sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Geléia da Rocinha

GELÉIA DA ROCINHA
Seu nome de batismo é José Jaime Costa. Ele já foi porteiro, servente de obras. Hoje, aos 58 anos, se considera um pintor, embora o chamem de artista plástico.  Seu nome de guerra e de fama é Geléia da Rocinha, apelido que ganhou do escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues.
"Eu morava na Rocinha e trabalhava como porteiro da tv Globo. Quando tinha discussão sobre armas no trabalho, eu sempre falava do maior medo que tinha disso. Numa dessas, o Nelson Rodrigues estava passando pelo corredor da emissora e disse que eu parecia o Guarda Geléia, aquele personagem do programa do Jô Soares. Aí o nome pegou", conta.
Autodidata, Geléia começou a carreira artística pintando faixas e letreiros populares. Com um traço negro que reforça os desenhos multicoloridos, desenvolveu sua técnica utilizando materiais reciclados. Um de seus trabalhos notórios são enormes galões de óleo pintados com tinta acrílica "envenada". "Ela leva uma resina que dá relevo, mas seca muito rápido. Por isso tem que pintar rápído pra não perder o pincel", revela Geléia. Sua obra já ilustrou capas de cd, projetos gráficos, cenários, murais e editoriais de moda. O artista tem no currículo seis exposições individuais no Rio e trabalhos publicados nas revistas americanas At home in Rio, da editora The Vendome Press, de 2006; e Big Magazine, na edição especial Brazil, de 1999. Também assina o painel da fachada da Sala Baden Powell , em Copacabana. Em 2012, Geléia da Rocinha produziu dez telas, orçadas em cerca de U$ 3 mil,  para a exposição Urbana Brazilian Street Art  na galeria Espace L, em Genebra, Suíça.
Há alguns anos, ele anda de muletas e tem que pintar sentado, pois levou um tombo em um barco de pesca e quebrou a bacia. Embora tenha nascido e se criado na Rocinha, hoje o artista mora em São Gonçalo. Seu ateliê é também seu "barraco" - como chama a residência que divide com a esposa e alguns dos filhos. "Eu me perco nos números; sei que são pelo menos nove filhos", brinca Geléia.
Um vascaíno de peso, falastrão de fazer inveja ao Túlio Maravilha, e amigo até debaixo dágua. José Jaime da Costa, o Geléia da Rocinha, é muito mais que um artista que quebrou as barreiras da sociedade e a linha Tênue do preconceito, é muito mais! É uma pessoa especial. Artista de quilate internacional, e que sempre conviveu com sua arte como se fosse a coisa mais simples do mundo, Geléia, é aquele cara que sempre nos surpreende com tiradas sarcásticas e bem humoradas, como se estivéssemos falando com dez pessoas ao mesmo tempo. Apesar de ás vezes não parecer, é um homem dotado de muita simplicidade e bom humor.

Currículo do artista
۞ Exposições Individuais 

2012 - É o bicho na cabeça - curadoria de Marco Antonio Teobaldo - galeria Cela, Centro Cultural Justiça Federal - Rio de Janeiro (RJ)
2009 - Cores da África - Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos - Rio de Janeiro (RJ)

2008 - Mar aberto - curadoria de Marco Antonio Teobaldo - Espaço Furnas Cultural - Rio de Janeiro (RJ)

2006 - Orixás - - Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos - Rio de Janeiro (RJ)

2004 - A explosão do silêncio - Sesc São Gonçalo (RJ)

2004 - A explosão do silêncio - Museu José Bonifácio - Rio de Janeiro (RJ)

2002 - Orixálarte - Museu da Imagem e do Som - Rio de Janeiro (RJ)

1999 - Livraria Dante - Leblon - Rio de Janeiro (RJ)



۞ Exposições Coletivas 

2013 - Os Brutalistas - curadoria: Marco Antonio Teobaldo - Galeria Pretos Novos - Rio de Janeiro (RJ)
2013 - Rubens Gerchman - O garimpeiro do asfalto - curadoria: Marco Antonio Teobaldo. SESC Duque de Caxias (RJ)
2012 - Urbana - Brazilian Street Art - curadoria: Marco Antonio Teobaldo - espace_L - Genebra (Suíça)
2011 - Depart - curadoria: Adon Peres - espace_L - Genebra (Suíça)

