quinta-feira, 8 de maio de 2025
O outro lado do Paraíso
Dinheiro não cai do céu. Mas para Macaé caiu. A Petrobras chegou aqui trazendo quase todas as oportunidades, porque as outras oportunidades estavam nas belezas naturais e em todos nós; estava na esperança de que fôssemos honestos, inteligentes, justos e corajosos. Mas os macaenses, nós, as pessoas que deveriam proteger a cidade de todo o mal, toda a corrupção material e espiritual, falhamos em nossa sagrada missão. Fomos injustos e covardes, como os filhos que deixaram de acudir e salvar a mãe estuprada e assassinada diante de suas próprias vistas, abrigados vergonhosamente debaixo da cama e da desonra. Somos testemunhas de tudo, e nada fizemos. Quantos de nós fecharam os olhos, foram coniventes... Quantos de nós se venderam, muitas vezes por migalhas! O menor de todos os culpados votou nos já ricos e influentes, nos medalhões, os coronéis de sempre, que com os restos de suas mesas viriam a chantagear a miséria, para controlar seus rebanhos de eleitores pobres.
É simplesmente ridículo constatar que, apesar de todas as expectativas e de seus potenciais turísticos, da oportunidade lotérica de ter sediado a Petrobras por quarenta anos, e de possuir quatro lojas maçônicas, sede da OAB, Polícia Federal, sindicatos famosos e o escambau, a cidade não decolou! Não! Pelo contrário, Macaé regrediu, para se tornar esta verdadeira roça inchada de bandidos, traficantes, corruptos e outros oportunistas, que durante anos dominaram o cenário, usurpando na mão grande o erário público, desgovernando ao invés de governar, e esbanjando sobretudo incompetência, entre um espaço e outro dividido por suas tramas e conluios que surpreenderiam até mesmo a máfia italiana, devido ao descaramento e a falta de classe, mal disfarçada através das mais fúteis colunas sociais!
Tenho muito orgulho por ter nascido em Macaé, mas a minha Macaé, e não esta que está aí! Macaé hoje é podre, suja de corpo e alma, fede pelas sarjetas de sua história recente. E com certeza nada fede mesmo mais do que a enojante sociedade (alta) hipócrita, formada por uma corja de políticos feudais que vem se revezando há décadas, se perpetuando em um poder maligno, torpe, vicioso e doentio, que só serviu para proporcionar a aglutinação e o crescimento de favelas e assentamentos rurais, satisfazendo apenas aos seus próprios interesses e a de seus amigos empresários, empreiteiros, laranjas e mais um séquito interminável de baba-ovos, puxa-sacos profissionais, gentinha medíocre de vida fácil que vive de assessorias e comissões, para baterem palminhas para tudo isso como suas autênticas plateias pagas. Estas pessoas desprezíveis que se embebedavam e engordavam seus egos nas festas caras, que posavam sorridentes, bem vestidas e perfumadas diante dos flashes e dos comentários frívolos dos socialites de meia-tigela, eles e suas famílias participantes, co-autoras ou no mínimo coniventes, que se favoreceram direta ou indiretamente dos tantos peculatos ou que fizeram vistas grossas para a imperdoável canalhice dos golpes que se praticavam dia e noite contra Macaé, sinto asco, sinto tanta repugnância e nojo quanto Churchill sentia por Hitler. Se me perguntassem qual a Macaé que eu queria para amanhã, eu diria que é a Macaé onde estes calhordas seriam desmascarados, humilhados, presos e obrigados a ressarcir aos cofres públicos incondicionalmente tudo o que roubaram, até esfregarem a cara, senão os lábios, na lama seca da miséria que eles mesmo amealharam quando cuspiram e sapatearam sobre nossas cabeças, para após isso chegarem limpos e incólumes do outro lado do paraíso.
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