segunda-feira, 2 de junho de 2025

Maria

A Maria era uma Médica que vivia num prédio. Fazia muitas noites e, portanto, era vista frequentemente pelos vizinhos a sair ao final da tarde e voltar toda rebentada de manhã. A pouco e pouco, a Maria foi notando que todos os dias se assomavam à janela mais e mais pessoas, que olhavam para ela com um ar discriminatório e cochichavam entre si. Os dias foram passando e era cada vez mais a vizinhança que vinha à janela. A certa altura, já todas as varandas se enchiam de gente cada vez que a Maria entrava ou saía de casa. Certo dia, a dona Alberta do rés-do-chão, que era uma daquelas velhotas bem espevitadas, perguntou à Maria quando a viu chegar a casa de manhã: - Oh menina... Desculpe a minha pergunta, mas a menina por acaso é Médica? - Não. Sou Prostituta. Porquê? - Ah pronto! Já estou mais descansada! É que estava aqui cheia de medo que fosse médica e andasse a trazer alguma doença infecto-contagiosa aqui para o prédio!u A velha virou-se para a restante vizinhança e gritou bem alto: - Falso alarme! É Puta! Ouviu-se um grande suspiro de alívio pela rua, à medida que toda a gente voltava para dentro de casa, continuando as suas vidas como se nada se tivesse passado.

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