2011 - Onze - curadoria: Marco Antonio Teobaldo - Galeria Colecionador - Rio de Janeiro (RJ)

2011 - Gerações - curadoria: Marco Antonio Teobaldo - Galeria Colecionador - Rio de Janeiro (RJ)

2011 - Ponto de Partida - curadoria: Marco Antonio Teobaldo - Galeria Colecionador - Rio de Janeiro (RJ)

2011 - Verão da Cultura.Urgente - curadoria: Heloisa Buarque de Hollanda e Marco Antonio Teobaldo - Parque Lage - Rio de Janeiro (RJ)

2010 - PAREDE 2010 - II Festival Internacional de Pôster Arte do Rio de janeiro - Artista convidado - curadoria: Marco Antonio Teobaldo e Eduardo Denne - Centro Cultural Justiça Federal - Rio de Janeiro (RJ)

2010 - A céu aberto - Casa França-Brasil - curadoria: Marco Antonio Teobaldo - Rio de Janeiro (RJ)
2009 - Arte de Reciclar - Espaço Aberto UFF - Reitoria - Niteroi (RJ)
2009 - Iluminando o Novo - curadoria de Franz Manata - Espaço Furnas Cultural - Rio de Janeiro (RJ)

2009 - PAREDE 2009- I Festival Internacional de Pôster Arte do Rio de janeiro- Centro Cultural Justiça Federal - Rio de Janeiro (RJ)

2009 - Iluminando o Novo - curadoria de Franz Manata - Largo das Artes - Rio de Janeiro (RJ)

2007 - Manifesto porco com arte - CCBB - Rio de Janeiro (RJ)

2007 - Fashion Mall - Rio de Janeiro (RJ)

2006 - Estética da periferia - Centro Cultural Correios - Rio de Janeiro (RJ)

2003 - Expo-étnica - Museu da Imagem e do Som - Rio de Janeiro (RJ)

2003 - A Imagem do som - Paço Imperial - Rio de Janeiro (RJ)

2002 - A Imagem do som - Paço Imperial - Rio de Janeiro (RJ)

2001 - A Imagem do som - Paço Imperial - Rio de Janeiro (RJ)

2000 - Cenas Imaginárias - CCBB - Rio de Janeiro (RJ)



۞ Publicações 

2006 -At home in Rio - ed. The Vendome Press - Nova Iorque - EUA
2002 - Anônimos e Famosos - Carlos Eduardo Novaes - ed. Arte e Ensaio - Rio de Janeiro - Brasil

1999 - Big Magazine - ed. especial "Brazil" - Nova Iorque - EUA



۞ Ilustrações para projetos gráficos 

2004 - Peça "Vamos brincar de amor em Cabo Frio" - Cartaz e demais peças gráficas - Sala Baden Powell

