quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Férias no Bosque
Retiro-me. Provisoriamente,mas retiro-me.Vou para o meu bosque.Ninguém pode vendê-lo. É meu- a única coisa que possuo de fato e de direito. De lá, se quiser poderei ver tudo que se passa neste mundo, do qual parto apenas com uma mochila quase vazia. Há frestas entre as arvores copadas por onde pode entrar a escuridão exterior.
Este bosque azul é uma criação da menina introvertida que fui.O espaço é úmido como o útero materno. Freud ia “deitar e rolar” nesta fantasia. Que o façam os freudianos, pouco me importa.Dedicar-me-ei a atividades mais construtivas. Por exemplo, ver o desfile dos anõezinhos mineradores-que ainda não descobriram Branca de Neve em suas caminhas -todas as madrugadas, com seus instrumentos próprios; picaretas, lanternas,pás. Vão cantando. Felizmente, seu sustento não sai do subsolo da Amazônia. Garimpam ali mesmo. O espaço azulado também lhes pertence, é nossa propriedade comum. Não poderão privatizá-lo, pois já o privatizamos há muitos anos. Não podem alegar que dá prejuízo, pos sempre nos sustentou, sem que precisássemos de subsídios governamentais, de negociatas tipo;”eu te dou isto, tu me dá aquilo”, quando isto e aquilo não pertencem aos “negociadores”, mas são patrimônio de um povo.Povo envolvido e ludibriado pela mídia. Povo que acaba achado bom ser escamoteado, ter seus pertences retalhados e entregues que não te nada a ver com ele.
No meu bosque, paradoxalmente, há um arco-íris constante. Mesmo que não chova e que o sol não apareça depois da chuva, lá está o arco-íris,com promessa de Deus de que o mundo não mais perecerá sob as águas.Que se aposentem todos os Noés - não são necessários na nova hecatombe.
Haverá algo que substitua a Arca? Não sei. Também, não é imprescindível que haja. O um bosque é uma região imune a quaisquer ataques que venham de fora. Só Deus não o fará. Pelo contrário. Ele talvez queira que o bosque azul seja um abrigo semelhante à Arca de Noé. Conforme os acontecimentos se sucederem, que venham todos, todos os homens e mulheres de boa vontade, todos que se recusaram a ver que o país está tendo sua população substituída por rinocerontes, como na peça de Ionesco. Sim, olhem para os lados e observem- os que não estão isolados em um planalto- as manadas de estranhos animais com um chifre no meio do focinho. O número de rinocerontes cresce a cada dia. A metamorfose é fácil; basta a ignorância ara que ela se processe com mais fertilidade que a dos coelhos.
Venham, venham todos os que quiserem,os que não podem mais respirar neste ambiente putrefato. O bosque é meu, mas não padeço de egoísmo. Podem vir.
Em alguma noite, os anõezinhos, retornando de sua honesta labuta, poderão encontrar Branca de Neve em suas caminhas.
E posso descobrir que Branca de Neve sou eu.(NC)
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