos, que nosso avô chamava de Chapeau de Napoleon (Chapéu de Napoleão), pois era como ele o via.
    Do Rio, a famíla enviava pelo correio jornais e revistas, que eram entregues pelo estafeta, Procópio. Ele se deslocava entre Glicério e Sana fazendo a distribuição. Sem desapear, manobrava sua bela mula, tirava do embornal a correspondência, esticava o braço e a entregava a quem estivesse na varanda. Será que os Correios ainda fazem isto?   Era tempo da 2ª Guerra Mundial.
    A avó (memê em francês)  Adelaide era cega por glaucoma, mas tinha uma bela mesa de costura, com agulhas especiais para cegos e um monte de quinquilharias cujas posições  ela conhecia de cor, e ficava muito zangada quando Sergio mexia em suas coisas e não as punha no devido lugar. Guiada por Sergio, gostava de ir a horta para colher folhas e legumes, que avaliava pelo tato. Ela se deslocava sozinha somente em casa e de vez em quando resmungava algo em francês com a palavra chemin (caminho), quando sua bengala encontrava um dos cães deitados.
    O avô, (pepê em francês) Antoine, de barba e cavanhaque brancos,  invariavelmente, estava vestido de camisa com mangas longas, calças compridas, botas ou uma espécie de perneira (que era uma longa faixa de pano trançada na perna, como usavam os soldados franceses na 1ª Guerra Mundial) em suas andanças pelo sítio ou quando montava Diana, a égua marchadeira.
    Em 1939, a Comissão Central de Macabú, contratou serviços e equipamentos japoneses para a construção  da Usina de Macabu.  Com a eclosão da guerra em 1941 o contrato foi cancelado, o pessoal técnico regressou ao Japão, mas alguns ficaram e seus descendentes continuam até hoje no ramo da engenharia, em Niteroi.
    À época, o canteiro de obras da CCM na Tapera era, guardadas as devidas proporções, coisa de primeiro mundo, com hotel e hospital. Neste hospital, Adelaide foi internada, operada,  veio a falecer em 1943, tendo sido enterrada no cemitério do Frade. O velho Doret, durante os dois anos que ainda passou no sítio, semanalmente montava a Diana e ia levar flores colhidas no jardim e deixa-las na sepultura.  Mudou-se para o Rio e faleceu em 1947. Seus despojos foram transladados para o Frade em  1952.
    As idas para o sítio eram precedidas de cuidadoso preparo, encaixotando alimentos não encontráveis no Frade, chocolate amargo em barra da Kopenhagen (cujo consumo era rigorosamente controlado para cobrir todo período de estadia) e outras guloseimas.  Os caixotes eram despachados para Glicério, pela Agência Pestana.  De lá era contratado o transporte para o sítio pela tropa do Apolônio .
    Viajar para o sítio era um evento memoravel.  De madrugada, por volta das 2:00 h tomávamos um taxi com destino à estação da Leopoldina Railway, de onde saía o trem para Macaé.  No saguão da estação, o cheiro da fumaça e o barulho das locomotivas, os empregados uniformizados, a azáfama de passageiros e carregadores, criavam um ambiente surreal para nós crianças.  Ao assistir o primeiro filme de Harry Potter, o embarque no Expresso de Hogwarts, Sergio lembrou-se daquelas oportunidades, então esquecidas.
    Em Macaé almoçávamos e embarcávamos às 14h00min para Glicério, aonde chegávamos ao entardecer. Dormíamos no Hotel Correia e pela manhã do dia seguinte os cavalos nos esperavam para ida ao sítio, não mais do que 9 km, mas galgando 330 m. Era uma eternidade.
    Embora passássemos meses distantes, os cães nos reconheciam e faziam festa.
    Na temporada eram feitos os consertos e reparos de maior monta nas casas, manutenção do moinho de fubá e casa de farinha pelo carpinteiro Moisés, que também era o guia nas incursões pela mata no alto da serra.
 Era um passeio puxado até o topo 400 m mais alto do que a casa, em que a Charlotte parava muitas vezes arfando, descansava e tornava a subir até que chegássemos ao topo, onde consumíamos o conteúdo do embornal do farnel.