2000 - cd Fernando Salem - Disco - projeto gráfico de Gringo Cardia

1999 - cd David Ganc - Caldo de cana - projeto gráfico de Gringo Cardia

1998 - cd Carlinhos Brown - Omelete Man - projeto gráfico de Gringo Cardia



۞ Obras para Cenografias

2010 - Prêmio de Cultura do Estado do RJ - Teatro João Caetano

2008 - Projeto "Quanto mais... música + arte" - Centro Cultural Suassuna

2006 - Filme "Maré - a nossa história de amor" - colaboração

2004 - Semana Lucky Strike de Moda

1999 - Show Elza Soares - Do cóccix até o pescoço


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Término do namoro

A dor do término de um namoro é avassaladora para todos. Sabemos que vamos sobreviver, mas, ainda assim, esperar o tempo de curar é difícil. Mas queria registrar aqui uma observação. Um relacionamento de merda, que nos transforma em capachos, lixo emocional do(a) outro(a), é pior. Vamos buscar consolo no fato de que, no término, ainda temos, sim, dignidade. Isso faz muita diferença. Permanecer num relacionamento que nos priva de amor, consideração, fidelidade e lealdade é o que verdadeiramente acaba com nosso espírito. Ser o 'nada' pra alguém é muito pior do que o processo de nós descobrirmos 'tudo' novamente. O meu desejo de possuir uma frieza natural, um ar completamente blasé, refletia apenas um outro desejo: o de nunca sofrer. Principalmente no que diz respeito a relacionamentos amorosos, a vontade de não se ter expectativas a respeito do outro é muito grande. Sem expectativas, não há decepção. Sem envolvimento, não há perda. Mas nós sabemos que isso é impossível. E todo mundo sabe que para se ter o bom da vida, é necessário aguentar também aquilo de ruim que vem dela, e blá, blá, blá. O maior problema com relação ao fim de um namoro é que a gente pode até saber das coisas, mas a gente não consegue senti-las. Não conseguimos sentir que tudo passa. Não conseguimos enxergar a possibilidade de outro amor no futuro. A dor parece não ter fim. A vontade de chorar aparece em horas impróprias e inesperadas. Não há pote de sorvete no mundo que apazigue essa dor tão intensa e subjetiva. Mas ajuda, né? É engraçado ver como cada um procura estabelecer comportamentos-padrões para seguir após o término. Uma espécie de “regras da separação”. Já vi gente que queimou fotos, já vi gente que passou mais de um mês isolado em casa. Hoje em dia, no mundo moderno, já vi gente cometer orkuticídio, colocar letra de música depressiva no fotolog e apresentar comportamento sexual oposto do seu (se era hetero, ficou com pessoas do mesmo sexo e se era gay ficou com pessoas do sexo oposto). É. Terminar é complicado mesmo. E para mulheres, então? Não conheço UMA que não passou o mês seguinte analisando cada detalhe da relação, se perguntando o tempo todo “será que eu tentei o suficiente?”, “será que eu exagerei?”, será que ele nunca me amou?”, “será que ele me quer de volta?”,“será que eu não devia ter terminado?”. A obsessão amorosa parece mesmo genética nas mulheres. Eu nunca pensei em criar regrinhas para um término. Mas pensando a respeito, cheguei à seguinte conclusão: AS REGRAS DO TÉRMINO 1. Esconda as fotos dele e de vocês juntos e felizes, mas não as destrua. Depois que tudo passa e você desapaixona, é um arrependimento só. Afinal, as pessoas, quando entram na nossa vida, passam a fazer parte de toda a nossa história; 2. Cerque-se de atividades e inove. Volte a ter contato com amigas que não vê há tempos e vá sempre pra lugares aonde nunca ou raramente foi. Explore sua própria cidade, como se fosse turista. Pode até paquerar na noite fingindo que é turista mesmo. Invente um sotaque, exorcize; 3. Afaste-se de filmes românticos hollywoodianos. Ninguém vive feliz para sempre. Só vão te fazer mal. Aposte nos extremos: comédias hilárias para se distrair ou dramalhões absurdos, para chorar com outra justificativa que não seja o fim do namoro; 4. NADA DE BISBILHOTAR NO ORKUT; 5. Comece a namorar com você mesma. Se dê os presentes que você queria que ele soubesse que você queria, mas não tinha sensibilidade pra adivinhar que você queria (mulheres são complicadas mesmo, hein?). Vá ao salão, compre um vestido, passe batom carregado de gloss. Você não tem que ficar beijando ninguém mesmo. Mas nada de cortar o cabelo curtíssimo num impulso. Se ficar ruim, você vai se sentir pior; 6. Se você é daquelas que realmente não consegue tirar a cabeça do término, apele: faça serviço voluntário numa creche, visite um parente falecido no cemitério, faça qualquer coisa que te mostre como um fim de namoro é, na verdade, algo pequeninho na dinâmica da vida e do mundo; 7. Tente se convencer, todo dia, um pouquinho, que o fim de um namoro nada mais é do que a oportunidade de se começar outro. Se um amor foi embora, é porque há um outro ansioso para te conhecer. Olhos abertos. E se precisar, pode ficar lembrando de todos os defeitos dele. É um ótimo jeito de ver que não estamos perdendo grande coisa; 8. Permita-se desabar, e, para isso, tenha sempre números emergenciais das amigas mais íntimas e disponíveis. Às vezes chorar num ombro tem mesmo efeito mais benéfico do que chorar só no próprio travesseiro. Permita-se sofrer. Quando você finge que está bem, acaba passando um ano muito mal; 9. Exercite sua gratidão. Lembre-se que se apaixonar não é fácil e nem tão comum quanto pensamos. Quem amou de verdade, deve ficar muito feliz de não se descobrir incapaz de se entregar para alguém de corpo e alma. Isso é raro, é um presente; 10. Espere. Se dê tempo. Ele age de forma surpreendente. Por isso, leve o tempo que precisar, contanto que não esteja se acomodando na depressão. É o clichê do século, mas é verdade: o tempo cura todas as feridas. E lembre-se sempre “tudo passa, até uva passa”.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Ganância

