terça-feira, 24 de junho de 2025

Elefante

Quando um elefante precisa ser transportado de avião - digamos, da Índia para os Estados Unidos - algo inusitado acontece: sua jaula é cuidadosamente preenchida com... pintainhos. Sim, pintainhos. Pequenos, frágeis, indefesos. Por quê? Porque o elefante, esse colosso da natureza, teme machucá-los. E então, durante todo o voo, permanece absolutamente imóvel. Não por medo. Não por ordem. Mas por consciência. É assim que o avião mantém o equilíbrio. E é assim que o mundo conhece, pela primeira vez, a verdadeira grandeza de um gigante. Intrigados com essa delicadeza, cientistas analisaram seu cérebro e descobriram algo raríssimo: células fusiformes os mesmos neurônios que nos humanos se associam à empatia, à autoconsciência, à capacidade de sentir o outro. O elefante não é apenas forte. É sensível. Não é apenas grande. É imensamente nobre. Leonardo da Vinci, encantado com essa criatura, escreveu: "O elefante encarna a retidão, a razão e a temperança." E com razão. Ele se banha com solenidade, como quem deseja purificar a alma. Se vê um homem perdido, conduz com ternura de volta an caminhoao caminho. Caminha em grupo, liderado, nunca sozinho. É modesto: acasala longe dos olhos, e antes de voltar, lava-se. Se encontra outros pelo caminho, move-os com sua tromba com delicadeza, para não ferir. Mas talvez o mais comovente seja o final. Quando sente que vai morrer, o elefante se afasta. Vai sozinho. Em silêncio. Não por covardia. Mas para poupar a manada da dor. Por compaixão. Por modéstia. Por amor. Três virtudes que, mesmo entre os homens, tornaram-se raras.

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