sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Big Brother, a megatendência da idiotização


Iniciou-se o Big Brother. Deu-se a largada para a maior estupidez da produção midiática televisiva. Serão quase quatro meses de dramas da torpeza humana, quando as paixões e as querelas, acompanhadas das mais vis atitudes estarão em cena e, o pior, à noite, exatamente na hora do descanso do corpo físico, que, ao invés de relaxar, viverá um sono agitado e perturbador.
Esse é o nosso Brasil, cujo povo, coitado, ficará submetido a fortíssimas cargas emotivas traduzidas na prepotência, inveja, perfídia, esperteza, enfim, discutida nas rodas de amigos, nas filas dos bancos, em mesas redondas de alguns programas de TV e, por que não dizer, no seio da família e do ambiente de trabalho, principalmente. Mais uma ação, dentre tantas, para preterir o hábito de pensar, refletir, criar e tantas outras nobres posturas que só enlevam a alma humana.
É a obra protagonizada pelos governos de outrora, que ofereciam "pão e circo", mas hoje se utilizam dos mais espetaculares meios de comunicação social, não dando a mínima trégua ao pensamento humano.
Mas voltando ao "teatro circense" do Big Brother, percebemos que a grande massa da população deixa de vivenciar o drama da casa (local onde estão os participantes) por volta das 23 horas, mas os aficcionados com a vida alheia e de nível social melhor, por terem acesso a canais por assinatura, pegam o controle remoto e trocam, imediatamente, de freqüência, sintonizando o canal Multi-show, cujos holofotes das câmeras visualizam, por um período a mais de vinte minutos, os derradeiros momentos do desprezível espetáculo.
Numa obcecação mais doentia, existem, ainda, outros que abrem uma conta especial na NET, a um custo de R$ 65,00 (cinco prestações de R$ 13,00), a fim de terem acesso ao canal Big Brother Brasil (BBB), durante vinte quatro horas, para compartilharem da real privacidade dos jovens jogadores (como são chamados os participantes). A estes últimos, talvez Freud, Jung e outros estudiosos da mente humana tenham uma classificação para suas anomalias comportamentais dentro da Psicanálise e da Psiquiatria.
Não pense você que a "cachaça bigbrodeana" está restrita às classes "C" e "D". Os "intelectuais de botequim" retemperam-se quando o "plim-plim" da Globo anuncia o início da programação.
A intelectualidade para justificar o seu etiológico desvio psicológico argumenta que o Big Brother retrata verdadeiro estudo comportamental do grupamento deindivíduos, podendo ser analisado e sintetizado em casos pedagógicos, em prol da Psicologia Social. É, infelizmente, o atrevimento da transparência cultural, mesclada com atitudes fúteis e prosaicas, contaminando parte da adolescência ainda imaculada que, por questões formais, está sob influência dessa psêudo elite, nos bancos escolares de 2º e 3º grau, na literatura, nas artes e na mídia audiovisual. Os R$ 65,00 dariam para adquirir um ou dois bons livros que abordassem conceitos filosóficos-espirituais, enriquecendo, com toda certeza, as "cabecinhas" dessa "elitezóide", cuja cultura é proveniente da "televisão profana", ou seja, dos produtores de Big Brother, de Superpop (Luciana Gimenez), de Encontro Marcado (Luiz Antonio Gasparetto) e similares.
Eis aí como uma sociedade é conduzida para se abster dos problemas econômicos-sociais. Esse hipnotismo geral abre caminho às negociações espúrias do Poder e, consequentemente, a malversação do dinheiro público, sem qualquer reação da Comunidade Nacional. Os donos das comunicações, protagonizadores de todo esse estado, substituem a Igreja Medieval, por oferecer ignorância ao povo, vassalo dos senhores de todos os tempos.
Guglielmo Marconi e Henrich Hertz, pais da radiofusão, e Vladmir Zworykin e Philo Taylor, idealizadores da televisão, talvez estejam se contorcendo em seus caixões, por verem suas invenções, com elevado valor tecnológico agregado, desviarem suas funções, na direção da leviandade, caminho para o qual o cidadão comum, não-meditativo, é impulsionado nos dias atuais.
Por tudo isso, se você não se julga contaminado por uma mídia que só oferece "entulho cultural", proceda de forma tal que suas atitudes e orientações contagiem aos que estão ao seu redor, principalmente os jovens.
Que a alienação funcione como guarda-chuva, somente, para a comunidade dos imbecis e idiotas, moucos de ouvido, não sintonizados com a Luz. Despenda o seu parco tempo, neste mundo agitado, com a avalanche do conhecimento promanado da Era do descobrimento científico e do aprofundamento filosófico.
Comporte-se desta forma e sucumba o "réptil bigbrodeano", idiossincrasia do nosso passado remoto nas cavernas, para que o Cidadão Cósmico e Universal perceba a verdadeira arte, deixando-a eclodir, dentro de si, na busca do "Homem Integral".
Perseverar na compreensão. Eis a verdadeira libertação!(AD)

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