Essa ganância da natureza humana de alguns cidadãos vem destruindo o pouco que resta de um sentimento chamado fidelidade.....as pessoas se vendem pois não tem capacidade de melhorar na vida profissional e já que tem como ganhar um bom dinheiro sem fazer nada então para que se preocupar..para que cumprir o que prometeu na época da eleição. ..no inicio são as cobranças ao governo..mais em pouco tempo tudo quieto calado aí a gente vai e descobre que fulano está ganhando de um tal vereador para ficar quietinho...para que fazer cobranças.se estressar..melhor no fim de semana ir passear ou só ficar em casa curtindo a família. ...já que a cobrança do eleitorado não vem mesmo..pois todos estão tão acostumados a ser enganados que nem cobram mais...esse ano vai ferver de promessas...ano de eleição e começa tudo de novo...pode deixar vou resolver isso sim....a sim vamos passar na sua casa e vamos conversar ouvir suas ideias....vou almoçar hoje em sua casa eu adoro água suja de feijão com farinha....ano de beijar...beijar muito...ninguém é mais fiel a uma causa.uma comunidade.um estado.um.pais só são fiéis a polpuda conta bancária .

Maledicência e fofoca, o mau uso da palavra

O hábito da maledicência é bastante arraigado em nossa sociedade.
Chega a constituir exceção uma criatura que jamais tece comentários maldosos sobre seus semelhantes.
Mesmo amigos, não raro, se permitem criticar os ausentes.
Quase todos os homens possuem fissuras morais.
Seria sinal de pouca inteligência não perceber essa realidade.
Não é possível ver o bem onde ele não existe.
Também não é conveniente ser incapaz de perceber vícios e mazelas que realmente existam. Mas há uma considerável distância entre identificar um problema e divulgá-lo.
Encontrar prazer em denegrir o próximo constitui indício de grande mesquinharia.
Esse gênero de comentário é ainda mais condenável por ser feito de forma traiçoeira.
Freqüentemente quem critica o vizinho não tem coragem de fazê-lo frente-a-frente.
É uma grande covardia sorrir e demonstrar apreço por alguém e criticá-lo pelas costas.
Antes de tecer um comentário, é preciso ter certeza de que ele traduz uma verdade.
Sendo verdadeiro um fato, torna-se necessário verificar se há alguma utilidade em divulgá-lo.
A única justificativa para apontar as mazelas alheias é a prevenção de um mal relevante.
Se o problema apresentado por uma criatura apenas a ela prejudica, o silêncio é a única atitude digna.
Assim, antes de abrir a boca para denegrir a reputação de alguém, certifique-se da veracidade dos fatos.
Sendo verídica a ocorrência, analise qual o seu móvel.
Reflita se seu agir visa evitar um mal considerável, ou é apenas prazer de maldizer. Na segunda hipótese, é melhor calar-se.
É relevante também indagar se você tem coragem de comentar a ocorrência na frente da pessoa criticada.
Se o fizer, dará oportunidade para defesa.
Certamente a pessoa, objeto do comentário, possui a própria versão dos fatos.
Por todas essas razões, e outras tantas, jamais seja covarde.
A covardia é uma característica muito baixa e lamentável.
O fraco sempre escolhe vítimas que não podem oferecer defesa.
Agride de preferência as pessoas frágeis.
Quando não tem coragem para atacar diretamente, utiliza subterfúgios.
Enlameia a honra alheia, faz calúnias, espalha insinuações maldosas aos quatro ventos.
O homem que é alvo do ataque de um covarde geralmente nem sabe o que lhe aconteceu.
Apenas se espanta ao deparar com sorrisos irônicos onde quer que vá.
Em ambientes em que era recebido calorosamente, agora só encontra frieza.
Percebe perplexo, o afastamento de amigos e parentes.
As fisionomias outrora benevolentes tornam-se sisudas.
Raramente alguém lhe esclarece a razão do ocorrido.
Assim, ele é julgado e condenado sem possibilidade de defesa.
Analise seu proceder e verifique se, por leviandade, às vezes você não age de forma maldosa e covarde.
Pense nos prejuízos que suas palavras podem causar na vida dos outros.
Imagine se fosse você a vítima do comentário ferino.
Certamente gostaria que a generosidade fizesse calar os seus semelhantes.
Ou ao menos que eles fossem leais o suficiente para falar às claras com você.
É preciso eliminar o hábito da maledicência.
Trata-se de um comportamento eivado de covardia.
E sem dúvida o seu ideal de vida não é ser um covarde.


