terça-feira, 29 de julho de 2025

A menina e o luto

“A menina e o luto” Um dia, ele apareceu. Não bateu na porta. Não pediu licença. Só entrou. Grande, escuro, pesado. A menina tentou fugir. Mas ele a seguiu. Não gritava, não falava, apenas existia. No começo, ela chorava de medo. Achava que ele iria ir embora, se ela o ignorasse. Mas ele não foi. Dormiu aos pés da cama. Sentava ao lado nas refeições. Sussurrava no silêncio. Pesava no peito. Ela o odiou. Quis expulsa-lo. Se sentia culpada por não conseguir se livrar dele. Até que um dia… ela parou de lutar. E, em vez de correr, olhou. De perto. Percebeu que ele não era um monstro. Era um pedaço dela que havia perdido algo muito importante. Era a ausência… tomando forma. E então a menina e o luto passaram a caminhar juntos. E ele ainda era escuro, mas não mais assustador. Ela aprendeu a viver ao lado dele, sem tentar escondê-lo. Sem mais brigar com a dor. Porque entendeu que o luto não era o fim. Era só um jeito do amor continuar existindo. E porque já não havia mais nada que ela pudesse mudar… Ela precisou com o tempo, Aceitar o luto como parte da vida. Não por escolha, mais por sobrevivência. E assim, a menina seguiu… com o luto de um lado, e a memória do amor do outro aprendendo, dia após dia, a caminhar entre os dois.

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