quinta-feira, 8 de maio de 2025

Quem manda na minha bunda sou eu

Mulher, brasileira, carioca e bunduda. Foi aí que eu me ferrei. A minha história deve coincidir com a de muitas mulheres, mas eu sei que não será com a de todas. Afinal o que seria do amarelo se todas gostassem do azul? Tive, pela vida afora, namorados, maridos, ficantes e todos, sem exceção, quiseram intimidades profundas com a minha pobre bunda. Por que será que homens adoram bundas? Mas, enfim, eu sei lá e isso também não vem ao caso. Em papos com amigas, eventualmente, esse assunto vem à baila. Umas permitem que suas bundas sejam território explorável e juram que sentem o maior prazer com isso, outras se negam terminantemente a entregar suas bundinhas, que suas mamães passaram talquinho, para um aventureiro. Sempre acaba sendo uma discussão muito engraçada. As que liberam suas bundas dão conselhos para as que não liberam a fim de que elas facilitem o serviço na hora H e não sofram. Usa vaselina, KY, você vai ver como é bom, dá o maior prazer. Como assim, dá o maior prazer? Só se for pra elas, a minha experiência me diz que é pior do que ter um filho de parto normal, pesando cinco quilos, sem anestesia nenhuma. Bom, mas cada uma que cuide da sua própria bunda e faça dela o que quiser. O grande problema é que existe uma enorme pressão por parte dos homens. Já deito na cama de barriga pro alto de tanto trauma e que o felizardo não se atreva a me virar de bruços. Mas aí, lá pelas tantas, começa aquela conversinha mole no meu ouvido. Vira, vira...e já me dá vontade é de virar a mão na cara dele. Mas será possível que com tanta coisa que tem pra se fazer na cama tem que cismar logo com a minha bunda? Um dia, perdi a paciência, acho que estava com TPM e acabei virando a mão na cara do sujeito. Foi pior. Ele gritava: BATE! VIRA! VIRA! BATE! VOCÊ É DEMAIS!!! QUE TESÃO!!! Esse era louco de pedra, devia ser fugitivo de algum hospício. Já fiz todo tipo de proposta, canguru perneta, pendurar no lustre e rodopiar dez vezes, looping de 20 voltas....mas eles querem é a maldita bunda. Certa vez, um namorado, no auge da ira, depois de tentar por mais de um ano seduzir a minha bunda, me perguntou muito irritado: Mas qual é o seu problema? Eu não tenho problema, quem tem é você que quer alcançar o impossível. Ele terminou o namoro comigo nesse dia. Ah, que se dane, a bunda não é minha? Então faço dela o que quiser! Um outro namorado, também, tentou de todas as formas conquistá-la. Mas minha bunda não é qualquer uma, ela é séria, sisuda, praticamente virgem, não cai em conversa fiada. Um dos meus ex-maridos foi o que mais a desgastou emocionalmente. Eu tentava desviar a atenção dele da minha bunda, depreciava ela, mas nada resolvia. Cheguei a ter uma conversa séria com ele, tipo discutir mesmo a relação entre ele e minha bunda: Ela é só uma bunda sem graça, já está até meio caída, tem hemorróidas, é tristonha, não queira maltratá-la ainda mais. De nada adiantou, como sempre. Bunda pra mim só tem duas serventias - para sentar e para despachar as necessidades fisiológicas. Já sei, já sei, têm muitas mulheres que estão me lendo agora e estão pensando: "Ela não sabe o que está perdendo." Pois eu sei exatamente o que não estou perdendo! Aliás, estive pensando e acho que se tivesse nascido veado eu seria assexuado. Será que existe veado assexuado? Se não existe, eu seria o primeiro. Faria até parte do Guinness. O veado que nunca liberou sua bunda. Outro dia, assisti uma entrevista com a Rita Cadilac. Ela falou que, quando morrer, quer ser enterrada de bruços. Talvez eu faça a mesma coisa e na lápide eu mande escrever: AQUI JAZ UMA BUNDA QUE VIVEU SOLITARIAMENTE, PORÉM, FELIZ! Silvana Duboc

Nenhum comentário:

Postar um comentário

El mundo

“El mundo cambia si dos se miran y se reconocen” (Octavio Paz) Não importa quando você vai colocar suas vistas neste texto, as palavras se...