Texto retirado do Momento Espírita

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Albert Einstein

Albert Einstein, um dos maiores gênios da Física, o homem que revolucionou a Ciência, conhecido por sua sabedoria, seu pacifismo e sua simplicidade, o Einstein bonzinho daquela foto da língua de fora?
Esqueça, não é bem assim, segundo revelam as cartas que ele escreveu à sua primeira mulher, Mileva Maric, uma matemática sérvia com a qual foi casado durante dezesseis anos.
Em tais correspondências - 43 cartas - o físico alemão está longe de se revelar um marido carinhoso. Pelo contrário: ao se dirigir à sua mulher ele quase sempre o faz em tom mandão ou mesmo humilhador - como faria qualquer machão latino-americano de Clube dos Cafajestes: "Você não deve esperar nenhum gesto de afeto de minha parte". "Quando eu lhe dirigir a palavra, você deve responder imediatamente. Quando eu mandar, deve sair da minha frente sem protestar", escreveu ele em uma carta datada do ano de 1914. Em outra, de 1913, desta vez endereçada à sua prima Elsa Lowenthal (que se tornaria sua segunda mulher), Einstein fala de Mileva como "uma empregada que eu não posso demitir".
Empregada ela parece ter sido de fato - como queria o seu marido genial. "Você deve cuidar para que minhas roupas e meu escritório estejam sempre limpos e em ordem, e para que eu tenha três refeições diárias. Também renunciar a qualquer relação pessoal comigo, exceto aquelas necessárias para manter as aparências sociais".
Essa, digamos, face oculta do gênio da Física e de um dos homens mais respeitados do século XX veio à tona após o leilão de um lote de seus documentos pessoais, com cerca de 400 manuscritos, anotações científicas e cartas que ele escreveu ao longo de décadas. O leilão aconteceu em novembro de 1996, em Nova Iorque, e chamou mais a atenção pelas revelações pessoais do que por qualquer assunto pertinente à Ciência.
Além de marido cruel (e infiel, sabe-se também), Albert Einstein era um pai mais do que relapso - quase criminoso, pode-se dizer: ele teve uma filha com Mileva Maric, um ano antes dos dois se casarem. A menina, chamada Lieserl, nasceu em 1902 e nunca se soube exatamente o que aconteceu com ela, a não ser que foi dada para adoção a uma família sérvia. 
 Quando já era famoso, na década de 30, Einstein chegou a contratar um detetive particular para tentar localizar a filha que renegou, mas não teve sucesso. Além de Lieserl, o casal teve mais dois filhos - Eduard, um deles, já adulto, veio a morrer em um sanatório para loucos, na Suíça, passando anos sem nunca ter recebido sequer uma visita do pai genial. O segundo, Hans, não parece ter puxado o criador em sua genialidade, tanto que nunca passou de um medíocre professor de Hidráulica nos EUA - e nunca deixou de externar seu ódio ao gênio da Física que, afinal de contas, era tão humano, canalha e falho como qualquer jogador de sinuca da esquina.

