Muitas mães abrem mão da sensibilidade e da alegria para cumprir um papel que a sociedade lhes impõe. Ficam tão fixadas nessas metas que esquecem que tão importante quanto alcançar o objetivo é aproveitar a delícia da caminhada até ele. Ainda que seu dia-a-dia esteja um caos, cheio de pressões e cobranças, isso não pode apagar em você a capacidade de se emocionar com pequenas coisas e se contagiar com a energia dos seus filhos.
Como uma mãe poderá curtir bons momentos com o filho se sua vida tem sido um acúmulo de tensão e angústia? Como compartilhar a beleza de um pôr-do-sol se sua vida tem sido marcada pela escuridão e pelo medo? Se você não estiver aberta para se deixar contagiar pela maneira de ser de seu filho, ficará irritado com sua alegria e se sentirá agredido com sua espontaneidade. A liberdade e a naturalidade freqüentemente causam mal-estar porque revelam às pessoas próximas quanto deixam de cuidar realmente de suas vidas. Estabelecer para si o propósito de aprender junto com seus filhos – como analfabetos que aproveitam a alfabetização das crianças para também aprender a ler! – é uma maneira de recuperar a espontaneidade. A opção de ter um filho deve vir acompanhada da decisão de questionar a própria vida e da disposição de se atualizar permanentemente, sobretudo em relação a crenças e sentimentos. Muitos pais destroem sua paz e a dos filhos por querer ser perfeitos e educar filhos perfeitos. No entanto, não existem nem pais nem filhos perfeitos. Essas pessoas se torturam a vida inteira, pois cobram de si mesmas e dos filhos algo impossível de conseguir. Para elas, a angústia e a tensão são companheiras constantes. Somente Deus é perfeito, e nós somos seres em busca da evolução. Aceite a você e aos outros como são. Dê a si mesmo espaço para fazer o melhor. Seja paciente para ouvir. Tenho certeza de que às vezes você, que acumula inúmeros papéis, está cansada, não tem paciência para ter uma conversa, tem outras coisas também importantes para fazer. Outras vezes não está com cabeça para conversar sobre a lição de casa. Ainda assim, quero que saiba com toda a clareza que você é uma mãe amorosa, que você é uma mãe carinhosa. Está na hora de parar com essa cobrança de “mulher maravilha”, pois ela está gerando úlcera, gastrite, insônia e angústia em toda a família. Isso não tem nada a ver com o prazer de educar os filhos. Ser uma boa mãe ou um bom pai é saber viver cada momento com seus filhos, caminhando com eles com naturalidade e carinho. Apesar de todo o seu amor por seus filhos, você vai cometer erros. Ao perceber que fez algo errado, não se torture. Veja, você fez o melhor naquele momento. Mas quando perceber que realmente errou, não amplie o problema: peça desculpas. Infelizmente, ao errar, em vez de pedir desculpas nós acusamos nossos filhos para arranjar justificativas para nosso erro. Pedir desculpas é a atitude mais simples, e seu filho não só vai perdoá-la como admirá-la por sua humildade. Mais ainda, o relacionamento entre vocês crescerá porque você irá se comprometer a agir com mais atenção. Deixe o passado para trás. Olhe para a frente e perceba quanto você está evoluindo. Comemore com muita alegria quanto você tem mudado e quanto ainda se aperfeiçoará! |
* Roberto Shinyashiki é psiquiatra, palestrante e autor
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