A cada momento o Moisés identificava uma planta de interesse especial.  À época, o palmito juçara era abundante e ele trazia um feixe tão grande quanto pudesse carregar. No caminho havia também a Grota do Chuchu, assim chamada pela abundância deste em estado nativo.
A visita à vizinhos era uma prática corrente naqueles tempos e a Charlotte fazia o mesmo, até como mais uma oportunidade de andarmos a cavalo (Charlotte usava culote e botas de cano longo), além das idas ao Frade para compras no armazém do Antônio Abreu e do Gumercindo, que era um sobrado, ou na padaria do Adelino. Por vezes, passeios mais longos, como Sana e Tapera, e muitas vezes voltando debaixo de chuva, satisfeitos da vida. Nestas ocasiões, para aquecer-nos internamente, era-nos permitido beber um meio cálice de Kümmel, um licor transparente, muito doce e forte ou ainda, ou chupar um tablete de açucar previamente molhado com cachaça.  Isto depois de desarrear os animal e leva-los a um dos pastos.
Num ano qualquer do século 19, o naturalista francês Saint-Hilaire cunhou no livro Viagem à Província de São Paulo a frase que se tornaria famosa e causaria espécie no governo Vargas:
“Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”.
No pomar, cada pequena árvore era cercada por um fosso circular construído em cimento, que era mantido com agua para evitar o ataque da saúva.  A Charlotte frequentemente vistoriava e ficava impressionada com as soluções engenhosas de que as formigas se valiam para atravessa-lo, como uma ponte formada por formigas que se prendiam umas às outras.  Assim, o combate às saúvas era uma atividade frequente, em que se usava um grande fole, na ponta do qual havia uma recipiente de ferro onde se colocavam brasas, algum tipo de veneno em pó, que gerava densa fumaça.  Ficávamos atentos para o surgimento dela nos olheiros, que eram tapado com sabugos de milho.
Pela sua origem rural e europeia, gostava de cozinhar e também armazenar (para o inverno)  o que houvesse sido feito. Quando se matava porco, o dia inteiro ficava por conta da preparação do boudin noir (morcela), da andouillete (embutidos de miúdos, pâté de campagne, o confit (a carne temperada frita e conservada na gordura) usando a alfavaca, o simplicinho, a hortelã pimenta da horta...
À noite, tomávamos um chá de erva cidreira ou capim limão, comíamos bolo assado no borralho do fogão e líamos a luz de velas até que o sono chegasse. 
Charlotte gostava também de cantar e por vezes fazíamos um sarau, acompanhando as canções de velhos discos 78 RPM, executados por uma vitrola portátil, que exigia que se lhe desse corda entre cada disco executado e a troca frequente de agulhas.
Na frente da casa, há uns 100 metros e do outro lado da estrada que vinha do Frade, estava o rio São Pedro, com boa vazão até no período mais seco, onde podíamos tomar banho de cachoeira e, literalmente, mergulhar de uma laje de pedra de onde ficávamos apreciando a mata ciliar que o protegia. Nas épocas de menor vazão, caminhávamos rio abaixo ou rio acima, descobrindo novas paisagens e locais para banho.
De vez em quando íamos ao Poço da Paca, há uns 700 metros indo na direção do Frade, do lado direito, um trecho menos encachoeirado, e bem mais largo do que o que estava em frente do Chalet, onde era possível de braçadas e onde pescávamos com uma peneira, passando-a junto da vegetação das margens.
Estamos falando de situações que ocorreram há uns 60 anos. Se hoje alguém procurar identificar os locais pela descrição dos dois parágrafos acima, não os encontrará. A mata ciliar foi removida e o rio São Pedro é um riacho. Basta entrar no Google Earth, localizar o Sítio Chalet com as coordenadas 22º 15’ 15.95” S  e  42º 07’ 05.89 W e constatar.  Como será daqui a mais 60 anos?