Antonio Sérgio

António Sérgio de Sousa (Damão, 3/9/1883 – Lisboa, 24/1/1969)
Vida. Ensaísta, crítico, pedagogo, historiador, político, sociólogo, filósofo, António Sérgio foi uma das mais vincadas vocações de pensador, ainda surgidas em Portugal. Descendente, pelo dois lados, de altas patentes da Marinha, aristocrata de estirpe e tendo passado a infância no Ultramar – na Índia e na África –, optou, naturalmente pela carreira da Armada, que abandonou, em 1910, pouco depois de proclamada a República. Como ele confessará mais tarde, a sua educação decorreu no mais completo agnosticismo religioso. Foi no encontro da geometria analítica de Decartes, quando estudante da Politécnica, que ele descobriu o seu poder «racionalista», ao qual, mais tarde, aporá, não sem razão, o qualificativo de «místico». O seu 1.º trabalho, redigido entre 1903 e 1908 e publicado neste último ano, intitula-se Notas sobre os Sonetos e as «Tendências» de Antero de Quental. Fundada por Álvaro Pinto em Dezembro de 1910, a revista A Águia, de onde surgirá, em 1912, o movimento de apoio, justificação e orientação ao novo regime, designado «Renascença Portuguesa» onde colaboraram os intelectuais mais significativos do tempo, António Sérgio contou-se entre os primeiros. Mais tarde, dada a orientação «saudosista» impressa à publicação e ao movimento por Teixeira de Pascoaes, António Sérgio abandonará um e outro, indo fundar a Pela Grei (1918) de onde irá sair, pouco depois, em 1921, a Seara Nova, que contará, não muito tempo volvido sobre o seu aparecimento, com a colaboração tão assídua quanto esclarecida e esclarecedora de António Sérgio. É nos primeiros anos 20 que ele fez parte, com Raul Proença, Jaime Cortesão, Afonso Lopes Vieira, José de Figueiredo, Aquilino Ribeiro, etc., do famoso «Grupo da Biblioteca Nacional», que se encontra na origem e desenvolvimento da revista Lusitânia. Em 1923, não sem uma certa dose de idealismo, aceitou fazer parte do ministério de Álvaro de Castro, na pasta da Instrução, onde se manteve apenas dois meses. Tendo-se interessado vivamente, desde 1910, pelos problemas da educação e da «reforma da mentalidade» e tendo apresentado, por escrito e em ensaios experimentados, várias propostas nesse duplo sentido, a escolha para o cargo era acertada. A generalidade dos políticos do tempo – com as excepções que só vinham confirmar a regra, mais do que as estruturas do regime, é que não permitia à espécie de homem que era António Sérgio levar a cabo ideias longamente amadurecidas e que já noutras latitudes tinham dado frutos. Foi esse malogro político, a par do conhecimento da ineficácia prática dos homens da I República, que conduziram o liberal e libérrimo António Sérgio a não alimentar pela ditadura esse horor mortisque tantos democratas, normalmente sentem. Para ele, porém, a ditadura devia ser progressiva e transitória. Como essas duas condições não se deram, após o 28.5.1926, António Sérgio colocou-se na oposição, tendo por isso de sofrer exílios – por vezes longos, cárceres, apreensões de livros, receios de publicar outros, ataques, calúnias, vexames. Promotor do cooperativismo de associação, ajudou a fundar várias unidades desse tipo. Consciente da necessidade – e da missão – de «reformador da mentalidade portuguesa» – várias vezes foi levado a intervir na vida pública, mesmo durante o regime do Estado Novo, em particular nos momentos de eleições. Homem coerente, morreu pobre como pobre tinha vivido. Religiosamente agnóstico mas tolerante sentindo poucas afinidades com o cristianismo, jamais opôs a sua mulher, D. Luísa, senhora muito católica, em actos e crenças, o mais leve obstáculo na prática da sua fé.
