segunda-feira, 7 de outubro de 2024
Queremos Paz
Sim, queremos paz. A grande maioria das criaturas hoje, no presente estágio, em sã
consciência, é integralmente contra a violência, de qualquer tipo e qualquer grau, porque
existem várias maneiras de se aplicar a violência. Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira,
em seu “Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa”, define violência : qualidade
de violento, ato violento, ato de violentar, constrangimento físico ou moral, força, coação.
O constrangimento moral e físico a que fomos submetidos durante tanto tempo(séculos),
somado às crescentes dificuldades materiais, até mesmo para trabalhar, o desrespeito aos
mínimos direitos civis e humanos- sobretudo aos de criaturas simples, desinformadas, sem
cultura, pobres e humildes, tudo isso e tantos outros abusos e arbitrariedades que são
amplamente conhecidos geraram um estado de ansiedade e de carência de suprimentos
básicos numa imensa faixa de criaturas, o resultado é a revolta em certo número dessas
criaturas, a impressão de que nada mais há a fazer a não ser “virar a mesa”, buscar a
qualquer custo o que se julga de direito...
A coação imposta pelas exigências sociais, pela “leis do mais forte”,” da oferta e procura”,
pela competição desenfreada, tudo isso geralmente imposto pelos interesses econômicos-
financeiros de alguns poucos que reprimem, exploram, humilham, finalmente termina por
criar uma agressividade dificilmente superada no atual grau de desenvolvimento da
humanidade.
Mas o que esperar num estágio social em que milhões de crianças, adolescentes e jovens
tem que recorrer ao lixão para não morrer de fome, em que outros tantos milhões já
nasceram destinados a não sobreviver em virtude de problemas de subnutrição, deles e de
seus pais...
O que esperar de uma criatura esfomeada, violentada, maltratada, humilhada e
marginalizada devido a sua condição social, quando esta vê passar por ela, indiferentes
outras criaturas também porém exibindo excessos que lhe pagariam o alimento e a moradia
durante muito tempo...
O que esperar que ocorra numa conjuntura em que trabalhadores que pagaram seus
encargos sociais durante toda a sua vida produtiva, na velhice, cansados e fragilizados,
vêem-se obrigados a enfrentar filas imensas para receber o que lhes é de direito,mesmo que
seja pouco- além de aguardar geralmente meses e meses pela liberação do direito que
passaram a denominar benefício.
O que esperar, quando cidadãos públicos insatisfeitos com as condições sociais,
econômicas,trabalhistas, morais e culturais, exercendo seu direito democrático de
reivindicar com meios pacíficos que a lei lhes permite, ou seja, através de protestos, greves
e manifestações, são rotulados de baderneiros e outros tantos adjetivos que ouvimos e
lemos nos meios de comunicação quando em sua maioria são pais e mães de família em
busca de dignidade social para si e seus filhos.
Houve um sociólogo, Josué de Castro, que advertia: melhor cuidar da segurança nacional
antes que os pobres morram de fome e os ricos de medo. Só que os “ricos” sempre se
acham mais espertos e poderosos do que realmente são. E hoje vivem encarcerados, atrás
das grades, muros, rodeados de seguranças, que intimamente temem porque também esses
fazem parte do povo explorado e humilhado...Se olharmos para trás, a História nos
confirmará isso, hoje vista a revolução francesa e a russa, por exemplo.
O livro dos espíritos questão 813: Há pessoas que caem nas privações e na miséria por sua
própria culpa, a sociedade pode ser responsabilizada por isso?”Sim já dissemos, ele é
sempre a causa primeira dessas faltas, pois não lhe cabe velar pela educação moral de seus
membros? É freqüente a má educação que falseie o critério dessas pessoas, em lugar de
asfixiar-lhes as tendências perniciosas?
Portanto em meio a esse turbilhão que a humanidade atravessa presentemente nessa fase de
transição é necessário, imprescindível mesmo, analisar tudo com o máximo de
imparcialidade possível a cada um de nós, usando a razão e bom senso, procurando colocar
os “ pontos nos is”, sem medo de qualquer constrangimentos, qualquer coações, quaisquer
atos de violentação da nossa liberdade mais pura e permanente, a liberdade de pensar, a
liberdade de tudo submeter à luz da nossa consciência e, conseqüentemente, de agir
segundo a nossa própria opção. Se abrirmos mão de exercer esse direito pessoal e
intransferível já não estaremos AGINDO, mas REAGINDO.E isso é sempre perigoso e , no
mais das vezes, nocivo.
Como seres inteligentes da criação, dotados de discernimento e razão, somos senhores do
nosso destino, mas somo s igualmente responsáveis pelas conseqüências originadas pela
nossa livre escolha. O tempo é nosso aliado, dando-nos o passado como exemplo e lição, o
presente como oportunidade de aprendizado, e o futuro, como resultado da aplicação das
teorias assimiladas.
O fato de ser espírita conhecedora das leis naturais, divinas que Allan kardec, tão
apropriadamente denominou Leis Morais, leis que abrangem sociedade, trabalho, direito de
propriedade, liberdade, igualdade, progresso, reprodução, conservação, destruição,justiça,
amor e caridade, necessário e supérfluo, e assim por diante, permite-nos compreender um
pouco melhor a lei de causa e efeito, entendendo igualmente que, embora o determinismo
da semeadura e colheita acarrete conseqüências muitas vezes dolorosas, o abuso do livre
arbítrio vem acentuando e exacerbando respostas que nem sempre precisariam ser tão
amargas, permite-nos também compreender que atuar apenas nos efeitos dificilmente
eliminaria as causas.
Em breve, mais uma vez teremos a possibilidade da escolha consciente, a oportunidade de
usar de forma lúcida a alternativa legal para modificar e ajudar a melhorar o estado social,
trata-se de bem empregar o nosso voto, esse nosso direito de cidadania, esse nosso dever de
cidadãos.
Porque ele é uma procuração que passamos a uma outra criatura para agir em nosso nome
Criatura essa justamente que trabalha, em nosso nome, na elaboração das leis que virão
determinar nosso modo de vida, que atuará, em nosso nome, na administração de
instituições, bens e valores, na verdade, de propriedade de todos os cidadãos visto
originarem-se dos impostos e encargos pagos pela coletividade.
Omitir-se é acumpliciar-se e assumir, desse modo, compromissos muitas vezes de difícil
ressarcimento, além de já sabermos que “ mais será pedido a quem mais foi dado..”E, já
entendemos também que os meios materiais, a nossa existência no mundo, com suas
dificuldades, desafios e provas, são ferramentas indispensáveis para a nossa evolução
espiritual, para o nosso desenvolvimento moral.
Mais do que nunca, realmente queremos paz, para nós e para toda a humanidade. Só que
nós mesmos é que a conquistaremos, nós mesmos é que construiremos a nossa paz, na luta
constante para superar nossas dificuldades, vencer os nossos atavismos e promover,
conseqüentemente, a nossa felicidade, ainda que certos de contar com o auxílio dos amigos mais avançados.
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