segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Dá-me a tua mão

Dá-me a tua mão vamos fingir só por um instante Que ainda estamos naquele carro estrada fora Mãos dadas no volante da vida errante Onde o silêncio entre nós dizia tudo … e ainda chora Dá-me a tua mão mesmo que seja só lembrança Daqueles quilómetros em que nada doía O rádio baixinho a estrada em mudança E o mundo inteiro dentro da tua companhia Dá-me a tua mão na curva da saudade Onde o tempo estacionou sem pedir licença Há toques que ficam mesmo na metade Como o teu dedo lento a seguir a minha presença Dá-me a tua mão como dantes sem pensar Quando conduzir contigo era mais do que destino Era o gesto simples de amar sem falar De deixar o corpo seguir o caminho Dá-me a tua mão só mais uma vez E fecha os olhos, que eu fecho os meus também Voltamos àquela tarde se quiseres… Onde o amor cabia nas mãos e em mais ninguém Dá-me a tua mão se a vida travar E o motor do peito falhar sem razão Que importa perder todas as direcções no ar Se ainda te encontro na palma da mão Dá-me a tua mão sem mapa sem norte Que o caminho certo é aquele onde estás Fingimos que a estrada nos volta à sorte … E que a viagem connosco… nunca se desfaz Ricardo Jorge/ Poeta Doce

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