Já que tratamos de degradação ambiental, a foto 27 mostra a chegada ao Frade vindo do Chalet, em 1950. Nela se nota ao fundo, a igrejinha impávida sobre o pequeno morro. Era o cartão de visitas do Arraial do Frade. Há alguns anos atrás fomos rever o sítio e ficamos chocados em ver um prédio disforme colado à igreja. Na ocasião enviei mensagem para a Secretaria de Turismo de Macaé, me referindo ao fato como indigência cultural ...
Com a passagem do tempo, já não íamos com a frequência anterior e raramente estávamos todos juntos, por força dos compromissos de estudo e profissionais.
Em 1960 o Chalet foi vendido para Mirote Castro, dele para Adelino e hoje é de propriedade de José Carvalheira.
Ao se aposentar em 1962, Charlotte mudou-se do Rio para Nova Friburgo, RJ.
Lia muito, pintava em porcelana, cerâmica, tela e por  vezes  experimentava a  tapeçaria, até que a visão dificultasse. Submeteu-se a operação de catarata e voltou às atividades.
Em 1969 foi internada e seu estado era crítico, a ponto de termos ido visita-la como se fosse a última vez. Recuperou-se e embarcou no Frotavento, um navio cargueiro da Frota Oceânica, cujo comandante era seu sobrinho, numa viagem pelo mundo a fora de quase 3 meses.
Apesar da saúde, ela tinha grande Alegria de Viver...
Faleceu às 11:10 h de 14/06/75 e a neta Daniela, filha de Leila, nasceu exatamente nove meses depois,  às 23:10 h de 14/03/76...
Enquanto puxava pela memória e buscava fotos, Sergio pesquisou e encontrou no Google, o endereço de Joamyr  Castro (filho de Mirote e d.Joaquina), médico anestesista e cardiologista em Adamantina, SP.
 Nos períodos de férias durante a infância e adolescência, foram companheiros no desempenho de tarefas que o velho Mirote atribuia a ele e seus irmãos.
Enviou-lhe as fotos e restabelecendo contato depois de meio século e recebeu email dando notícias:
“Meu Querido Amigo Sergio
que maravilha saber que estamos vivos e que nos veremos nos próximos dias.
Também estou casado novamente com Suely porque Syrlene morreu ha 30 anos.
              Joahyr mora aqui em Adamantina, Jaline em Macaé, Jaci em Barra de São João, Jussara em Macaé, e Jarbas em Ibaté, próximo a São Carlos SP.
 Se você estiver em Niterói no próximo dia 07 de dezembro eu terei muito prazer em encontrar você e Lucia. Chegarei ao Rio pela manhã (avião), visitarei a prima Laís em (Niterói) que está doente e provavelmente estaremos livres a partir das 11:00 h.
A tarde viajaremos (ônibus) para Macaé. No dia 09 de dezembro estaremos no Frade, na Escola Fantina Melo (minha Avó) entregando um premio denominado Joaquina Maria Castro ao melhor aluno do ano.”
Regina, a sua curiosidade sobre a Madame rendeu bons frutos.
Anexo, o ppt Sítio da Madame, com as fotos que conseguimos recuperar.

Niteroi, 10 de janeiro de 2012
Andrée, Leila e Sergio  

Como um padre viu o Pico do Frade

Quem avista a Pedra do Frade ao longo,pelas estradas,indo de Macaé ao Frade contempla a figura de um piedoso religioso,esculpido pela mão divina nas belíssimas montanhas.Um frade inclinado em profunda reverência, a cabeça como que beijando um altar em início de missa,com a marca da tonsura (corte de cabelo que havia em forma de coroa). A parte mais alta,o capuz eo hábito,roupa que o frade veste, a gola bem acentuada,demonstrando o esforço do movimento de adoração e reverência.A direita,um monte mais baixo,o restante do corpo do irmão de fé,existe ainda um pequenino acento do cíngulo,cordão que envolve a cintura do hábito-frade franciscano.
O rosto se oculta delicadamente,também a face do frei não se deixa ver.
Esta escultura natural é uma catequese que nos emociona. Simples,forte,visível e suave,despojada e, ao mesmo tempo maravilhosamente rica em resplendor de serenidade,como a vida de um bom frade.

El mundo

“El mundo cambia si dos se miran y se reconocen” (Octavio Paz) Não importa quando você vai colocar suas vistas neste texto, as palavras se...