terça-feira, 7 de outubro de 2025

Ele

Relutei em escrever sobre isso; achei que não seria uma boa ideia. Afinal, ele consegue como ninguém despertar em mim o pior como ser humano. É a figura mais moralmente miserável que já ocupou o cargo; ele me irrita tanto que, diante das últimas maldades nesta semana acreditei que tecer quaisquer comentários mais elaborados implicaria inserir uma palavra de baixíssimo calão em cada linha. Mudei minha resolução. Por duas razões. Primeiro, porque acredito que nunca deixará de ser útil expor o nível de imoralidade de figuras como ele, beirando a psicopatologia. Por incrível que pareça, ainda há quem reconheça nele algum legado positivo, ainda há quem admire o seu governo, e estamos absolutamente convencidos de que ele não merece nenhuma consideração. Toda e qualquer imagem positiva que esse populista infame ainda conserve precisa ser combatida, sob pena de o edifício de governança baseada na corrupção e na bravata construído em torno dele resistir por mais Tive dificuldades enormes em acreditar no que estava acontecendo. O governante que atingiu o auge da reprovação, é motivo de revolta e escárnio. Que mais dizer? Redijo cada linha deste texto desanimada, enojada, nauseada, indignada com a figura sub-reptícia e dissimulada dele, que lançará sua candidatura em 2018. Ele não existe. Seu mau-caratismo é tão sobrenatural que quase cremos não seja mais do que um personagem de ficção. No entanto, essa ficção engambelou os eleitores. Não pode mais engambelar. Se segue havendo quem acredita que esse vilão bufão tem algo a dizer quando os ventos da justiça parecem soprar em seu cangote, a ponto de ele ter espaço para fazer o seu circo, tem-se mais uma prova de quão robusta é a barreira que nos separa da civilização. Ele não existe. Que seu projeto também não exista, para o bem de todos nós.

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