Pensamento e ObraLegou-nos António Sérgio vastíssima obra, constando quase toda ela de ensaios – ou formais (8 vols.) ou materiais –, de traduções e de um avultado número de artigos da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira que, embora não assinados, o estilo acusa como sendo da sua lavra. O pensamento, que anima toda essa obra, arranca de determinados postulados de ordem epistemológica e ética a que António Sérgio se mantém habitualmente fiel. Esses postulados criam certos parâmetros dentro dos quais ele se move, sejam quais forem as matérias versadas – e tão vasto e vário foi o seu leque. Uns e outros se referem com frequência a grandes doutrinas da história cultural do Ocidente: o platonismo, o cristianismo, o cartesianismo, o kantismo, o neokantismo. Nesses diversos ismos distinguia António Sérgio o «real» e o «ideal», movendo-se a sua mente, clara e lúcida, em direcção a este último. A Razão e o Bem, estritamente unidos, representavam os dois grandes astros que lhe polarizaram o intelecto e a vontade, e a cuja luz, mesmo que o ardor polémico por vezes o cegasse, procurava julgar pessoas e factos, ideias e valores. Essas cegueiras momentâneas, embora algo frequentes, provinham do pendor do seu espírito: geométrico e nada dialéctico, dogmático no ponto de partida idealista – embora só nele –, apaixonado pelas evidências que se lhe empunham. É que havia em António Sérgio – coisa que ele descobrira em Antero, um dos seus grandes mestres – um ser diurno e um ser nocturno, ou, para usar a linguagem nietzschiana, Apolo e Dionísio. Habitualmente dominava Apolo, mas quando irrompia Dionísio a sua «ira» tornava-se implacável e demolidora. Foi assim nos ataques a Junqueiro e a A. Nobre, nas polêmicas com C. Malheiro Dias a propósito de O desejado, com J. Maria Rodrigues e A. Lopes Vieira sobre Camões, com Cabral de Moncada, com António José Saraiva, etc. Era esse «ideal» apolíneo que António Sérgio defendia também, na organização da sociedade, através do cooperativismo de associação, na pedagogia, através do self-government, na escola, segundo o espírito inglês e segundo o modelo do americano Dewey, na estrutura política da Nação, através de órgãos verdadeiramente representativos da grei e não impositivos do poder absoluto, qualquer que seja a sua forma ou pretensa justificação. Com tudo isto, António Sérgio não se julgava um «estrangeirado» em sentido estrito. Procurava na história pátria, sobretudo nos sécs. XV e XVI, os homens e os momentos que lhe pareciam ter algo do seu próprio ideário e aspirações, algo da grande razão constituinte e libertadora, algo do «método» eficaz e do discernimento crítico, algo que ilumina a treva e irrompe na luz estabelecendo novas relações de inteligibilidade e novas normas de exactidão, de justiça e de valor: o Infante D. Henrique e a sua plêiade de navegadores, Duarte Pacheco Pereira, D. Francisco de Almeida, o autor da Ropica Pnefma, Garcia de Orta, Pedro Nunes, Francisco Sanches, Duarte Ribeiro de Macedo, L. A. Verney, Mouzinho da Silveira, Passos Manuel, A. Herculano e A. de Quental, sobretudo. Idealista mas promotor da análise experimental e do concreto, racionalista mas nada desdenhoso da imaginação criadora, individualista-personalista mas veemente propugnador da dessubjectivação, libertário mas denodado incentivador da educação pela responsabilização, autonomista da consciência e dos grupos associativos mas assumindo e subsumindo na dinâmica da Razão transcendental e no Pacto, que deve qualquer sociedade mais larga e qualquer verdadeiro consenso da Humanidade, todas as consciências e factos particulares, tal nos aparece António Sérgio um dos nossos mais lídimos senão o mais lídimo escritor de ideias.
In: Verbo: enciclopédia luso-brasileira de culturaLisboa: Verbo, D.L.1983. Vol.16, p. 1807-1809.

Uma figura incontornável

António Sérgio nasceu em Damão, em 1883. Foi escritor, pensador e pedagogo, com vasta obra publicada que se estende da teoria do conhecimento à filosofia política e de educação.
 
Afirmou-se na área da Educação com obras e pensamento originais, tendo dirigido publicações periódicas e fundado o movimentoRenascença Portuguesa, precursor da reforma do ensino a seguir à Proclamação da República.
 
Os seus escritos, nas mais diversas áreas, revelam uma filosofia com profundas implicações humanas e sociais. Defendeu a doutrina democrática a nível de organização política, uma conceção da pedagogia que valorize a criança e o jovem como seres criativos, e foi um dos principais ideólogos do cooperativismo em Portugal.
 
Exilou-se em Paris após a subida ao poder de António Oliveira Salazar. Das suas obras destacam-se Educação Cívica (1915) e oito volumes de Ensaios (1920-1958). Morreu em Lisboa, em 1969.


El mundo

“El mundo cambia si dos se miran y se reconocen” (Octavio Paz) Não importa quando você vai colocar suas vistas neste texto, as palavras se...