terça-feira, 11 de outubro de 2011

Opções estéticas


Rumo à Glória, embarquei na Estação Saens Pena do metrô. Local propício a reflexões é o metrô Rio. Na verdade, como já se foi observado por muitas pessoas, nele se tem a impressão de estarmos em outro país. Mais ainda: em uma civilização superior a quaisquer outras do mundo. Creio não haver cidade, seja da Europa ou dos EUA, com meio de transporte similar tão limpo, respeitado e bem conservado. Ninguém fuma, ninguém fala alto ou perturba a paz dos vizinhos, não se joga papel no chão...Realmente, nosso metrô é um mistério, com seus passageiros de todas as classes sociais comportando-se como autênticos lordes e até- pelo que se tem divulgado ultimamente na imprensa mundial- suplantando-os na fidalguia e na educação.
Mas, na última segunda-feira, o metrô proporcionou-me uma surpresa grata e inesquecível. Virando-me para o lado, deparei-me com o jovem mais belo que meus olhos já viram- um jovem que poderia ter a beleza de Narciso, sem denunciar, contudo, estar sujeito à tentação que levou à morte o lendário personagem da mitologia grega.
O Narciso do metrô manteve, durante todo o tempo de sua viagem, os olhos baixos, como se refletisse. Arrisco-me a opinar que não se trata de uma pessoa feliz. Examinei atentamente cada detalhe de seu rosto e também de suas mãos. Nada que destoasse da encarnação do Belo. Sobrancelhas negras e cerradas, cabelos brilhantes, escuros, com alguns fios brancos, nariz grego, boca perfeita, pele lisa, cor de opala, orelhas encantadoras e mãos delicadas, porém masculinas, com dedos longos e não muito grossos. Tudo na medida exata de um Adônis. Não sei por quê, intuí que aquela melancolia que o cercava como uma auréola seria fruto de sua extraordinária aparência. Certamente muitas mulheres dele se aproximaram seduzidas por um esplendoroso invólucro de carne, sem captarem a riqueza interior que ele poderia ter. O rapaz saltou na Central, e eu prolonguei a linha de pensamento por ele suscitada em mim.
Que as mulheres cariocas são bonitas já é um lugar comum. Principalmente as que freqüentam nossas praias são cantadas em música e verso pelos poetas, com o aval dos turistas, que por aqui aportam.Entretanto nada se diz sobre os nossos jovens. E eles são, sem dúvida, tão belos quanto as moças do Rio. A negritude e a mestiçagem têm uma cota de importância na beleza masculina dos cariocas. E onde podemos vê-los em maior número, sem ser na orla marítima? Ao despontar do sol, ei-los correndo em torno do Maracanã, com seus corpos esguios de deuses de ébano, ou um pouco mais claros, com aquele tão atraente ton sur ton. Poderia nomear alguns- os mais populares, que se destacam em esportes como o vôlei, o basquete, o atletismo...Não o faço por medo de omissão. Mas como são belos os nossos negros! E os nossos mestiços...! Imagino que na Bahia eles sejam mais numerosos, mas os daqui já bastam para o deleite de olhos que viram muito da vida, revestindo-se do afastamento necessário para uma avaliação mais imparcial. Sim, o Rio não é apenas uma cidade de mulheres bonitas. Os homens que por aqui circulam, sobretudo os mais jovens, que têm menos pudor em exibir seus corpos desnudos, desculpem-me o chavão, são “um colírio para os olhos”.N.C

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