quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Prisões

Existem duas prisões que a gente constrói para si mesmo. A primeira é a do arrependimento, por aquilo que a nossa boca, mais rápida que a nossa mente, deixou escapar. A segunda é a do silêncio, por aquilo que a nossa mente, refém do nosso medo, nunca permitiu que a boca dissesse. A palavra que escapa é como uma flecha. Uma vez lançada, não há como voltar atrás. Ela fica ali, pairando no ar, cravada na memória do outro. E você passa dias se torturando, repassando a cena, desejando ter o poder de voltar no tempo por um único segundo. Mas o silêncio, meu amigo, o silêncio é pior. Ele cria fantasmas. As palavras não ditas não morrem; elas ficam presas dentro de você, te assombrando nas madrugadas. São os “eu te amo” que você engoliu, os limites que você não impôs, as verdades que você sufocou por medo. É nesse campo de batalha interno, nesse tribunal onde você é, ao mesmo tempo, o réu e o juiz, que a gente finalmente se entende. Eu já falei sem pensar, como também já fiquei horas pensando no que não falei. E a gente se culpa. Se culpa pela impulsividade e se tortura pela covardia. Parece que nunca há um caminho certo. Ou você é o tolo que falou demais, ou o fraco que não falou nada. Mas a verdade é que isso não é sobre erro ou acerto. É sobre sentir demais. É ter um universo de sentimentos aí dentro e não saber, na maioria das vezes, o que fazer com ele. É a eterna briga entre a sua intensidade e a sua insegurança. Então, pare de se punir. Abrace a sua complexidade. Abrace o seu eu que, às vezes, tropeça nas palavras. E abrace, com ainda mais força, o seu eu que, às vezes, escolhe o silêncio para se proteger. Ambos são você. E ambos, no fundo, estão apenas tentando sobreviver à imensidão que é sentir. . ⁣ . ⁣ . ⁣ De um coração intenso para corações⁣ intensos, ⁣ ⁣ ❤️‍🔥

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